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IMPERIALISMO E BRASIL | Quem é William Burns, chefe da CIA enviado pelo imperialismo dos EUA para intervir na política brasileira?

A tarefa de derrubar Bolsonaro, Mourão e todo o regime do golpe institucional não é um atributo do imperialismo norte-americano. Nós, trabalhadores e jovens, nos reservamos essa tarefa, com total independência de classe frente ao imperialismo.

André Barbieri São Paulo | @AcierAndy

sábado 3 de julho | Edição do dia

Em suas pavorosas conversas no cercadinho do planalto, Bolsonaro confirmou reunião com o chefe da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), William J. Burns, nessa quinta-feira, para tratar de assuntos estratégicos. Burns é um funcionário de alta patente do imperialismo norte-americano há décadas. Trabalhou na chancelaria nos últimos 30 anos, para governos Republicanos e Democratas. Foi embaixador na Jordânia para as administrações Clinton e Bush; para George W. Bush foi embaixador na Rússia, e para Barack Obama atuou como secretário de Estado. Com experiência diplomática no Oriente Médio e na Ásia, foi um agente direto da política imperialista nos focos de atenção dos Estados Unidos.

Burns entrou no Serviço Exterior em 1982 e serviu como Secretário de Estado Adjunto de 2011 a 2014. Ele serviu como Subsecretário de Assuntos Políticos de 2008 a 2011. Foi Embaixador dos EUA na Jordânia de 1998 a 2001, Secretário de Estado Adjunto para Assuntos do Oriente Médio de 2001 a 2005, e Embaixador dos EUA na Rússia de 2005 a 2008. Ele também foi Secretário Executivo do Departamento de Estado e Assistente Especial dos Secretários Warren Christopher e Madeleine Albright, Ministro-Conselheiro para Assuntos Políticos na Embaixada dos EUA em Moscou, Diretor Interino e Diretor Adjunto Principal do Pessoal de Planejamento Político do Departamento de Estado, e Assistente Especial do Presidente e Diretor Sênior para Assuntos do Oriente Próximo e Sul da Ásia no Conselho de Segurança Nacional dos EUA.

Em 2008, Burns foi nomeado pelo Presidente George W. Bush e confirmado pelo Senado como Embaixador de Carreira, a mais alta patente do Serviço Exterior dos EUA, equivalente a um oficial geral de quatro estrelas das Forças Armadas dos EUA. As promoções para o posto são raras. Em 2013, Burns e Jake Sullivan, atual assessor de segurança nacional de Biden, lideraram o canal bilateral secreto com o Irã que levou ao acordo nuclear provisório entre o Irã e demais potências ocidentais (Estados Unidos, Inglaterra, Itália, Alemanha, França, Rússia e China), posteriormente cancelado por Trump.

Agora, tornou-se nada menos que chefe da CIA para o governo de Joe Biden. A CIA é conhecida pela participação em inúmeros golpes de estado na América do Sul e Central ao longo do século XX, especialmente no apoio às ditaduras militares no Cone Sul, como a brasileira, a argentina, a de Pinochet no Chile e Stroessner no Paraguai. Não é casual, portanto, a ingerência em assuntos brasileiros surgir publicamente em meio à maior crise da história do governo Bolsonaro.

A intenção? Além do realinhamento com o governo, bloquear a influência da burocracia chinesa do Partido Comunista - que celebrou seu centenário tendo Xi Jinping à cabeça, um desafiador dos interesses estadunidenses na Ásia e outras regiões do globo - no Cone Sul. Temas como a agressividade contra a Venezuela (dirigida pelo autoritarismo de Maduro) voltaram à mesa, já que Caracas é aliada próxima não apenas da China, mas também da Rússia. Mas não só de “realinhamento” se fez a conversa, mas também de disciplinamento. O chefe da CIA traz a mensagem de Biden: seguirão a “destrumpização” do governo (depois de obrigarem a demissão de Ernesto Araújo e Ricardo Salles), e a pressão máxima para que Bolsonaro se cale diante de ameaças trumpistas que se habituou a lançar, como o questionamento dos métodos eleitorais de 2022. Biden não quer a repetição no Brasil daquilo que o fujimorismo vem fazendo no Peru, numa campanha para invalidar o triunfo do reformista Pedro Castillo. Essa preocupação não diz respeito a determinadas posições políticas da Casa Branca, mas do receio de que a América Latina possa conter redutos de apoio a Donald Trump, que voltou a fazer comícios eleitorais nos Estados Unidos.

A vinda de Burns ao Brasil, combinada às visitas do embaixador Todd Chapman aos estados do Sul (grandes produtores de soja), se vinculam à necessidade de bloquear a influência chinesa no país. A isso soma-se o desejo de um clima favorável à aprovação das privatizações das gigantes nacionais, das reformas neoliberais e demais ataques à população. Nos querem como uma grande fazenda, que venda commodities a preços baixos e com fácil entrada de capital financeiro. Se precisarem, o fazem com Bolsonaro ou com Mourão, o importante é tirar do couro da população.

Diante desse cenário é fundamental que as mobilizações em curso no país se enfrentem com Bolsonaro, Mourão, os militares e também o imperialismo norte-americano. Os yankees são pragmáticos e se aliam com qualquer um para rapinar a riqueza nacional e explorar a força de trabalho brasileira, seja Bolsonaro, Mourão, Moro, Dória, Ciro ou mesmo Lula. A única forma de impedir essa ingerência é com a força independente dos trabalhadores e da juventude, fazer com que os protestos em curso sejam ponto de apoio para uma luta anti-imperialista.

A tarefa de derrubar Bolsonaro, Mourão e todo o regime do golpe institucional não é um atributo do imperialismo norte-americano. Nós, trabalhadores e jovens, nos reservamos essa tarefa, com total independência de classe frente ao imperialismo. Nesse 3J, dizemos em alto e bom tom: fora CIA e imperialismo do Brasil e de toda a América Latina!

Uma greve geral, que sirva a derrubar Bolsonaro e Mourão, é o caminho para que nossa luta não seja desviada, seja eleitoralmente, seja para colocar o Mourão no lugar e avançarem com os mesmos ataques feitos por outras pessoas. A aliança com os indígenas em luta e a juventude é fundamental nesse sentido. Para isso precisamos que as centrais sindicais e os sindicatos organizem assembleias massivas espalhadas pelo país, com a classe trabalhadora decidindo os rumos dessa luta. Essa mobilização, se for capaz de derrubar Bolsonaro e Mourão, é capaz de impor uma Constituinte onde o povo possa decidir os rumos do país, uma constituinte contra as reformas neoliberais, contra a ingerência imperialista no país, contra as privatizações e contra todos esses ataques. Esse é o caminho que pode abrir espaço ao governo de trabalhadores em ruptura com o capitalismo e expulsarmos de vez a ingerência imperialista de nossas terras.




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