Política

VACINA PARA TODOS

RN tem vacina para 2.5% da população. Exigimos vacinação universal!

Num estado que conta com 3.534.165 habitantes, todo o Rio Grande do Norte tem apenas 127 mil doses de vacina contra a covid-19 até o momento, entre doses da CoronaVac, que estão sendo separadas para segunda dose, e lotes da Oxford/AstraZeneca. Esse dado revela que cerca de 97% da população potiguar ainda não tem perspectiva de vacinação.

sábado 30 de janeiro| Edição do dia

Isso acontece no estado em que 3.276 pessoas vieram a óbito por coronavírus e 138.812 têm notificação de contaminação, num contexto nacional em que a média móvel de mortes atual (1055) está atrás apenas do pico de agosto de 2020 (1066) e o país alcança os 10% dos mortos pela covid-19 do mundo.

Como se não bastasse, corre investigação no RN sobre o "sumiço" de 5% de CoronaVac disponibilizadas no estado.

O negacionismo de Bolsonaro e Pazuello fez com que não tenhamos vacina disponível para imunizar a população, responsável por uma catástrofe em Manaus pela falta de oxigênio nos hospitais. O Ministério da Saúde revelou que apenas 34% dos funcionários da linha de frente teriam acesso à vacina. No total, há menos de 3 milhões de doses de imunizante no país das 222.666 mortes.

Isso asfaltou uma rodovia para que o governador do estado de SP, João Doria (PSDB) pudesse ostentar demagogia e espetacularização da aplicação da vacina, como o “garantidor das vacinas do Brasil”. Mas é responsável pela dura realidade que, se não fossem os cientistas e trabalhadores da saúde, existiria ainda menos vacinas no estado de SP, por que vimos como não garantiu sequer testes para todos e EPIs em uma série de hospitais, como no HU da USP, onde só tem 200 doses e as terceirizadas não foram incluídas na vacinação prioritária.

Bolsonaro e governadores do golpismo como Doria se unificaram e se unificam com medidas pró-empresários na pandemia, como as suspensões de contratos, rebaixamento salarial, descarregando a crise econômica aprofundada pela crise sanitária nas costas dos trabalhadores, da juventude e da população pobre.

Os professores de São Paulo estão se enfrentando com a imposição de volta às aulas de Dória. Enquanto isso, Fátima Bezerra (PT), governadora do RN, como Doria, quer retomar as aulas no estado em fevereiro mesmo com vacinação restrita. As doses existentes não poderão sequer começar a vacinar os trabalhadores da educação e os estudantes até o início das aulas. Esteve junto com os patrões da Fecomércio, Flávio Rocha da Riachuelo definindo as reaberturas, deixando que os trabalhadores pagassem a conta da falta de insumos básicos, leitos, com aumento do desemprego e agora com a falta de vacina, enquanto legitima o discurso demagógico de Dória. Fátima é parte do pacto do regime do golpe institucional de salvar os lucros capitalistas na crise e na pandemia, por isso não fará tudo o possível para garantir vacina para todos.

Por isso, é necessário imediatamente um plano científico de vacinação que dê condições à imunização universal da população, e não apenas de uma parte mínima dela.

Se os trabalhadores da saúde, junto aos da metalurgia, da logística, e o conjunto da classe trabalhadora, possuíssem em suas mãos o controle da economia e das pesquisas, poderiam organizar com êxito todas as condições logísticas para a execução de um plano racional de imunização universal. Por isso também é necessária a contratação massiva de funcionários da saúde, com salários dignos, para que auxiliem a produção das vacinas: que os trabalhadores controlem a produção e a distribuição da vacina.

Assim como a quebra de patentes das grandes farmacêuticas, que sequestram a produção científica de ventiladores, testes e vacinas das universidades e só pensam em lucrar com a catástrofe sanitária. Os próprios trabalhadores da saúde junto a especialistas, estudantes e cientistas, devem dispor das pesquisas e resultados, concedendo acesso público a esses dados.

Por isso, fazemos também um chamado para os sindicatos e entidades estudantis, como o DCE da UFRN, dirigido pelo MES-PSOL, UP e PCB, para encampar um polo antiburocrático de exigência para as centrais sindicais, como a CUT e a CTB (dirigidas pelo PT e pelo PCdoB), assim como a UNE (dirigida pelo PCdoB) para sair da paralisia de sustentação do regime político que beneficia os empresários e imediatamente se colocar para organizar trabalhadores e estudantes para uma grande campanha pela vacinação universal.




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