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DENÚNCIAS OPERÁRIAS

Residentes da linha de frente: “se a gente não trabalhar esse hospital para”

Os residentes trabalham como linha de frente mas não são considerados essenciais para a vacinação como um denúncia nesta matéria. Também sofrem com atraso da bolsas, atraso no pagamento ao INSS – o que coloca risco de fome se adoecerem com COVID. Suas jornadas de trabalho são absurdas, de exaustão, alcançando 60hs semanais. Mas em meio a tanta precarização começa também sua organização e luta.

quinta-feira 29 de abril| Edição do dia

O Esquerda Diário tem mostrado as mobilizações dos residentes hospitalares pelo país, mostramos a mobilização ocorrida no Rio de Janeiro em 19 de abril, como parte da mobilização nacional destes trabalhadores essenciais. Esses trabalhadores denunciam um imenso descaso que sofrem, atraso de bolsas, inclusive quando a pandemia se agrava.

Nesta matéria trazemos novos relatos de residentes pelo país:

Trabalhamos todo ano de 2020 como linha de frente, porém para a vacinação não fomos considerados linha de frente. Estamos trabalhando só com uma [máscara] N95 por mês. A gente tá com bonificação atrasada, tem relato de residentes de outros hospitais com bolsa atrasada, a gente não tem reajuste desde antes da pandemia. A gente trabalha num regime de exaustão.” Essa mesma pessoa remarca como a mobilização desses trabalhadores tem como uma de suas pautas diminuir essa absurda jornada de trabalho: “A aprovação da PL 504/2021 para reduzir a carga horária dos residentes, porque a gente trabalha 60hs semanais, a gente trabalha nesse regime de exaustão. E o direito da gente ter direito de se organizar, de fazer greve, de paralisar quando a gente acha que nossa mão de obra tá sendo mão de obra barata, tá sendo mão de obra explorada, é por esse direito que a gente tá aqui hoje.”

A categoria constata como é linha de frente, como é essencial para o funcionamento dos hospitais, e portanto crucial para o atendimento da população e o combate à pandemia, e exige seus direitos, como diz a denunciante: “A gente é linha de frente sim porque se a gente não trabalhar, esse hospital não funciona, esse hospital para. Se nós residentes hoje ficarmos doente, se a gente for contaminado pelo coronavírus e ficar numa situação que a gente tenha que tirar mais que 15 dias de licença, a gente não é segurado pelo INSS, a gente passa fome, a gente fica sem teto porque a gente não vai ter dinheiro para pagar nosso aluguel.

Outra pessoa que também é residente em hospital aponta casos muito similares dessa imensa precarização que sofrem: “nossa vida continua aí todos os dias sendo colocada em risco, por falta de material, por que nos é dado apenas uma [máscara] N95 por mês, se precisarmos de uma outra máscara vamos ter que comprar de nosso bolso. Não tá havendo pagamento do INSS, onde nós entendemos que se um residente ficar doente não será possível se encostar por um auxílio doença e isso é algo muito grave. Isso está colocando não somente a nossa vida não só em risco mas também uma insegurança financeira, como que a gente vai pagar passagem como que a gente vai se alimentar se não temos nossa bolsa em dia. Nossa bonificação que é um benefício e também é um direito que foi conquistado com muita luta. Então esse dia 19 está sendo algo muito importante, significativo, onde a gente está podendo unificar nossas forças.

A mobilização da categoria enfrenta esse descaso que vai de bolsas atrasadas, falta de material, jornadas exaustivas mas também aponta para a grande insegurança que sofrem esses jovens trabalhadores, como disse mais uma pessoa: “Eu sou assistente social, residente no HUPE, tenho 24 anos e eu não fui vacinada. A gente começou o programa em 1/3/2021 e desde então não temos resposta, não temos previsão de quando vamos ser vacinadas. As precptoras, assistentes sociais da minha equipe, trabalharam todo esse período sem vacinação, foram vacinadas duas semanas atrás e na minha equipe ainda falta, e nós não temos previsão pra sermos vacinas e isso tem afetado minha saúde mental né. Essa insegurança, a exposição de estar em um ambiente hospitalar onde a gente que é mais propício de ter a contaminação. Por mais que a gente não atenda diretamente os pacientes de COVID, a gente acaba atendendo as famílias. A gente sempre coloca atendimento remoto, mas acabam vindo no serviço, e a gente só vai saber que são familiares de paciente de COVID quando eles relatam isso e a insegurança só aumenta.

O Esquerda Diário apoia a mobilização dos residentes e de todos trabalhadores em luta.

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