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Reitoria da USP põe em risco trabalhadores terceirizados controladores de acesso

Um ofício da Coordenadoria de Administração Geral da USP, CODAGE, de 30 de março exigiu que oito trabalhadoras terceirizadas da empresa Works (empresa de controle de acesso), que haviam sido liberadas pelas respectivas unidades em que trabalhavam para permanecer em quarentena, por se enquadrarem nos critérios de grupo de risco, voltassem ao trabalho em outro posto.

quinta-feira 2 de abril| Edição do dia

De maneira totalmente arbitrária, o Prof. Dr. Luiz Gustavo Nussio, Coordenador da CODAGE, em vez de garantir que os trabalhadores terceirizados do controle de acesso tivessem as mesmas garantias que os trabalhadores efetivos da USP de liberação do trabalho para garantia do necessário isolamento social, enviou no dia 30 de março Ofício ao sócio-proprietário da empresa Works Construção & Serviços Eireli, Sr. Marcos José Dias, exigindo a transferência das trabalhadoras terceirizadas para a Superintendência de Assistência Social - SAS.

A justificativa da SAS e da CODAGE seria a necessidade de atender os blocos do Conjunto Residencial da USP (CRUSP). Porém, como relatam os próprios moradores, não é de controladores de acesso que o CRUSP necessita, mas sim de segurança para os moradores que estão sendo abandonados à própria sorte, como relata Cíntia, que preside a Comissão de Mães do CRUSP.

Uma destas trabalhadoras entrou em contato com o Esquerda Diário para relatar a situação de medo que elas estão passando, em sua maioria mulheres e mães de crianças com menos de dez anos de idade:

“É horrível estar lá. Nunca achei que iriamos ficar tão expostas e com medo. Acho que todas que estão lá, trabalham com medo. Por estar exposta e porque lá também tem mais casos [de COVID-19], e a gente só soube porque a gente estava sem EPI’s, e aí deram pra gente. O pior é que todos os que estamos lá, que somos 12 ou mais, temos filhos [menores de 10 anos] e somos controladores de acesso, porém ficamos lá sem fazer nada. Nada mesmo, só dando ‘bom dia’ e ‘boa tarde’. Os alunos querem segurança, porque realmente concordo, eles estão todos abandonados. Uns conversam com a gente e perguntam porque que a gente está lá, que eles não querem, porque nossos serviços não é o que condiz com a necessidade deles. Lá tem que ter segurança, é o que os alunos querem, mais segurança, que olhem mais por eles, porque realmente eles estão bem abandonados”

É urgente que a Reitoria da USP reveja essa transferência e garanta para os trabalhadores terceirizados os mesmos direitos que para os trabalhadores efetivos, liberando as controladoras de acesso para poderem seguir em quarentena com seus familiares, sem nenhum desconto de salário e direitos. Também é urgente que a Superintendência de Assistência Social garanta as condições de segurança, limpeza e alimentação para os moradores do CRUSP, que estão sendo abandonados à própria sorte pela Reitoria da USP.




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