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Vacinação | Racismo estrutural: 60,4% dos quilombolas não receberam a segunda dose da vacina

Os dados sobre a vacinação de quilombolas são mais um dado do racismo do governo Bolsonaro e do Estado brasileiro em seu conjunto. Cerca de 60,4% desse grupo, considerado prioritário pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), não recebeu a segunda dose.

sexta-feira 8 de outubro | Edição do dia

Foto: Igor Santos/Secom

Os dados sobre a vacinação de quilombolas são mais um dado do racismo do governo Bolsonaro e do Estado brasileiro em seu conjunto. Cerca de 60,4% desse grupo, considerado prioritário pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), não receberam a segunda dose.

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Não há dados demográficos oficiais sobre a população quilombola, mas estimativas de orgãos do governo calculam que de 1.184.383 quilombolas, somente 469.972 já tomaram todas as doses. São 39,6% se comparados aos 45,25% da população brasileira no geral que completou o ciclo vacinal. Para os maiores de 18 anos, o índice chega a 60%.

O Ministério da Saúde afirma que já distribuiu para os municípios todas as 2,2 milhões de doses necessárias. Contudo, não há dados oficiais sobre a população quilombola, um dos objetivos do Censo 2020 que foi cancelado pelo governo para mascarar o impacto da crise no Brasil.

Além da escassez de vacinas, após vários escândalos e atitudes criminosas por parte do ministério da Saúde, as gestões municipais contribuem para o tratamento racista aos quilombolas.

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Segundo Kátia Penha, responsável pelo monitoramento da Covid-19 da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), os municípios estão desviando doses para a população em geral, problemas com transporte, a falta de vacinas e o abandono do Estado.

“Corremos o sério risco de terminar a campanha com quilombolas que não foram imunizados. Idosos acamados que não conseguiram se imunizar. Está muito longe [o momento] de as comunidades serem totalmente vacinadas”, denuncia a gestora.

Mesmo com a velocidade lenta da vacinação saindo dos holofotes, o problema da falta de vacinas para toda a população atinge os setores mais marginalizados da sociedade, assim como os mais pobres. Nos centros urbanos, estudos demonstram que os negros também sofrem com a disparidade dos índices de vacinação e mortalidade pela doença.

No momento, está ocorrendo o 1º Fórum Nacional de Educação Superior Indígena e Quilombola, espaço em que estão ocorrendo debates sobre educação e os povos indígenas e quilombolas. Acompanhe aqui a cobertura do Esquerda Diário




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