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Greve Itália | “Que os patrões paguem pela crise”: greve geral na Itália com trabalhadores e estudantes

Nesta sexta-feira, um setor do sindicalismo classista e militante realizou uma importante jornada de greve geral na Itália, com forte impacto na logística e na educação. Milhares de estudantes aderiram, com manifestações em várias cidades.

terça-feira 2 de fevereiro | Edição do dia

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Convocada pelos sindicatos de base SI Cobas e Slai Cobas e por um setor do sindicalismo combativo reunido na "assembleia de trabalhadores combativos", esta sexta-feira aconteceu um dia de greve geral em toda a Itália. Às mobilizações dos trabalhadores juntaram-se as dos estudantes em várias cidades, como Milão, Turim, Piacenza, Bolonha, Roma e Nápoles, com várias marchas de centenas de pessoas.

A convocatória exigia algumas medidas para enfrentar conjuntamente a atual crise econômica e pandêmica, incluindo:

- Um imposto de renda de 10% para os 10% mais ricos, para ser direcionado a investimentos extraordinários em saúde e em todos os setores necessários para conter o vírus;

- Aprovação de um protocolo efetivo, ao contrário do protocolo aprovado pela burocracia sindical, para a prevenção e rastreio dos contágios por Covid 19 no ambiente de trabalho, com o fechamento de empresas em que não for garantido o direito à saúde do trabalhador e a criação de comissões de trabalhadores para monitorar o cumprimento dos regulamentos;

- Plano nacional extraordinário de contratação de enfermeiros e médicos, com esgotamento imediato das listas de candidatos habilitados e transferência para quadro permanente de todos os trabalhadores temporários; reorganização completa do serviço público único, universal e gratuito de saúde, com uma ampla rede territorial, tendo como eixo o objetivo de prevenir doenças e proteger a saúde no trabalho; desapropriação sem indenização de todas as clínicas particulares, mesmo além da emergência; abolição dos sistemas privados de assistência à saúde e de qualquer outra forma de financiamento indireto da saúde privada;

- Renovação imediata dos contratos nacionais de trabalho vencidos, com aumentos salariais adequados que podem afetar as condições de vida dos trabalhadores. Forte desincentivo a contratos precários e de duração predeterminada.

A greve e a situação de crise política

A greve concentrou-se principalmente no setor de logística, onde o sindicato SI Cobas está concentrado com uma grande maioria de trabalhadores imigrantes, mas também em alguns ramos industriais, e entre os trabalhadores da manutenção de estradas como na região da Campânia. Em vários territórios, a greve teve grande participação de trabalhadores da TNT-Fedex, ameaçados por um plano de 6.000 demissões na Europa, e da empresa de transporte postal italiana SDA, que está em greve há três dias contra um plano de transferências e demissões.

Às reivindicações e mobilizações dos trabalhadores somam-se as de estudantes de dezenas de escolas de várias cidades, que lançam passeatas com a participação total de milhares de jovens, além de um pequeno setor de professores em greve. Os alunos exigem poder regressar à escola o mais rapidamente possível, mas em condições seguras, o que é impossível sem aumentar o financiamento das escolas, garantindo equipamentos de segurança gratuitos nas escolas, aumentando o número de professores e pessoal escolar, cujo número é totalmente insuficiente, e estabilizar os contratos de trabalho.

Esta jornada de luta acontece numa fase de crise política parlamentar: o pequeno partido liberal do ex-secretário do Partido Democrata, Matteo Renzi, deixou o governo e está conseguindo criar um governo com os mesmos partidos de antes (PD e Movimiento 5 Estrellas), mas com um peso maior de sua linha, abertamente liberal e fiel à "cura" da Confindustria [o grande sindicato patronal italiano] para a crise pandêmica.

O sucesso da jornada de luta de ontem mostra que existe um grande potencial de mobilização dos trabalhadores e da juventude que ainda não se manifestou, e que está bloqueado em primeiro lugar pela política criminosa da burocracia dos grandes sindicatos da CGIL-CISL-UIL, que não tem interesse em mobilizar seus trabalhadores e o resto da classe trabalhadora em uma luta unificada para que sejam os capitalistas a pagar pela crise.

Afirmamos que o que precisamos é justamente de um programa comum de luta e uma mobilização unificada, sem estarmos limitados por diferentes filiações sindicais, que reúna as forças da juventude trabalhadora, dos estudantes e do movimento de mulheres. Não apenas para defender os postos de trabalho, salários e condições de segurança no trabalho atacados, mas para impor medidas decisivas e eficazes contra a tragédia do Coronavírus, a começar pela luta para não deixá-lo nas mãos dos CEOs de grandes empresas farmacêuticas que controlam o processo global de vacinação da população e em todo o nosso programa de reivindicações. Que esta crise seja paga pelos patrões e não pela classe trabalhadora!

Traduzido de: http://www.laizquierdadiario.com/Que-la-crisis-la-paguen-los-patrones-huelga-general-en-Italia-con-trabajadores-y-estudiantes




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