RACISMO

"Racismo me tirou a pessoa que mais amava", diz pai de João Alberto.

Confira os depoimentos de familiares e amigos de João Albeto, homem que foi assassinado pela violência policial do Carrefour, fruto do racismo estrutural.

sexta-feira 20 de novembro| Edição do dia

Alguns relatos de amigos e familiares de João Beto, o homem negro que foi espancado até a morte por guardas da empresa Carrefour, em Porto Alegre, dia 19/11, um dia antes do dia da consciência negra, revelam a indignação e a inconformação com mais uma vida negra massacrada pelo sistema genocida e racista.

João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, trabalhava com o pai, numa empresa de solda de portão. Ele gostava de sinuca e futebol. Torcia para o São José. Tinha amigos, familiares, tinha uma vida.

Essas são algumas das frases que caracterizam João Alberto, frases como:

"Ele era esperto, brincalhão, amigo para toda a hora", diz André Gomes, amigo de João. “Peguei meu celular agora de manhã e levei um choque. Éramos amigos desde a infância, nos criamos na mesma casa de religião, no batuque, na umbanda. Ele era tamboreiro. Estou fazendo 39 anos hoje, esse é meu presente", conta.

Milena Borges Alves, viúva de João Alberto Silveira Freitas disse “só quero justiça” e também que o marido não merecia morrer dessa forma.

João Beto, como era conhecido pelos amigos, vivia numa comunidade na Vila Farrapos, na Zona Norte da Capital. Outro amigo seu, Paulão Paquetá, presidente da Associação de Moradores do Bairro Obirici, define seu amigo como "Um cara de boa"."Um cara legal, estava sempre junto de nós. Gostava de sinuca e futebol. Torcia para o São José. Todo fim de semana fazia churrasco pro pessoal do bairro. Era de boa". Os dois moravam a cerca de 200 metros de distância e se conheciam há mais de 10 anos.

Além dos depoimentos de amigos, o pai de João também fez declarações sobre a morte do filho, deixando evidente os catastróficos efeitos do racismo estrutural que, por meio da violência policial, foi responsável pelo assassinato de seu filho.

Em sua declaração, o homem disse: “Foi um episódio de racismo. Basta ver a força da agressão. Primeira coisa que perguntei foi: Ele estava roubando? Se não estava, por que ser agredido? E por que ser agredido brutalmente pelos seguranças? Aliás, não posso chamá-los de seguranças porque isso desmerece os profissionais que são seguranças de verdade”.

“Estou me sentindo abatido. Perdi a pessoa que mais amava. Amava minha mulher, que perdi há seis anos. Agora perdi meu filho. Tínhamos uma amizade de pai e filho, nos respeitávamos”, disse o pai de João Alberto.

Veja a homenagem de integrantes da torcida organizada do São José para João Beto:

"Na noite de hoje, Beto foi brutalmente espancado e assassinado por 2 seguranças do Carrefour Passo D’areia, há relatos que os seguranças bateram a cabeça dele no chão por diversas vezes e Beto clamava por socorro e pedia para respirar pois estavam trancando a respiração dele com os joelhos nas costas, bem na parte dos pulmões, infelizmente não resistiu a parada respiratória e acabou falecendo".




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