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Que a esquerda se mobilize junto aos trabalhadores da CEB contra a privatização

Começou hoje a greve dos trabalhadores da CEB, Companhia de distribuição de energia elétrica de Brasília contra a privatização. Essa é mais uma importante batalha que se levanta contra os ataques de Ibaneis e Bolsonaro e a esquerda pode e deve se mobilizar para fortalecer essa greve.

Cris Libertad

Professora da rede estadual em Anápolis - GO.

terça-feira 1º de dezembro de 2020| Edição do dia

Exatamente dois meses após a greve nacional dos Correios, vemos mais um movimento de resistência contra a gana privatista de Bolsonaro, Guedes e os golpistas representados nas figuras do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha e do presidente entreguista da empresa, Edison Garcia. Ancorados no discurso da “ineficiência”, Rocha e Garcia querem entregar para o capital estrangeiro, uma empresa que só no último ano obteve um lucro líquido de R$ 119 milhões. Em meio à crise energética que apagou o Amapá neste mês, fruto da gestão – essa sim, ineficiente – da empresa Gemini Energy e a inúmeros exemplos de fracasso das privatizações do setor energético no país – a ENEL Distribuidora, empresa privada responsável pela distribuição de energia em Goiás, foi considerada em 2019 a pior empresa de energia elétrica do país. Edison Garcia e o governador do DF, Ibaneis Rocha querem empreender mais esse ataque aos trabalhadores.

É a classe trabalhadora a primeira a ser atingida com os péssimos serviços prestados pelas empresas privadas, que visam o lucro em detrimento da qualidade dos serviços prestados à população. Em conjunto à ineficiência vêm o aumento progressivo das contas e a demissão massiva dos trabalhadores que são substituídos por empresas terceirizadas que colocam seus trabalhadores em risco, com longas jornadas de trabalho, disponibilidade de EPI’S de baixa qualidade em meio à pandemia da COVID-19 – ou mesmo a exclusão destes – e reduções salariais. Um cenário que já se desenrola dentro da CEB em que setores de fiscalização de equipamentos, por exemplo, já conta com cerca de 50% de seu quadro de trabalhadores terceirizados.

Os trabalhadores da CEB já estão em mobilização para enfrentar esse ataque com a greve marcada para hoje 1º de dezembro. Mas é preciso ter claro que não podemos ter nenhuma confiança no Judiciário que apoiou outros ataques à classe trabalhadora como a reforma da previdência e a reforma trabalhista, tampouco confiar em uma decisão favorável a uma impugnação do leilão da Companhia que já está marcado para o início de dezembro. Esse mesmo judiciário, por meio do Tribunal de Contas do DF, disse que o leilão da CEB não precisaria passar primeiro pelo Congresso. Isso acontece porque o judiciário faz parte do regime do golpe, amplamente degradado e pactuado com os interesses privatistas.

É aqui que reside o papel fundamental e necessário de uma esquerda que se coloque para enfrentar esse regime golpista de conjunto, de mãos dadas com os trabalhadores e não com instituições burguesas e golpistas como o Judiciário. Não podemos repetir os resultados obtidos com a greve dos ecetistas que se encerrou em setembro deste ano, após 35 dias de luta da categoria, e que teve um gosto amargo no final - com o TST rasgando mais da metade do acordo coletivo da categoria. Isso aconteceu devido à atuação das direções presentes nos principais sindicatos do país, chefiadas pela CUT (dirigida pelo PT), CTB (dirigida pelo PCdoB) e outras, que isolaram a greve sem um chamado unificado às demais categorias de trabalhadores por eles dirigidas - com os sindicatos de Correios dirigidas pela CTB nem entrando em greve - mesmo diante de um cenário em que outras categorias vinham sofrendo contínuos ataques de privatizações e terceirizações como os professores, petroleiros e bancários.

A luta empreendida pelos ecetistas, nos deixou um legado para que nos preparemos para esses enfrentamentos contra os golpistas, que intencionam veementemente para que os trabalhadores paguem pela crise. Por isso, fazemos um amplo chamado à mobilização aos estudantes da UnB e também que a direção do DCE da UnB, entidade representativa de mais de 20 mil estudantes, organize a mobilização destes para a resistência e solidariedade ativa à greve, às organizações de esquerda como o PSOL e o PSTU, aos seus parlamentares, e aos sindicatos que dirigem para que estejam ombro à ombro com os trabalhadores em greve para resistir à privatização da CEB e aos demais ataques desse regime de conjunto golpista, no DF e em todo o país.

É contra esses ataques que nós do MRT, com a mobilização da Juventude Faísca e do Grupo de Mulheres Pão e Rosas, impulsionados pelo Esquerda Diário, apoiamos no DF os trabalhadores da CEB contra mais esse ataque aos trabalhadores, que tem a faceta da mulher negra e pobre, e que se veem assassinados diariamente por essa estrutura racista, como aconteceu com Beto. O apoio às lutas como a dos trabalhadores da CEB são parte das batalhas que nós empreendemos junto à massa operária deste país e internacionalmente como parte da Fração Trotskista pela reconstrução da Quarta Internacional. Fazemos um amplo chamado para que a esquerda lute por essa e demais consignas operárias.

A CEB é do povo! Contra a privatização da CEB!




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