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Exploração | Raiana, que pulou do 3º andar para fugir da patroa, relata a situação de desespero e agressões

Depois de tal absurdo, a babá relata a situação horrível em que passou nos últimos dias, quando não conseguia abandonar o próprio emprego por conta das ações absurdas de sua patroa.

quinta-feira 26 de agosto | Edição do dia

IMAGEM: Reprodução/TV Globo

Depois de ter se jogado do 3º andar de um prédio ao ficar mantida por cárcere privado pela patroa, a babá Raiana Ribeiro da Silva relatou a situação horrível e desesperadora que passou.

“Na terça-feira, quando eu falei que ia embora, ela não aceitou. Não teve motivo nenhum para ela me agredir. Eu disse que só ia ficar até quarta-feira. Aí, ela falou: ’ah, vagabunda...você vai ver como vai sair daqui’. Aí, começou a esculhambar minha mãe, minhas tias", segundo Raiana.

O caso ocorreu na última quarta-feira (25) e a jovem babá de 25 anos foi levada ao Hospital Geral do Estado (HGE), em Salvador, onde recebeu alta médica no início da noite do mesmo dia, ainda que com alguns ferimentos, fraturas no pé e suspeita de ter nas pernas também.

Antes de fugir, Raiana chegou a ser trancada no banheiro do apartamento de sua patroa, e antes disso chegou a enviar um áudio para sua família, depois de sofrer ameaças e agressões:

“Oh, meu Deus, chama a polícia. Eu estou sendo agredida aqui. Estou sendo agredida aqui, nega, no trabalho, no Imbuí. Chama a polícia, chama a polícia, por favor, por favor.", segundo o áudio enviado para sua família, que chegou a ir até Salvador, mas não encontrou o condomínio.

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Em meio a uma situação generalizada de alta de desemprego para a população, a vítima encontrou uma vaga para babá em Salvador, a 150 km de sua cidade, Itanagra, acertando sua contratação via telefone com a sua patroa.

Raiana iniciou o seu trabalho para cuidar de três crianças na quinta-feira da semana passada (19), e no sábado (21), informou a patroa que não poderia continuar trabalhando e que procuraria outro emprego. Depois disso, segundo a defesa da babá, sua patroa começou a dar início a uma série de agressões, físicas e verbais, tendo-a trancada no banheiro de seu apartamento, e eventualmente retido o seu aparelho celular, culminando na fuga desesperada pela janela por parte da babá.

O caso vem sendo investigado pela 9ª Delegacia Territorial (DT/Boca do Rio) e a patroa, identificada como Melina Esteves França, foi intimada e será ouvida nesta quinta-feira (26).

Tal situação horrorosa expressa de forma escancarada como as relações de trabalho, de raça e de classe se degeneraram a um ponto grotesco em que para sair do próprio emprego, uma jovem mulher e negra tenha que correr o risco de vida, ao ter que pular de um prédio a fim de se livrar de sua situação precária de trabalho.

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