Juventude

PERMANÊNCIA ESTUDANTIL

Reitoria da USP cortou auxílios de 52,8% dos beneficiados pelo PAPFE em meio a pandemia

O ano de 2020 representou um grande corte no Programa de Apoio a Permanência e Formação Estudantil (PAPFE) da USP, principal programa de permanência-estudantil da universidade. As informações são com base no "Relatório da quantidade de alunos contemplados pelo PAPFE em todas as modalidades de auxílio desde o início da série histórica", elaborado pelo Comitê de Luta pelo Auxilio Alimentação.

terça-feira 1º de junho| Edição do dia

(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O Ano de 2020 foi marcado pela pandemia e a política desastrosa e negacionista do governo de extrema de direita de Bolsonaro, além disso, os estudantes universitários foram duramente impactados pela pandemia. Os fechamentos das universidades acarretaram em uma séries de ataques contra a juventude, um deles foi a permanência estudantil na Universidade de São Paulo (USP), que há anos vinha sofrendo cortes e falta de investimentos, no entanto, no primeiro ano de pandemia e segundo ano do governo de Bolsonaro os problemas se agravaram.

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Se observamos o gráfico 1.1 e o gráfico 2 fica evidente que de 2019 pra 2020 os números de contemplados pelo PAPFE reduziu drasticamente. A reitoria da USP cortou 52,8% dos beneficiados com a permanência estudantil, caindo de 7500 estudantes em 2019, para 3540 em 2020.

Retirado do Relatório da quantidade de alunos contemplados pelo PAPFE em todas as modalidades de auxílio desde o início da série histórica, elaborado pelo Comitê de Luta pelo Auxilio Alimentação

Retirado do Relatório da quantidade de alunos contemplados pelo PAPFE em todas as modalidades de auxílio desde o início da série histórica, elaborado pelo Comitê de Luta pelo Auxilio Alimentação

A Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) teve seu menor número de alunos contemplados pelo Programa de Apoio a Permanência e Formação Estudantil, com apenas 642 estudantes contemplados pelos auxílios, inferior ao número de 2012.

Retirado do Relatório da quantidade de alunos contemplados pelo PAPFE em todas as modalidades de auxílio desde o início da série histórica, elaborado pelo Comitê de Luta pelo Auxilio Alimentação

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Na Faculdade de Educação (FEUSP), uma das unidades mais precarizadas da USP, foram apenas 32 estudantes contemplados em 2020, contra mais de 75 em 2019. Este número é o menor da série histórica.

Retirado do Relatório da quantidade de alunos contemplados pelo PAPFE em todas as modalidades de auxílio desde o início da série histórica, elaborado pelo Comitê de Luta pelo Auxilio Alimentação

Outro caso escandaloso é o do Instituto de Biologia (IB), que de mais de 100 alunos contemplados em 2019, passou a apenas 28.

Retirado do Relatório da quantidade de alunos contemplados pelo PAPFE em todas as modalidades de auxílio desde o início da série histórica, elaborado pelo Comitê de Luta pelo Auxilio Alimentação

De 2017 para 2020 temos registro de inúmeros ataques contra a classe trabalhadora e juventude, como por exemplo, o golpe institucional de 2016 que se materializou nos anos seguintes na situação cada vez mais reacionária no país, a PEC do Teto de Gastos, a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência foram políticas desse regime pós golpe contra a classe trabalhadora.

E o ano de 2020, o ano da crise sanitária mundial, foi marcado por inúmeras demissões, aprofundamento da miséria e fome nas vidas de milhões de brasileiros. Como se não bastasse isso, a modalidade de ensino do EAD nas universidades e escolas foi a materialização da precarização e exclusão do ensino e conhecimento.

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Inúmeros estudantes seguem com a vida entre o vírus, a exploração e miséria do trabalho, enquanto isso as condições de estudos seguem precárias com o EAD e com baixa assistência estudantil. Em um momento tão atípico da história do país, a reitoria da USP segue sem medidas de assistência aos estudantes. Segundo a página Auxilio Alimentação na USP, a própria USP não é transparente sobre a permanência estudantil.

Por isso, é fundamental lutar para que exista uma verdadeira permanência estudantil na USP, com bolsas para todos que precisam e com o valor de pelo menos um salário mínimo, em aliança com a luta contra os cortes nas universidades federais, que também irão atingir com bastante força a permanência.




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