Política

Quem é o vice-almirante Flávio Rocha, principal cotado para assumir a Secretaria-Geral?

O oficial da Marinha, Flávio Augusto Viana Rocha, atualmente ocupa a Secretária geral de Assuntos Estratégicos, e é o principal cotado para substituir o atual ministro Jorge de Oliveira, que irá para o TCU

sábado 10 de outubro| Edição do dia

Rocha hoje em dia já é um dos principais aconselhadores de Bolsonaro, administrando diversos conflitos no Palácio do Planalto e aparecendo sempre junto ao presidente em suas últimas aparições em eventos públicos. O vice-almirante se aproximou de Bolsonaro em junho deste ano, logo após o início da operação contra Fake News. O militar tem grande proximidade ideológica com o bolsonarismo.

Ainda está em aberto quem será o próximo Ministro da Secretaria-geral, pois só será anunciado quem ocupará a vaga após o dia 21, quando tiver passado a aprovação de Oliveira para o TCU no Senado e tiver havido sua sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Ele substituirá o ministro José Múcio, que se aposenta em 31 de dezembro.

Bolsonaro também avalia indicar o assessor-chefe do gabinete presidencial, o economista Célio Faria Junior. Homem de confiança do presidente, Faria, como servidor civil da Marinha, atuou como assessor da Força no relacionamento com o Executivo e o Congresso. Porém, a pessoas próximas, Célio já negou interesse em assumir ministérios.

Em sua atuação política nos bastidores, Rocha já atuou para distensionar antigas crises. Se aproveitou do acesso que tem com alguns parlamentares — Rocha já foi chefe da assessoria parlamentar da Marinha na Câmara, onde conheceu Bolsonaro — e também com ministros do Supremo para dialogar em prol de uma união entre os Poderes.

Rocha foi responsável por duas indicações fracassadas do governo, uma para o MEC, com Carlos Alberto Decotelli, que saiu do cargo em 5 dias com inconsistências escandalosas em seu currículo, e Alexandre Borges Cabral, para presidir o BNB (Banco do Nordeste), que caiu em 24 horas por suspeita de corrupção, em investigação conduzida pelo TCU sobre suspeitas de irregularidades em contratações feitas pela Casa da Moeda durante sua gestão à frente da estatal, em 2018.

O oficial também esteve envolvido numa tentativa de articulação do governo federal com a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), para tentar livrar a vice governadora Daniela Reinehr (Sem partido atualmente, ex-PSL) do processo de impeachment contra o governador Carlos Moisés (PSL), que atingiria os dois.

Além de ter partido dele a ideia de convidar o ex-presidente Michel Temer para chefiar, em agosto, a missão oficial brasileira no Líbano, após a grande explosão no porto de Beirute. O oficial ainda acompanhou Temer nessa incursão.

Em setembro, o almirante deu uma mostra da boa relação que mantém entre os Poderes. Logo após a cerimônia da Independência, no 7 de setembro, recebeu em sua casa para um almoço da despedida de Dias Toffoli da presidência do STF, junto de Bolsonaro e mais sete ministros: Paulo Guedes (Economia), Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), Augusto Heleno (GSI), Bento Albuquerque (Minas e Energia), Tereza Cristina (Agricultura), Jorge Oliveira (Secretaria-Geral), Fabio Faria (Comunicações), além do secretário de Cultura, Mário Frias, e do deputado Hélio Lopes (PSL-RJ).

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Caso Rocha efetivamente assumisse o Ministério da Secretaria-Geral, seria um passo a mais na ocupação de militares em cargos ministeriais, sendo ele um oficial da ativa, que já declarou que diferentemente de Eduardo Ramos, não tem nenhum interesse em passar para a reserva.




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