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TRABALHADORES INFORMAIS | Rap dos Informais, por @tretanotrampo: morrer em casa ou morrer nas ruas? Não aceitamos nenhuma das duas

Trabalhadores informais lançam um rap em redes sociais para denunciar suas condições de trabalho e a política de morte dos governos que não garantem as medidas necessárias para sobreviver em meio a pandemia.

quarta-feira 22 de abril de 2020 | Edição do dia

Em homenagem ao marreteiro Billy Joe, morto pelo coronavírus, o perfil @Tretanotrampo produziu um rap para denunciar que os governos e os patrões dão apenas duas opções para esses trabalhadores extremamente precarizados: morrer de fome em casa ou de coronavírus na rua. O Rap dos Informais expõe que os governos decretam a quarentena, mas que continua a obrigar milhões de trabalhadores a continuarem nas ruas com medo de demissões e de não ter o que comer a noite, sendo expostos dia a dia ao vírus sem nenhuma segurança: são os trabalhadores da saúde que estão na linha de frente do combate, os trabalhadores dos transportes, das fábricas, os milhares de terceirizados nas universidades, mas também a juventude mais precarizada que hoje está nas P.As de Telemarketing e pedalando durante 12 horas e ganhando 1 real por Km rodado equilibrando nas rodas de uma bicicleta o seu sustento e os lucros de empresas como a Rappi, Ifood e Uber Eats. O rap também denuncia que mesmo em meio a pandemia os governos não deixam de atacar os trabalhadores para salvar o lucro dos capitalistas:

Confira aqui a íntegra o Rap dos Informais, por @tretanotrampo

"Acho engraçado que a solução

É sempre foder com o pobre e não mexer com os grandão.

Cadê o dono do Itaú que ninguém fala?

Tem mais dinheiro na conta que grão de arroz na minha casa…"

Desde o início dessa quarentena totalmente irracional desacompanhada de medidas econômicas como a reconversão das indústrias nas mãos dos trabalhadores para garantir o sistema de saúde com a produção dos EPIs, álcool gel e respiradores, assim como leitos, só na empresa Rappi, o número de entregadores cresceu cerca de 30% na América Latina. Isso se dá porque muitos trabalhadores estão sendo demitidos, o custo de vida tem aumentado porém as contas continuam chegando mesmo com menos bicos e a juventude se vê obrigada a recorrer ao trabalho informal para obter seu sustento. A Rappi, Ifood e UberEats, que juntas da Uber e da 99 POP, hoje são as maiores empregadoras no Brasil e no mundo, somando 4 milhões de pessoas que entre passar fome e se infectar, tem que escolher correr o segundo risco. O perfil destes trabalhadores é majoritariamente de jovens, sendo que 71% destes são homens negros e moradores de periferia. Esses entregadores de aplicativos se somam aos quase 40 milhões de trabalhadores informais no Brasil, para os quais foi oferecido um auxílio completamente insuficiente de R$ 600 pelo governo federal que ainda não está sendo pago para todos. No rap, inclusive, os trabalhadores se perguntam se os aqueles que aprovaram o auxílio emergencial se perguntam se quem aprovou essa quantia consegue sobreviver com R$600 por mês e contrapõem as medidas dos governos que apostam apenas na quarentena enquanto não disponibilizam as mínimas condições necessárias de prevenção:

"Ai rapaziada vamo se cuidar

Vamo fazer o máximo para evitar a propagação do vírus

Cuidar dos mais velhos, cuidar do grupo de risco

Senão vai morrer muita gente querida nossa

Mas aê, cadê o álcool gel?

Cadê as máscaras?

E esse auxílio de 600 reais?

Pergunta para os caras que aprovou isso aí se eles vivem com 600 reais por mês…"

Os trabalhadores informais dão a letra quando exigem medidas de prevenção para os trabalhadores essenciais que continuam a trabalhar, como os trabalhadores da saúde que hoje são colocados no front de batalha contra a COVID-19 mesmo sem máscaras e todo os EPIs necessários, assim como exigem também contratação de mais trabalhadores da saúde com melhores condições de trabalho para conter a pandemia. No rap também exigem que os governos garantam as condições necessárias para que os trabalhadores não essenciais possam ficar em casa, retirando o dinheiro dos ricos que lucram tanto com nossa exploração.

Frente a pandemia é imprescindível defender a classe trabalhadora para enfrentar o vírus, o governo Bolsonaro e o capitalismo, não aceitando que a crise seja descarregada nas costas dos trabalhadores. Se faz preciso defender medidas de emergência para o enfrentamento da pandemia, um verdadeiro "plano de guerra" contra o vírus capitalista, não aceitando nenhuma redução salarial e mantendo o pagamento integral dos salários, exigindo o pagamento imediato do salário emergencial e seguir lutando para que o valor seja elevado a R$ 2.000,00 mensais para todos os trabalhadores sem renda, informais ou desempregados congelando todos os preços de alimentos e exigindo a anistia nos pagamentos de luz, água e outros serviços básicos. É preciso também a exigência de testes e máscaras distribuídos massivamente combinados com a reconversão da indústria para o combate à pandemia, pela centralização do sistema de saúde público e privado pelo Estado, pelo controle operário o mais amplo possível de todo o processo de produção para garantir mais leitos e respiradores. É necessário levantar um programa à altura da crise histórica que se abre no Brasil e no mundo onde a classe trabalhadora possa emergir como sujeito independente. Nossa vida vale mais que o lucro deles.

Como já diz a letra do Rap dos Informais: não temos solução vamo ter que encontrar

e se os cara não der, vamo ter que arrancar!




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