×

Eleições 2022 | Quem é Tarcísio de Freitas, candidato de Bolsonaro em SP e inimigo dos trabalhadores?

Saiba quem é Tarcisio de Freitas (Republicanos), pré-candidato ao governo de São Paulo apoiado por Bolsonaro que está tecnicamente empatado em segundo lugar com Rodrigo Garcia (PSDB) na disputa. Um católico fervoroso e ex-oficial do exército, que atuou como engenheiro na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti, uma missão absurda que teve como resultado a opressão do povo haitiano, tendo sido também diretor executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no governo de Dilma Rousseff

Juliane SantosEstudante | Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

sexta-feira 15 de julho | Edição do dia

Foto: Alan Santos/PR

Tarcísio de Freitas (Republicanos) é um dos pré-candidatos ao governo do Estado de São Paulo, e conta com o apoio de ninguém menos que o asqueroso de extrema direita Jair Bolsonaro. Para ir mais a fundo no ditado "Dizes com quem tu andas que eu direi quem és", neste texto iremos abordar um breve histórico da trajetória política e o que defende Tarcísio de Freitas. Na última pesquisa Genial/Quaest, que está atualizada após a saída de Márcio França (PSB) da disputa de governador para concorrer ao Senado, Tarcísio está com 14%, tecnicamente empatado com Rodrigo Garcia (PSDB), que está com 12%. Haddad lidera com 35%.

Algo importante a ser remarcado é que Tarcísio foi indicado por Bolsonaro em 2018 para ser ministro da Infraestrutura com a missão de avançar na política privatista de leilões de óleo e gás, transmissão de energia e concessões de aeroportos, portos e ferrovias. Foi considerado um dos superministros de Bolsonaro, junto com o ministro da economia e inimigo dos trabalhadores Paulo Guedes.

Se puxarmos um pouco pela memória entendemos o porquê Tarcísio é o candidato apoiado por Jair Bolsonaro. Católico fervoroso, o ministro diz ter convicção de que Bolsonaro foi ungido por ninguém menos que Deus: “Ele não só foi um escolhido pela população brasileira. É um escolhido de Deus”, afirmou em seu discurso de posse.

Para além disso, Tarcísio é contrário a educação sexual nas escolas, com o discurso de ser contra a "ideologia de Gênero", assim como Bolsonaro, isso em um país onde dezenas de milhares de mulheres são estupradas todos os anos, e em que grande parte dos abusos ocorrem contra meninas de até 14 anos e mulheres negras, de acordo com dados do Fórum Nacional de Segurança Pública apresentado no dia 27 de junho de 2022. No Brasil as mulheres são impedidas de terem o direito ao seu próprio corpo, com o aborto sendo ilegal e mesmo nos poucos casos em que é legalizado vemos tentativas da extrema direita e dos fundametalistas religiosos de impedirem a realização do procedimento. Um exemplo bastante gráfico é o caso da menina de 11 anos impedida por uma juíza de ter o direito ao aborto legal, situação que explicita um dos inúmeros casos de meninas que são cruelmente abusadas nessa sociedade patriarcal em que os abusadores encontram ainda mais respaldo em governos misoginos como de Bolsonaro.

Em relação ao histórico de Tarcísio na política, ele não tem início no governo Bolsonaro, pois já ocupou cargos de confiança no governo do golpista Michel Temer e também no governo Dilma Rousseff. Foi diretor executivo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no governo de Dilma, onde permaneceu de 2011 a 2015. Ele chegou à cúpula do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) em 2011, quando Dilma prometia fazer uma “faxina” no órgão, depois da revelação de esquemas de corrupção, demonstrando o quanto a política petista de conciliação com a direita seguia firmemente. À época, era funcionário de carreira da Controladoria-Geral da União (CGU). Tarcísio foi o número dois do general Jorge Fraxe, que ocupou o posto de diretor-geral do Dnit com a missão de resgatar a imagem do governo. Em 2014, ele sucederia Fraxe no comando do Dnit.

Tarcísio é um ex-oficial do exército, atuou como engenheiro da Companhia de Engenharia Brasileira na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), uma missão absurda que teve como resultado a opressão do povo haitiano, com inúmeras denúncias de estupros de mulheres e crianças que eram obrigadas a ter relações sexuais com militares em troca de alimentos. O Minustah é exemplo gráfico de como a base que se cola com Bolsonaro hoje e que está decididamente atuante na política, com milhares de cargos no governo e tutelando o regime do golpe institucional de 2016, como as Forças Armadas, foi fortalecida pelos anos de governo do PT.

Em uma entrevista no Roda Vida dia 27/06/2022, Tarcísio de Freitas destaca o quanto, em São Paulo, os policiais estão sendo inibidos de atuar por causa das câmeras colocadas no uniforme. Em um país que ocorrem atrocidades como o caso Genivaldo, morto pela Polícia Rodoviária Federal em Sergipe por meio de métodos de tortura nazistas, e chacinas como a que vimos na Vila Cruzeiro no Rio de Janeiro, em que a polícia militar deixou um saldo de 26 mortos, ficamos pensando o que inibe os policiais, já que o papel histórico que cumpre a polícia é o ataque e assassinato dos negros, pobres, moradores das favelas, indígenas e de todos os setores oprimidos, assim como da classe trabalhadora de conjunto em nome de defender os interesses da burguesia e dos estados.

Como vemos, as ideias bolsonaristas vão bastante além do asqueroso Bolsonaro, que defende seus aliados em candidaturas por todo o país para seguir aplicando ataques aos setores mais oprimidos e à classe trabalhadora de conjunto e atender aos interesses dos mais ricos. Somente com a força da luta e da autoorganização da classe trabalhadora e de todos que sentem na pele todos os ataques é que vamos conseguir acabar com a extrema direita asquerosa que saiu dos bueiros para nos enfrentar. Mas a força de luta da classe trabalhadora é muito maior.

Pode te interessar: Não é possivel enfrentar a extrema direita com a política de Haddad

É necessário enfrentar o bolsonarismo e a direita na luta de classes e fortalecer essa perspectiva nas eleições de outubro, em combate a figuras terríveis como Tarcísio Freitas. É preciso uma força política socialista e revolucionária, que fortaleça a luta dos trabalhadores, da juventude, dos setores oprimidos e do povo pobre unificados, contra a situação de miséria da crise capitalista, sem sucumbir à conciliação de classes de Lula, Haddad e PT, que se aliam com Alckmin, ex-governador de SP espancador de professor, e como acaba fazendo setores da esquerda como o PSOL, em federação partidária com a REDE de Marina Silva, apoiadores das reformas.

Veja também: Mais de 200 trabalhadores e estudantes lançam as pré-candidaturas do MRT em São Paulo

Confira o editorial do MRT: Enfrentar o bolsonarismo e a direita na luta de classes




Comentários

Deixar Comentário


Destacados del día

Últimas noticias