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PROFISSIONAIS DA SAÚDE

Residentes do hospital de São Paulo (HSP) entram em greve

Médicos residentes do Hospital São Paulo entraram greve contra a escassez de remédios e equipamentos nesta terça-feira, denunciando a precarização da estrutura hospitalar.

terça-feira 9 de fevereiro| Edição do dia

Foto:CNN

Os residentes de clínica médica do Hospital São Paulo entraram em greve nesta terça-feira, sob alegação de más condições de trabalho. Cerca de cem estudantes prometem paralisar as atividades por tempo indeterminado. Até o fim de semana, residentes de outras áreas, como cirúrgica, enfermagem e especialidade clínica, devem aderir ao movimento, totalizando cerca de 300 estudantes.

A reclamação dos residentes vem desde o ano passado. Por causa da pandemia, houve aumento de leitos e, inicialmente, também de verba pública e privada para o Hospital São Paulo (HSP). No 2º semestre, os recursos minguaram, mas não o volume de trabalho, com cerca de mil atendimentos por dia.
Mesmo quando a curva de casos diminuiu na cidade, o hospital continuou com ocupação de leitos no limite. A unidade funciona com portas abertas e houve grande demanda de casos represados das outras doenças, de pacientes que evitaram buscar tratamento logo nas primeiras semanas da quarentena.

"Na semana passada faltava soro glicosado para atender pacientes com hipoglicemia. Vi paciente recebendo açúcar na boca para tentar contornar a situação. Está faltando soro fisiológico, fundamental para diluir medicamento. Antibióticos básicos também", contou uma residente. "Todas as enfermarias e UTIs estão lotadas e muitos pacientes ficam no corredor. Paciente com covid circula por lá, tem barulho o tempo inteiro, luz o tempo inteiro", acrescentou a estudante.
Pacientes que ficam no corredor não estão com a covid-19. Mas, para chegar à sala de isolamento, aqueles que estão infectados com o coronavírus precisam passar pelo corredor, o que eleva o risco de transmissão, de acordo com os grevistas. Os residentes também relatam haver falta de alimentação básica na unidade.

O Sindicato dos Médicos de São Paulo informou prestar assessoria aos residentes. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo foi informado na sexta sobre a greve. Por lei, o aviso tem que acontecer com 72 horas de antecedência.
Os residentes têm realizado reuniões frequentes com a diretoria do hospital desde novembro. Eles disseram receber a promessa de que os problemas seriam resolvidos em breve e até agora não houve solução. Agora a categoria vai trabalhar como em escala de final de semana ou feriado, com somente 30% da equipe.

Essa é a realidade dos profissionais de saúde que em plena pandemia não tem insumos mínimos de combate ao coronavírus. Governo Bolsonaro é parte dessa precarização da saúde, mas ele não atua sozinho ao seu lado tem todo o congresso e o STF, além disso, os próprios governadores e prefeitos. Doria busca uma localização de opositor a Bolsonaro, mas ambos compartilham dos mesmos interesses que é desvalorização e desumanização da vida dos trabalhadores.

O Esquerda Diário se solidariza com os residentes em greve e seguirá acompanhando a resposta tanto do Estado, como do próprio Governo Federal. Bolsonaro e João Doria são responsáveis por ataques à saúde pública, ambos não foram capazes de implantar qualquer controle científico da pandemia, com testes massivos, abertura imediata de todos leitos fechados do SUS e, agora, embora pareça haver uma disputa entre o negacionismo bolsonarista e Doria, vemos que eles não garantem um programa de vacinação realmente capaz de oferecer doses que atendam massivamente à população, que segue morrendo pelo desastre da saúde e pela crise econômica.

Informações: Agência Estado.




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