RACISMO

Racismo estrutural na pandemia: nós negros morremos mais e somos menos vacinados

Neste ultimo período foi divulgado os dados das pessoas que foram vacinados e revelam que apenas um terço dos que foram vacinados se autodeclaram negros. Com o governo negacionista de Bolsonaro, ingerência dos governadores e todo regime do golpe, não foi realizado qualquer combate eficaz contra o coronavírus, com o plano de vacinação adotado sendo insuficiente e racista.

terça-feira 6 de abril| Edição do dia

Foto: Arquivo/Agência Brasil

O Brasil é o país mais negros fora do continente africano, sendo 54% da população que se auto declaram negros, porém essa proporção não é garantia que a massa negra seja assolada pelo racismo capitalista. São os negro e negras a maioria nos trabalhos precários, como terceirizados, telemarketing e entregadores de app, são negados a acesso a direitos básicos como educação, saneamento básico e moradia, nossa identidade cotidianamente são questionadas.

Durante a pandemia a grande maioria da massa trabalhadora não teve o direito à quarentena, tendo que enfrentar os transportes públicos lotados, péssimas condições de prevenção nos trabalhos. Pois os patrões e os governantes dão só duas opções, enfrentar a covid-19 em péssimas condições e manter o emprego, ou perder o emprego e ficar em casa morrendo de fome junto com sua família. Os lucros dos capitalistas estão acima de qualquer coisa, mesmo que seja necessário morrer mais de 300 mil pessoas.

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Se a primeira pessoa a ser vacinada foi uma trabalhadora negra, com Doria fazendo uma grande propaganda, esse mesmo governador em conjunto com os dos demais estados deixam a totalidade das trabalhadoras negras na barbárie. No Brasil que agoniza nas UTIs existem 2 vezes mais brancos vacinados do que negros, a somatória entre ser a maioria em postos de trabalhos que não possibilitam trabalho remoto, com negligência de Bolsonaro e de todo o regime do golpe, e possuírem suasmoradias em condições sanitárias precárias, levou que a população negra seja mais infectada pelo covid-19. A cada 10 pessoas infectadas, 7 são negras. São os negros também os que mais morrem por covid, são 250 óbitos pela doença a cada 100 mil habitantes. Entre os brancos, são 157 mortes a cada 100 mil. Os dados são do levantamento da ONG Instituto Polis.

A vida enfrentada pela população negra os colocam em condições mais arriscadas de contaminação, porém essas condições precárias de vida, seja em casa ou no trabalho, são condições históricas para os negros e negras. São elementos que deixam explícito como a estrutura desse sistema é racista. Elas são sustentadas pelo capitalismo que além de ter criado o racismo para justificar as atrocidades da escravidão, a burguesia ainda o mantém como uma fonte de potencializar a exploração para com o conjunto da classe trabalhadora, normalizando os ataques para rebaixar ainda mais as condição de vida, como a Reforma da previdência ou as MPs da morte aplicada por Bolsonaro, pelo Congresso e governadores, ou a normalização de trabalhos que são tão truculentos que se assemelham a escravidão.

Somando estas condições precárias, que deixam sequelas diversas, com a violência policial que mata a juventude negra, também historicamente, a população negra tem uma longevidade de vida menor, comparado com os brancos. São estimados 67 anos para negros e 73 anos para os brancos, mesmo sem dados atualizados nacionalmente, podemos estimar que de 2011, ano da pesquisa, para hoje ainda são válidas tomar como base, pois desde lá o que se deu foi o aprofundamento da crise de 2008 e suas consequências terem sido jogadas nas costas da classe trabalhadora.

Levando todos esses elementos em consideração, percebesse que o plano de vacinação que está em andamento é falho e racista. Se focarmos nos dois grupos que a vacinação começou, linha de frente e pessoas acima de 90 anos, fica mais que explícito. Não só a população negra não chega nessa idade pelas condições que enfrentam na vida, como também as trabalhadoras terceirizadas dos hospitais que cumprem papel importante na linha de frente foram deixadas de lado pelo plano de vacinação, essas trabalhadoras maioria mulheres negras.

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A vacina deveria ser para todo mundo, pois no atual momento a vacinação exclui a massa trabalhadora que está sendo exposta cotidianamente ao vírus, e leva a população negra que está mais sujeita a se contaminar por ser maioria daqueles que não tem opção de trabalho remoto e estão em condições sanitárias precárias não serem vacinados. No entanto, para isso devemos impor a quebra das patentes, que impedem a produção de vacina em massa, inviabilizando a distribuição e a pesquisa.

Para dar uma resposta operária e entirracista para pandemia temos que lutar contra o descaso dos regime político, contra Bolsonaro, como também os governadores que fazem demagogia como o Dória, o STF e o parlamento burguês, que além de não proporcionarem vacina para todos, deixam a população sem saneamento básico adequado, sem acesso ao sistema de saúde, não garantem materiais(EPI’s) para evitar a contaminação, não garantem que os trabalhadores não sejam desempregados caso haja a contaminação, não garantem um auxílio suficiente para sobreviver, entre outros casos.

Não se pode esperar que governadores ou qualquer agente desse regime golpista vá garantir alguma melhoria para a população trabalhadora e negra. Pelo contrário, temos que nos mover tomando as ruas para conquistar direitos não podemos esperar até 2022 enquanto vemos vários dos nosso morrendo agora e vários ataques, temos que transformar as centrais sindicais em ferramenta para nossa luta, tanto por questões econômicas como também por direito a expressarmos nossa identidade negra. Não podemos aceitar a passividade que PT e PCdoB mantém a CUT e CTB, ou perdoar o regime do golpe como diz Lula. A luta da classe trabalhadora tem que ser intrinsecamente a luta contra o racismo, tendo em vista que a classe trabalhadora brasileira é de maioria negra e feminina.

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