TERRITÓRIOS INDÍGENAS

Reivindicando Bolsonaro, deputado usa motosserra contra bloqueio em Terra Indígena de Roraima

"Bolsonaro, isso é por Roraima, pelo Brasil, não à favor dessas ONG’s", declarou o reacionário deputado logo após utilizar a motosserra para derrubar o bloqueio que serve para a proteção da fauna local na BR-174, que corta Território Indígena.

sexta-feira 28 de fevereiro| Edição do dia

Hoje (28/02), o deputado Jefferson Alves (PTB-RR) com o auxílio de uma motosserra e um alicate derrubou o bloqueio que controla o acesso à estrada que corta a Terra Indígena Waimiri Atroari, ocupada pelo povo Kinja.

Este bloqueio fecha a passagem da BR-174 entre as 18h e 6h, permitindo somente o tráfego de ônibus, caminhões com carga perecível e ambulâncias. Esta medida tem o intuito de preservar a fauna local, protegendo os animais de vida noturna, comuns na região. A BR-174 liga Manaus (AM) a Boa Vista (Roraima).

Em meio a apoiadores e câmeras de tvs locais, o deputado, com a corrente que impedia a passagem em mãos, brada energicamente para as câmeras que "nunca mais" [referindo-se à existência do bloqueio] e que "Se depender de mim essa corrente nunca mais vai deixar meu Estado isolado. Bolsonaro, isso é por Roraima, pelo Brasil, não à favor dessas ONG’s, que maltratam meu estado", endossando o projeto reacionário de Bolsonaro em relação aos indígenas, que se percebe na violenta e famosa frase "No que depender de mim, não tem mais demarcação de terra indígena" dita pelo então presidente em entrevista na TV Bandeirantes em 2018.

A agressiva ação do deputado é fruto da legitimação que a política anti-demarcação de Bolsonaro fornece a esses setores. Tanto o agronegócio, quanto as mineradoras, além de madereiras, crescem os olhos sob as terras indígenas vendo afrouxar a vigilância da Funai e a proteção do governo. Entre as absurdas medidas já tentadas pelo governo Bolsonaro já estiveram: a promessa de legalização do garimpo em terras indígenas, transferência da Funai para o ministério da Agricultura. Ano passado vimos crescer o número de lideranças indígenas assassinadas, como foi o caso de Paulinho Guajajara.

Assim como em relação a Amazônia e a preservação ambiental, a verborragia de Bolsonaro incita a ação de reacionários como o deputado que avança sob as terras indígenas, ameaçando os índios. Repudiamos a ação do deputado assim como toda tentativa de deslegitimação do direito das populações indígenas a suas terras.




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