Curso Mulheres Negras e Marxismo

Queremos negras no topo? Confira e participe do Grupo de Estudos DF/Centro-Oeste

Grupo de Estudos, impulsionado pelo Pão e Rosas DF/ Centro- Oeste, do novo curso do Campus Virtual Esquerda Diário “Mulheres Negras & Marxismo” ministrado por Letícia Parks reuniu no ultimo sábado, 08, trabalhadores, professores e jovens para debater “Negras no topo?”. E as armadilhas do liberalismo na luta das mulheres negras. A convidada dessa vez, foi a Professora Grazi Rodrigues, militante do Pão e Rosas. Confira e participe também.

Cris Libertad

Professora da rede estadual em Anápolis - GO.

quarta-feira 12 de maio| Edição do dia

No último sábado (08), o Grupo de Mulheres Pão e Rosas do DF/Centro-Oeste organizou a 3ª reunião do Grupo de Estudos do novo curso do Campus Virtual Esquerda Diário, “Mulheres Negras & Marxismo”. A iniciativa do curso tem como objetivo ampliar os debates presentes na obra de mesmo nome que tem Letícia Parks, Odete Assis e Carolina Cacau como organizadoras. A dirigente do MRT e militante do Grupo de Mulheres Pão & Rosas e do Quilombo Vermelho, Letícia Parks, é a ministrante do curso que no último dia 4 de maio chegou a sua terceira aula com o tema: “Negras no Topo?”. Partimos dos acontecimentos da última semana, bastante movimentada, onde vimos o povo colombiano se revoltando contra o ultra-direitista Ivan Duque e a criminosa chacina em Jacarezinho no Rio de Janeiro, que motivou – e está motivando – inúmeras manifestações contra a violência policial no país. Tais manifestações, foram o pontapé inicial do debate, o que caracteriza a relevância do curso e da obra, como instrumentos de apoio na luta militante cotidiana contra os inimigos da nossa classe.

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Para esse terceiro encontro, a convidada foi a professora da rede municipal de SP Grazieli Rodrigues, militante do Movimento Nossa Classe Educação, do Grupo de Mulheres Pão & Rosas e Quilombo Vermelho. Tanto Grazi, como outros participantes do debate, trouxeram à tona a problemática da tese de “negros no poder, negros no topo”, como CEO’s de grandes organizações. Mas se olharmos para baixo desse topo, a base, lá estão as massas de trabalhadores, os negros e, no caso do Brasil, as mulheres negras que ocupam a maioria dos postos mais precarizados no país. A presença dessas figuras "no topo", se constitui em um freio para as lutas de classes e consequentemente em armadilhas do liberalismo para a classe trabalhadora, no Brasil uma maioria negra e feminina, que acredita poder ocupar esses espaços, quando isso é impossível. A presença de negros em diretorias não evitou por exemplo que o Carrefour – que tem uma CEO negra – tivesse seu chão coberto pelo sangue de Nego Beto.

Elementos evidenciados por Letícia Parks na aula, também, foram bastante debatidos nesse encontro: Existe um topo? E se esse existe, qual é? O que se pode notar é que não há um topo e uma base nesse sistema, mas sim as classes e suas lutas e o efeito prático de ver alguns rostos negros nesse topo evidenciado pelos capitalistas não garante melhorias ou transformações para as vidas dos trabalhadores. Mudar apenas a aparência do capitalismo, torná-lo mais negro, feminino, verde, LGBTQ’s e outros, ou seja, reformá-lo, não resolve a principal contradição da sociedade de capitalista, onde há uma pequena classe que explora a maioria. Não queremos um espaço nesse pequeno topo, queremos milhares no poder!

O racismo como já foi evidenciado nas outras aulas, surgiu com o capitalismo e a escravidão foi parte fundamental no processo de acumulação primitiva deste sistema. Portanto, os exemplos que devemos seguir para enfrentar esse sistema que nos explora e oprime, é o exemplo dos revolucionários e revolucionárias, com as mulheres à frente, da Revolução Russa de 1917, ou mesmo de mulheres como Mirtes Renata que transformou o seu luto em luta por justiça contra esse sistema racista e sua patroa, também mulher, que é responsável pela morte de seu filho, Miguel.

Por falar em Revolução Russa, o exemplo do primeiro estado operário da história foi enaltecido para demonstrar as conquistas que as mulheres conseguiram através das lutas, mobilizações e organização para alcançar as mais avançadas conquistas em um país atrasado economicamente como a Rússia. Nem mesmo as grandes potências capitalistas do período concediam os direitos que as revolucionárias russas conquistaram com a Revolução em 1917. Mas, conquistas que assentaram as bases para o verdadeiro acesso das mulheres aos domínios culturais e econômicos. (D’ATRI, 2017, p. 156). A Revolução Russa de 1917, através dos princípios bolcheviques, foi empreendida por mulheres e homens que entenderam que a revolução não poderia avançar sem a emancipação efetiva das mulheres e que essa se daria mediante a incorporação destas na produção social e não apenas em uma valorização do trabalho doméstico.

Tais lições, trazem à tona o debate que vem de encontro às teorias que visam o empoderamento feminino e negro dentro da individualidade ou da representação, e não saídas coletivas, da nossa classe, como as que intelectuais negras como Djamila Ribeiro vendem. As lições das mulheres revolucionárias de 1917, muitas sem rosto e nome para nós, são as que evidenciam que as transformações efetivas e que trarão conquistas aos trabalhadores e ao povo pobre, só serão possíveis através de saídas coletivas para os proletários. O apagamento e a deturpação dos exemplos dos revolucionários de 1917 – além de serem efeitos do retrocesso que o stalinismo representou -, demonstram os interesses que a burguesia tem de esvaziar e reduzir o debate às esferas da representatividade e do identitarismo pós-coloniais e pós-modernos, que inclusive aludem à um desparecimento da classe trabalhadora – fato notavelmente refutado com a pandemia -.

Essas teorias que têm em seu cerne debates como o vazio “lugar de fala” proposto por Djamila Ribeiro, atuam para a detração do marxismo como uma teoria concreta e voltada para as/os trabalhadores e ampliam o papel do movimento negro como uma espécie de “conselheiro de reformas” para o capitalismo.

Partindo desses pressupostos que o grupo debateu, qual é a esquerda que queremos? Uma que se ampara nesses conceitos teóricos vazios e individualizantes e enaltecem exemplos como a da vice-presidente estadunidense Kamala Harris - a mesma que detém o título de primeira mulher negra a ordenar um ataque no Oriente Médio? Uma esquerda que se contenta em ocupar espaços no parlamento burguês que sustenta o regime golpista encabeçado por Bolsonaro, Mourão, militares e Judiciário? Uma esquerda que ao invés de estar ao lado dos trabalhadores em luta pelo país, como as terceirizadas da LG – Suntech, Bluetech e 3C -, dos metroviários em SP e no DF, dos rodoviários em diferentes estados do país, dos professores que enfrentam os governadores irracionais contra o retorno inseguro das aulas presenciais, ao invés disso se sentam com golpistas e parlamentares de direita e extrema-direita que estiveram com Bolsonaro em 2018 por um impeachment que colocaria o general saudosista da ditadura, Hamilton Mourão na presidência?

A esquerda que queremos é uma que abra os olhos para perceber que a luta não se encerra nas bases institucionais desse regime moribundo herdeiro de 1988 e do golpe de 2016. Uma esquerda que veja o real potencial para lutar contra o regime está com as e os trabalhadores e a juventude deste país. Esse foi um dos principais debates dos participantes dessa 3º reunião do grupo de estudos impulsionado pelo Pão e Rosas DF/Centro-Oeste. Em breve, traremos mais detalhes acerca do último debate desse grupo de estudos, que debaterá Mulheres Negras e a Estratégia Socialista, participe.


REFERÊNCIAS:

D’ATRI, Andrea. Pão e Rosas: identidade de gênero e antagonismo de classe no capitalismo. Trad. Bárbara Molnar, Flávia Toledo, Lara Zaramella. 2ª ed. – São Paulo: Edições Iskra, 2017.

As aulas 1, 2, 3 e bibliografias estão disponíveis no Campus Virtual do Esquerda Diário por meio de inscrições, gratuitas. Deixamos as aulas aqui nestes links: AULA 1, AULA 2 e AULA 3

Confira o cronograma das aulas e dos debates do grupo de estudos regional do Pão e Rosas DF/Centro-Oeste:

AULA 4 - 18/05: Mulheres negras e estratégia socialista | GRUPO: 22/05 às 16h

Se você é do Distrito Federal ou região e quer participar dos grupos de estudos, mande uma mensagem para (61)99903-2711 - Luiza




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