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"Queremos enfrentar Bolsonaro sem cair na demagogia dos golpistas que defendem ataques que afetam a vida de tantas mulheres", diz Carolina Cacau

sexta-feira 26 de fevereiro | Edição do dia

Às portas do 8 de março, enfrentamos um tempo catastrófico em nosso país, proveniente da ação dos governos capitalistas, que, em sua busca de lucro acima da vida do povo, em diferentes frentes, precariza e solapa a vida dos trabalhadores brasileiros, em especial, das mulheres, trabalhadoras, negras e pobres deste país, que são a parcela da população que mais pagam com seu suor e sangue a crise gerada pelos próprios capitalistas, que se arrasta desde antes da pandemia e se aprofunda violentamente com a chegada dela, sob a gestão genocida de Bolsonaro.

O governo Bolsonaro, negacionista e reacionário, lança mão das condições de subsistência, da saúde e da vida da população em nome da proteção e da garantia do lucro do empresariado, como um verdadeiro inimigo da classe trabalhadora que sempre se propôs a ser. Se utilizando do dinheiro público, em uma verba bilionária para comprar votos dos congressistas, Bolsonaro conseguiu eleger Arthur Lira, deputado bolsonarista, para alinhar a Câmara e passar ainda mais ataques. Blindado pela câmara que, agora com Lira, está posicionada à dar aval para os ataques de Bolsonaro, mesmo em plena crise generalizada, busca sangrar ainda mais o povo, apresentando, agora, uma lista cruel de ataques, dentre elas a PEC Emergencial, que trás em suas entranhas o “ajuste permanente”, que nada mais é do que acabar com as despesas obrigatórias, atacando reajuste de salário de professores, progressão de carreira e abertura de concursos ou contratação, com exceção de cargos de chefia e de alunos de órgão de formação militar. Isto mesmo, não se contrata mais professores e enfermeiros, mas apenas militares para repressão.

Todos os ajustes servem para dar mais lucros aos bancos e aos capitalistas, que cada vez mais, ganham lucros recordes em cima da miséria do povo. E não menos importante, como demanda da burguesia, avança ainda mais com as ameaças de privatização, em especial da Eletrobrás e dos Correios. Tudo isso enquanto as consequências da pandemia chegam à população, com mais de 250 mil mortos, hospitais lotados e colapsados, pessoas morrendo nas UTI’s por falta de oxigênio. Bolsonaro fez com que chegássemos a isso, graças ao seu negacionismo e seus ataques diretos à ciência, desde o início de seu mandato, deixando o brasil à míngua em um dos momentos mais críticos da nossa história por conta de sua ideologia nefasta. Somado a isso, temos o quadro caótico do desemprego no Brasil, que em 2020 bateu recorde, com 13,4 milhões de desempregados, com as mulheres sendo a parcela mais atingida, nas estatísticas.

Em meio à tudo isso, porém, Bolsonaro ainda sente-se confortável em despender orçamentos bilionários até mesmo com gastos supérfluos, como Leite condensado, chicletes, carne e cerveja para os militares, que cada vez mais usam o aparato público para seus luxos, enquanto nem mesmo o insuficiente auxílio emergencial, destinado à sobrevivência das famílias na pandemia, é pago mais, fazendo com que milhares de famílias voltem a situação de miséria total. Na demagogia do retorno de um auxílio, agora mais precário no valor de R$ 250,00, longe de findar com os privilégios dos militares, dos juízes e das classes mais abastadas, propõe mais ataques à própria classe trabalhadora. Enquanto finge que dá com uma mão, na verdade retira com as duas!

O povo vê o salário mínimo cada vez mais desvalorizado, quando vai ao mercado e encontra os produtos básicos de alimentação cada vez mais caros, com a cesta básica valendo mais do que a metade de um salário, fora os aumentos de combustível, gás de cozinha e da vida em geral.

Todo esse sofrimento recai pesadamente, principalmente em cima das mulheres, que se viram em uma situação de super exploração dos seus trabalhos, com milhares de mulheres caindo na informalidade, elevação extrema da dupla jornada de trabalho com a pandemia e fechamento das escolas, que colocou a situação de cuidado com os filhos em tempo integral, além do aumento estrondoso dos casos de violência doméstica. Maiores vítimas de violência, ainda vemos casos escandalosos, como a de Lorena, mulher trans de 25 anos que, quando fazia sua cirurgia em uma clínica estética, foi abandonada em um incêndio que começou no mesmo momento.

Por tudo isso, precisamos lutar e construir um 8 de março que seja um marco na luta contra o governo Bolsonaro e o regime do golpe, fazendo com que as mulheres tenham um papel central no combate aos ataques e à precarização de nossa vida. Nossa luta deve demonstrar nas ruas a força das mulheres, em conjunto com a massa de todos os trabalhadores contra os ataques da burguesia que se expressam em diferentes alas do regime como o STF, o congresso e os próprios militares que, mesmo com certas discordâncias, seguem priorizando os capitalistas em detrimento das nossas vidas, das vidas das mulheres negras, pobres e dos filhos destas, que se perdem em cada bala disparada pela polícia genocida nas favelas do país. É preciso superar também o entrave das organizações de mulheres mais tradicionais, dirigidas historicamente pelo PT e PCdoB e que retraem a luta das mulheres com a escusa do fechamento das escolas, não proliferação do vírus e medidas (insuficientes) para a contenção da Covid, e colocando não poder dar “munição” para os governantes para serem contra a nossa luta, desconsiderando que a nossa luta é justamente contra os ataques desses representantes do regime golpista e que as mulheres, bem como a maioria do povo, nem mesmo possuem o direito de se resguardar e já precisam sair às ruas todos os dias para trabalhar. Que neste 8 de março, às massas de mulheres e trabalhadores construam uma luta massiva por todos os direitos caros às mulheres, como a legalização do aborto e condições de vida dignas.

Frente a isso, o Pão e Rosas faz um chamado à uma plenária aberta no próximo dia 6 de março, para que possamos debater e fortalecer o feminismo socialista! Convidamos, também, a conferir nossas mídias como o livro “Mulheres Negras e o Marxismo”, o podcast Feminismo e Marxismo, ferramentas por onde damos combate, juntamente com o Esquerda Diário.




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