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MÁFIA DOS TRANSPORTES

Real demite dezenas de rodoviários no Rio, e parcela pagamento em 12x com apoio do Sindicato

sexta-feira 20 de novembro| Edição do dia

A Empresa de transportes rodoviários Real, uma das maiores da capital carioca, decidiu demitir em torno dezenas de trabalhadores em plena pandemia. As condições da demissão foram facilitadas pelo Sindicato da categoria dos rodoviários (filiado à NCST), que apresentou a grave notícia em assembleia somente com os demitidos. A Real propôs parcelar todos os pagamentos em 12 vezes, incluindo as verbas rescisórias, o décimo terceiro e o depósito do FGTS.

A Empresa Real não deposita o FGTS há pelo menos 2 anos, segundo fontes na categoria. Mesmo assim, o Sindicato aprovou no acordo de demissão feito com a empresa, que a Real, além de parcelar o pagamento, só teria obrigação de pagar aquilo que foi depositado.

A proposta é um insulto ao trabalhador rodoviário. Primeiro porque a empresa joga no desemprego trabalhadores que fazem a empresa funcionar há anos, e que se dispuseram a, mesmo durante a pandemia, seguiram trabalhando e fazendo o transporte público funcionar.

Em segundo lugar, é continuação dos ataques que as empresas de ônibus vieram fazendo durante a pandemia: com a Medida Provisória de Bolsonaro, diminuíram os dias de trabalho dos rodoviários reduzindo os salários. Há relatos de trabalhadores que, nos últimos meses, trabalhavam 15 dias e ficavam 15 dias em casa sem receber. A Real e outras empresas obrigou vários trabalhadores rodoviários a buscarem a dupla jornada, em outro emprego.

Por último, o parcelamento em 12 vezes do pagamento rescisório que a empresa deve aos rodoviários é um terceiro insulto, este feito com ajuda do Sindicato e da Justiça: a empresa alega não ter dinheiro, mas a verdade é que lucrou horrores com uma passagem cara e com todo tipo de ataque aos rodoviários. Agora, quer mandar os trabalhadores para casa sem pagar tudo o que deve. E é claro, sem juros (diferente das contas vêm todo mês para o trabalhador).

Em 12 meses, a Real vai seguir pagando o seguro desemprego? O que garante que a empresa não vai parar de pagar caso o rodoviário consiga se colocar em outro emprego? Aliás, o que garante que a empresa irá pagar em qualquer situação? O único poder de barganha dos trabalhadores é o fato de que são estes que controlam os ônibus da empresa, são estes que fazem tudo funcionar. Aceitar este acordo é uma grande armadilha, pois depois de alguns meses, ou até semanas, afastados da categoria, os trabalhadores que foram demitidos terão pouquíssimo poder de barganha contra os empresários de ônibus, que detém prefeitos, vereadores e a própria justiça no bolso.




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