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Absurdo | Reitor da USP se encontra com bolsonarista Douglas Garcia e autoriza investigação que servirá para perseguir alunos

O deputado bolsonarista Douglas Garcia (PTB) se reuniu nesta segunda-feira (27/09) com o reitor da USP, Vahan Agopyan, e supostamente entregou denúncias de perseguição a estudantes conservadores.

quarta-feira 29 de setembro | Edição do dia

Deputado Douglas Garcia e o Reitor da USP, Vahan Agopyan | Crédito da Imagem | Assessoria Douglas Garcia | Reprodução do Twitter

No marco da escalada autoritária sentida na USP - expressa pela base militar ao lado da moradia universitária, pelo despejo dos moradores do bloco D do CRUSP, pelo estatuto de conformidades que dá poder à reitoria para perseguir estudantes e trabalhadores que atuarem politicamente, pela perseguição política à trabalhadora do HU ameaçada de demissão por ter saído do seu local de trabalho por alguns minutos para pegar máscaras para os funcionários que não tinham - o encontro do deputado de extrema direita, Douglas Garcia, um dos principais precursores do projeto Escola sem Partido, cujo objetivo é amordaçar os professores em sala de aula para que não digam o que pensam, com o reitor da USP, Vahan Agopyan, é sintomático dessa inflexão à direita sentida pelo país como um todo.

O nível de absurdo dessa reunião aumenta quando lembramos que, em 2020, Douglas vazou o “dossiê antifascista” com informações de vários militantes da esquerda, rememorando as práticas de perseguição política da Ditadura. É com esse indivíduo que o reitor da universidade de excelência do país se reúne e faz questão de tirar uma foto para postá-la com orgulho em suas redes sociais.

Todavia, não é uma surpresa ver esse tipo de aliança, uma vez que o reitor não representa nem um pouco os estudantes, mas sim o interesse dos capitalistas que, graças à estrutura de poder, subordinam à universidade pública às vontades do capital e do Governo do Estado. Isso fica muito evidente quando pensamos que de fato esse cargo não é escolhido até o final pelos setores que realmente constroem a USP, como os estudantes, professores e funcionários, mas o governador de SP escolhe, de acordo com os seus interesses, dentre os três candidatos mais votados. Esse absurdo antidemocrático é estrutural, e é notado também no Conselho Universitário (CO) da USP, cuja composição é totalmente desproporcional à realidade da Universidade, pois a maioria dos seus membros é composta por professores com super salários e por empresários, enquanto para estudantes há 14 cadeiras e para os funcionários, somente 3!

É essa estrutura de poder apodrecida que sustenta um encontro entre o reitor e um bolsonarista inimigo dos trabalhadores e estudantes. Basta! Somente com a força da juventude aliada aos trabalhadores é que poderemos acabar com todos esses ataques às liberdades mais fundamentais!




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