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Quem financia as campanhas de Trump e de Biden?

Ambas as campanhas estão sendo abertamente bancadas pela classe dominante: magnatas do mercado imobiliário, financistas e CEOs de empresas de tecnologia, por exemplo.

quarta-feira 16 de setembro| Edição do dia

Quando Trump anunciou sua candidatura à corrida presidencial em 2016, ele fingia que estava acima de grupos interessados em financiar sua campanha, dizendo que usaria seu próprio dinheiro ao invés de recorrer a doações. Biden também age como se estivesse livre de tais grupos, dizendo que irá lutar por uma “recuperação econômica de famílias trabalhadoras”.

Isso é uma piada de mau gosto. Ambas as campanhas estão sendo abertamente bancadas pela classe dominante: magnatas do mercado imobiliário, financistas e CEOs de empresas de tecnologia, por exemplo.

Em outras palavras, a campanha eleitoral de 2020 é uma aposta entre setores da classe dominante para definir quem os ajudará mais a alcançar seus interesses - especialmente a catastrófica e interminável acumulação de lucros. E isso é tudo perfeitamente dentro da lei. O sistema político americano está funcionando exatamente da maneira como deveria. Por exemplo, mesmo que a lei de campanha financeira não permita que qualquer pessoa doe mais que 5600 dólares diretamente a um candidato a presidente, as chamadas Super-PACs (organizações “independentes” que são cruciais para campanhas de reeleição) podem levantar fundos ilimitados de qualquer um.

Dito de outro modo, os EUA não são democráticos. Mas o seu sistema político é a carapaça perfeita para o capitalismo, já que ele torna incrivelmente fácil que a classe dominante use dinheiro extraído das costas dos trabalhadores para controlar a máquina política.

Dinheiro do Trump

A campanha de reeleição de Trump - que até agora arrecadou 1,21 bilhões de dólares - está sendo bancada pela classe dominante norte-americana.

Ao fim de Fevereiro, 80 bilionários já haviam doado à campanha de Trump. Isso é algo em torno de 10% dos bilionários dos EUA. Combinados, esses 80 indivíduos detém uma rede que vale 210 bilhões de dólares. De modo geral, o dinheiro da campanha de Trump vem primariamente de doações dos seguintes setores: financeiro, seguros, energia e imobiliário. Há ainda robustas doações vindo do setor de construção civil e da saúde também.

Por exemplo, ao fim de Fevereiro, J.Joe Ricketts - fundador da companhia de serviços financeiros TD Ameritrade - e sua esposa Marlene haviam doado algo em torno de 1 milhão de dólares, assim como Andrew Beal (dono da Beal Financial Corporation) e Dennis e Phyllis Washington (chefes das Washington Companies, que incluem companhias de mineração, construção e outras indústrias).

Parte significante da classe dominante começou a romper com Trump durante seu primeiro mandato. Mais da metade dos bilionários que atualmente financiam a reeleição não doaram a ele durante sua primeira corrida presidencial em 2016. Isso não deveria ser uma surpresa:
desde que foi eleito em uma plataforma caótica e vagamente populista, Trump fez de sua missão agradar à classe dominante enquanto também finge ligar para o trabalhador “médio” (que para Trump significa homem e branco). Por exemplo, em seu governo houve um corte histórico na taxação à classe dominante, impulsionou o desmantelamento do já fraco Tratado de Saúde Acessível como um presente às agências de planos de saúde, e atacou direitos e garantias dos trabalhadores.

Dinheiro do Biden

Outros segmentos da classe dominante que até então se encontravam fora da briga eleitoral começaram a apoiar Biden. Na verdade, a arrecadação de fundos de Biden foi tremendamente acelerada nos recentes meses em comparação à de Trump. Isso ocorre, provavelmente em parte por conta de que parte da classe dominante se alarmou ao ver a inabilidade de Trump de manter a estabilidade social em meio ao maior movimento de protestos da história dos Estados Unidos. Mas também é, obviamente, em outra parte, por causa dos próprios esforços de Biden para agradar magnatas.

Até mesmo no fim de Fevereiro, Biden já tinha mais bilionários doando a ele do que a Trump (94, ou 12% do total dos EUA). Esse número cresceu dramaticamente desde então. Em Agosto, Biden tinha 131 padrinhos bilionários (em oposição aos 99 de Trump) - ou dito de outra forma, um em cada 5 bilionários dos Estados Unidos.

Parte desse aumento se dá por causa da escolha de Kamala Harris como sua colega de chapa. No momento, liberais estavam apostando que Biden teria uma escolha mais “progressista”. Mas a escolha dele foi mais cínica: Harris é uma policial, e escolhendo-a é um sinal à classe dominante de que Biden também irá “cair matando” em cima dos levantes contra a polícia. E Biden escolheu a pessoa que estava ganhando a corrida por apoiadores super ricos - obviamente em uma aposta para conseguir que aqueles doadores o bancassem também.

Assim como Trump, uma grande fatia da grana de Biden nesta campanha está vindo do setor financeiro, assegurando que Biden irá continuar a ser o cãozinho dos capitalistas de Wall Street. Na verdade, as doações são endereçadas a Trump e a Biden vindo diretamente dos chefes da empresa financeira The Blackstone Group (um movimento repetido por empresas como Facebook e Estee Lauder) - fazendo suas apostas ao gastar dinheiro com os dois candidatos capitalistas. Porém, grandes bilionários da tecnologia tem crescentemente doado a Biden. Isso não é grande surpresa, dado o quão acolhedora Harris tem sido com essa parte da classe dominante desde que ela foi a “top policial” da Califórnia. Os maiores doadores de Biden incluem Jim Simons, que deu mais de 3 milhões de dólares; CEO da Twilio, Jeff Lawson e sua esposa Erica Lawson, que doaram por volta de 1,25 milhões; e Reid Hoffman, co-fundador do LinkedIn, que deu por volta de 1,5 milhões.

É hora de romper com os partidos capitalistas

Desde a CNN à Fox News, desde The Wall Street Journal ao The New York Times, e também a partir de Trump, Biden e até Obama, nos vendem a ideia de que a escolha entre Trump e Biden é uma questão de vida ou morte: a eleição mais importante da história.

Mas ambos Biden e Trump são lacaios da classe dominante. Estão se engalfinhando pelo dinheiro de empresas financeiras e elites de negócios dos EUA e trabalhando duro para convencer a classe dominante que eles serão um melhor cãozinho no gabinete presidencial.

Essa eleição é uma briga de amantes entre os governantes. A única esperança para a classe trabalhadora e para os oprimidos é criar um partido independente, revolucionário e da classe trabalhadora, que luta pelo socialismo e contra o capitalismo e seus lacaios em ambos os partidos.

Nota original no Left Voice




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