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Eleições 2022 | Recorde de candidatos da PM paulista: por que a classe trabalhadora não deve confiar na polícia?

Neste ano de 2022 o número de candidatos policiais para deputados federais ou estaduais em São Paulo alcançou um recorde. 80 policiais militares da ativa estarão concorrendo a cargos legislativos, 8 a mais do que em 2018 e o dobro do ano de 2014, segundo dados da própria PM.

quinta-feira 14 de julho | Edição do dia

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A PM paulista bate um recorde nessas eleições de 2022. 80 policiais do estado de São Paulo serão candidatos a cargos legislativos dentre os 135 membros das forças armadas que concorrem nas eleições. O número supera em 8 a quantidade de policiais candidatos em 2018 e é o dobro se comparado ao ano de 2014.

O aumento desses números pode ser entendido como um fortalecimento da PM frente à uma reação de extrema-direita no contexto eleitoral. Hoje a PM busca se colar à figura reacionária de Bolsonaro que concorre à presidência, mas também a Tarcísio de Freitas, apoiado pelo presidente na corrida eleitoral pelo governo paulista. Há uma disputa em torno da base policial entre setores da direita: Rodrigo Garcia, pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PSDB e atual governador do estado, vem buscando apoio na PM com aumento de salários e destinando verba à compra de armas para facilitar a repressão.

A polícia ganha cada vez mais força no governo de Jair Bolsonaro, o que é demonstrado pela brutalidade e frequência dos atos de violência policial, como é o caso de Genivaldo, que foi brutalmente assassinado em uma câmara de gás improvisada no porta malas de uma viatura da Polícia Rodoviária Federal. Bolsonaro dá todo seu apoio à sua base policial por meio de suas absurdas declarações, como parabenizar os policiais responsáveis pelo massacre em Jacarezinho, aplica sigilo de 100 anos em investigações sobre casos como o de Genivaldo.

Além de se apoiarem na extrema direita bolsonarista, a PM vem se fortalecendo ao longo dos últimos anos e ganhando espaço na política. Durante os governos do PSDB no estado de São Paulo a polícia militar reprimiu diversas manifestações e greves, além de liberar chacinas sob o comando de Geraldo Alckmin, candidato à vice-presidência, que por muitos anos foi um dos principais políticos do PSDB mas agora se alinha com o PSB e está em chapa com o ex-presidente Lula do PT. Alckmin foi responsável pelo massacre de Pinheiro, que com o comando da polícia reprimiu violentamente os 9 mil habitantes da ocupação.

Fernando Haddad, em seu governo na prefeitura da cidade de São Paulo, também abriu espaço para o crescimento da PM paulista reprimindo as manifestações de junho de 2013 que tiveram início em SP. Não apenas isso, mas foi sob seu comando que a Guarda Civil Metropolitana retirou de moradores de rua papelões, colchões e cobertores para impedir a “refavelização” de praças.

O fortalecimento da PM, no entanto, se dá enquanto se concretizam ataques à classe trabalhadora. As candidaturas a cargos legislativos de policiais militares, como a do reacionário Coronel Telhada (PP), ex-comandante da ROTA, não fazem mais do que levar à frente ataques políticos à classe trabalhadora, como foi a bancada da bala ao defender a redução da maioridade penal que visa o encarceramento principalmente da juventude negra. É preciso rechaçar fortemente todas as candidaturas de PMs e membros das forças armadas, que à serviço da burguesia assassinam e reprimem setores da classe trabalhadora todos os dias, sobretudo nas favelas e na periferia.

Nessas eleições, se faz necessário fortalecer uma perspectiva política de enfrentamento ao bolsonarismo e ao restante da direita através da luta de classes. É preciso defender nas eleições e nas lutas o fim das operações policiais, fim dos tribunais militares que mantém a PM assassina na impunidade e o fim de toda essa instituição, seja a PM, seja a Polícia Civil ou a Polícia Rodoviária Federal, em São Paulo e em todo o Brasil, como no Rio de Janeiro, onde houve o chocante caso de 6 corpos encontrados em uma caçamba, assassinados por uma operação da Polícia Civil em Manguinhos. Por isso tudo é preciso enfrentar o bolsonarismo e a direita na luta de classes.




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