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Direita machista | Relatório pode pedir cassação de Gabriel Monteiro, mas é insuficiente para fazer justiça

Nesta terça-feira (02), um relatório irá pedir a cassação do mandato de Gabriel Monteiro, ex-soldado da Polícia Militar e ex-membro do Movimento Brasil Livre (MBL), atual vereador da cidade do Rio de Janeiro, filiado ao Partido Liberal (PL). O vereador é acusado de vários casos de assédio sexual e pedofilia. O debate de qual estratégia devemos ter para realmente impedir que situações absurdas como essas aconteçam é fundamental, e nesse sentido é preciso que nosso objetivo vá muito além da cassação de mandatos.

terça-feira 2 de agosto | Edição do dia

Há denúncias envolvendo filmagens de Gabriel tendo relações sexuais com uma menina de 15 anos, e a divulgação de um vídeo em que o político assedia uma criança de 10 anos de idade que estaria em situação de rua. Além dessas acusações envolvendo casos de pedofilia, ex-funcionárias de Gabriel Monteiro o acusam de assédio e diretamente estupro.

Os denunciantes foram ouvidos no Conselho de Ética e deram sua versão para os vereadores, assim como Gabriel Monteiro, que apresentou sua defesa.

Apesar das etapas de um possível rito de cassação, já existe uma movimentação para que, em vez da cassação, Gabriel monteiro seja apenas suspenso.

Mesmo que não consiga manter o cargo na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, Gabriel Monteiro tem pretensões de deixar o espaço legislativo em breve, já que na sexta-feira (29), ele registrou candidatura a deputado federal na próxima eleição.

Entre os documentos apresentados pelo próprio vereador, estão certidões das esferas estadual e federal da Justiça - onde constam diversos processos aos quais ele responde.

Mesmo que a Câmara decida pela cassação, se Gabriel Monteiro obtiver o registro de candidatura aprovado pela Justiça Eleitoral antes disso, o ex-PM poderá disputar as eleições de outubro.

Gabriel Monteiro é expressão dos valores machistas e deturpados da direita e extrema direita reacionária, que atacam profundamente e de diversas maneiras as mulheres, os trabalhadores e demais setores oprimidos, utilizando para isso falsos discursos moralistas. Mas qual a saída contra eles e todo o machismo da extrema direita e da direita?

A saída não virá pela via da justiça burguesa, que pode inclusive garantir a impunidade de Monteiro. Por isso o debate de qual estratégia devemos ter para realmente impedir que situações absurdas como essas aconteçam é fundamental, e nesse sentido é preciso que nosso objetivo vá muito além da cassação de mandatos para garantir que não aconteçam mais coisas do tipo, porque o que ocorre na prática é apenas a substituição desses por outros políticos, sejam dos mesmos partidos deles ou de outros partidos conservadores, que seguirão defendendo o ataques às mulheres, disseminando o machismo e se utilizando do patriarcado para os seus interesses. Além disso, os próprios atores do regime que sustentam figuras desse tipo, buscam se separar nesses momentos como se não fossem ideias também compartilhadas por eles. Não à toa contra Arthur do Val vimos até Sérgio Moro contra e muitos representantes da direita que até ontem andava lado a lado com ele. Não são apenas Arthur do Val e Gabriel Monteiro, esse é o regime político brasileiro, e essas ideias são expressões da direita patriarcal e escravocrata desse país e de um regime golpista que se ergueu sobre o sangue e suor de mulheres negras e trabalhadores. Portanto, não há saída institucional contra isso, como defende o PT e setores da esquerda como o PSOL, colocando a estratégia apenas no âmbito parlamentar.

Diante da profundidade do problema, somente a auto organização das mulheres, junto com a classe trabalhadora e todos os setores oprimidos que sentem na pele as mazelas do capitalismo podem dar uma resposta a esses absurdos. Não podemos confiar que esse regime político apodrecido que temos no país, que ataca as mulheres com reformas e precariza ainda mais a nossa vida, que aprofunda o machismo existente e que nega às mulheres o direito ao próprio corpo irá dar uma resposta às nossas demandas e verdadeiramente fazer justiça em casos como o do Arthur do Val e do Gabriel Monteiro.

A conquista das nossas demandas só ocorrerá por meio da luta das mulheres organizadas, em unidade com a classe trabalhadora de conjunto e todos os setores oprimidos, em luta contra esse regime político degradado que vemos que seus agentes tem como hierarquia aprofundar o conservadorismo e aplicar ataques em nome de atender aos interesses dos grandes empresários.




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