RACISMO

RACISMO: Os negros são maioria nos números de óbitos e menores nos números de vacinados.

Levantamento exclusivo da Agência Pública, aponta que 3,2 milhões dos que foram vacinados são brancos enquanto os negros foram 1,7 milhão. Esses dados é resultado do racismo estrutural e a desigualdade entre negros e brancos no país.

terça-feira 16 de março| Edição do dia

Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Os negros no sistema capitalista são os que mais sofrem com o racismo e as desigualdades sociais, em períodos de crises seguem sendo os mais atingidos. Nesse período de crise sanitária combinado com a crise econômica isso não foi diferente, até no país mais rico do mundo, no Estados Unidos, os negros e os imigrantes foram os que mais morreram com covid, aqui no Brasil os negros também seguem sendo as principais vítimas do coronavírus, como por exemplo, no Estado de São Paulo, o bairro onde mais tiveram números de óbitos, foi um bairro com maior número de pessoas negras.

A pesquisa da Agência Pública também aponta que os negros levam menos tempo de vida nas UTis em comparação as pessoas brancas. Entre os 8,5 milhões que receberam a primeira dose da vacina, a ampla maioria dos vacinados são pessoas brancas. O governador de São Paulo, João Doria, segue usando da vacina para se promover politicamente e no primeiro dia da vacinação em São Paulo, a enfermeira Mônica Calazans, foi a primeira vacinada, porém isso foi uma mera representação pois o conjunto dos negros seguem excluídos do plano de vacinação do país.

Além disso, durante a pandemia ocorreram aumentos gravíssimos sobre o números de óbitos de enfermeiras pelo país, o aumento foi 600% que Bolsonaro e os governadores negligenciaram durante a pandemia. A categoria de enfermeiras em sua maioria são de mulheres negras, assim como os médicos, as enfermeiras também foram linhas de frente no combate ao coronavírus desde do primeiro dia da pandemia no país. E em alguns hospitais muitas enfermeiras seguem sem o direito a vacina.

Como se não bastasse tudo isso, as trabalhadoras terceirizadas dos serviços gerais dos hospitais não foram indicadas ao processo de vacinação, pois não são consideradas profissionais da saúde ou profissionais da linha de frente do combate ao covid-19. Sabe-se que essa categoria é esmagadoramente negra e feminina que durante todos os dias da pandemia foram e seguem sendo negadas dos seus direitos básicos, muitas delas trabalharam com salários reduzidos, sem equipamento de proteção individual e lamentavelmente em alguns casos vieram a óbitos pela falta de assistência médica pública. Essas trabalhadoras seguem sendo as que enfrentam o risco de serem contaminadas nos transportes públicos e nos seus locais de trabalhos sofrem com o risco de contaminação.

Os negros seguem sendo a maioria dos que compõem a classe trabalhadora no país e devido ao racismo do sistema capitalista, continuam sendo os mais negados de direitos em comparação as pessoas que se auto declaram brancas. Além dos negros, os povos indígenas também sofrem com a negligência do governo de Bolsonaro e os governadores de cada estado. Em São Paulo, as primeiras a serem vacinadas foram duas mulheres, uma negra e outra indígena como símbolo da diversidade do país, no entanto isso é só uma forma de mascarar a desigualdade existente na sociedade brasileira, que segue excluído os negros e os indígenas dos seus direitos a própria vida.

O dado da Agência Pública aponta que a cada duas pessoas brancas vacinadas, apenas uma pessoa negra é vacinada, o resultado desse dado prova o que existe de mais racista nas estruturais sociais brasileiras. E isso não é um acidente ou um erro de cálculo, isso é parte das consequências históricas herdadas dos mais de três séculos de escravidão no país. Além disso, isso é parte da ordem capitalista de violentar e oprimir os negros e pobres, negando os seus direitos básicos a vida ou lançando os negros e os oprimidos a sua própria sorte em meio a uma pandemia que mata mais de duas mil pessoas em 24 horas.




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