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ERE | Que a comunidade universitária decida sobre o retorno presencial na UFRGS

O retorno das atividades presenciais passa a ser tema na universidade. O interventor de Bolsonaro, Carlos Bulhões, já declarou que o próximo semestre seguirá no Ensino Remoto Emergencial (ERE), mantendo um sistema ultra precarizado que vem sendo um dos principais motivos da evasão dos estudantes da universidade. O debate sobre o retorno presencial tem que ser debatido amplamente por todos os setores da UFRGS, estudantes, professores, técnicos e terceirizados, para a comunidade de conjunto decidir.

sexta-feira 8 de outubro | Edição do dia

Assembleia Geral da UFRGS em 2019/Divulgação

Nas últimas semanas, o debate sobre o retorno presencial vem repercutindo por toda a UFRGS. Os departamentos enviaram questionários para os estudantes com perguntas que questionavam suas possibilidades para voltar às atividades presenciais. Mas hoje, a Reitoria do interventor de Bolsonaro, Carlos Bulhões, lançou uma nota afirmando que o próximo semestre seguirá na modalidade de Ensino Remoto Emergencial (ERE). Ainda que a nota coloca que cada departamento debata quais atividades presenciais possam retornar, o que já vem ocorrendo nesse último semestre, mas é possível que se amplie e vai cada vez sendo implementado uma espécie de ensino híbrido.

A UFRGS está há pouco mais de um ano no Ensino Remoto Emergencial (ERE). Um sistema de ensino ultra precário, que foi imposto de forma burocrática pelo o Consun e pela reitoria de Rui Oppermann, e continuada pela Reitoria do interventor. Diferente do que a nota recentemente publicada pela Reitoria, que avalia positivamente o ERE, o que vimos na prática foi uma grande evasão de boa parte dos estudantes da UFRGS, com o semestre de 2020/01 registrando 12 mil exclusões de matrículas a mais do que nos dois semestres de 2019 somados juntos. Muito dos quais os principais motivos foi a dificuldade dos estudantes mais precários, trabalhadores, pobres e negros, a conseguir ter acesso as plataformas, ou mesmo terem conseguindo se dedicar aos estudos nesta modalidade em meio de uma crise econômica brutal onde a miséria e a fome bate na porta de muitas familais brasileiras.

O ERE mostrou na prática ser um sistema de ensino elitista e de exclusão e precarizou o ensino da grande maioria dos estudantes, com dificuldades de acesso às plataformas e o desgaste da saúde mental. O que é mais absurdo é que ela foi aplicada sem ter nenhum tipo de debate com os estudantes. Assim como agora vem sendo realizada pesquisas, onde a larga maioria dos estudantes não conseguem responder devido as várias dificuldades, o ERE foi “consultado” da mesma forma. Com questionários que somente questionavam as possibilidades dos alunos participarem das atividades remotas, sem mesmo perguntar se queriam ter atividades desse tipo em meio a uma situação que não era nada normal.

Novamente, o Consun e a Reitoria antidemocrática e interventora decidem quando e como vão retornar ou continuar no ERE, sem que a comunidade acadêmica de fato participe do debate e coloque suas demandas e necessidades. É necessário que o futuro da universidade seja decidido por toda comunidade acadêmica de conjunto, pelos os estudantes, professores, técnicos e terceirizados. O retorno das atividades presenciais é uma demanda que tem que ser debatida amplamente por todos os setores da universidades, organizando assembleias e discussões onde todos os setores coloquem suas demandas sobre a possibilidade de retorno e elas mesmas decidam.

Também é necessário debater todas as demandas da universidade que vem sendo precarizadas com os ataques e os cortes do Governo Bolsonaro, e se hoje a burocracia acadêmica coloca falta de orçamento para um retorno com segurança sanitária, é necessário uma abertura do livros de contas para toda a comunidade e todos saberem para onde indo o orçamento, e onde está sendo cortado, que vemos na prática que são aplicados nos setores mais precários da universidade como os cotistas que só esse ano foram quase 200 estudantes expulsos.

Para isso é necessário a auto organização dos setores da universidade, se mobilizando através de assembleias construídas e amplamente convocadas onde possam ocorrer debates bem profundos a respeito do futuro da universidade. O DCE da UFRGS (formada pelas correntes do PSOL: MES, Alicerce e Afronte; e pelo PCB e UP) precisam romper com a sua paralisia e batalhar para que o movimento estudantil seja reerguido e levar a frente essa luta para que os estudantes junto com o restante da comunidade decidam e que o nosso futuro não esteja nas mãos da burocracia acadêmica e do interventor. Os centros acadêmicos estão impulsionando um abaixo-assinado para os CAs da UFRGS auto convocarem um CEB (Conselho de Entidades de Base). Nós compartilhamos da exigência ao DCE para que rompa sua paralisia e vemos a necessidade de espaços para que o movimento estudantil da UFRGS se reerga, por isso acreditamos que este CEB deve ser aberto, rumo a uma Assembleia Geral. Assim como os DAs CAs convoquem e construam assembleias em seus cursos, para debaterem também a particularidade de cada curso e departamento e as demandas dos estudantes para um retorno presencial. A mesma coisa em relação a Assufrgs, sindicato dos servidores e técnicos.

Para além de mobilizar para debater os rumos da universidade, é preciso que essa mobilização também sirva para enfrentar o conjunto dos ataques que vêm sendo descarregados em cima dos estudantes. Contra os cortes na educação! Contra os indeferimentos dos cotistas e a matrícula precária: pela matrícula imediata de todos os estudantes! Lutar contra os ataques ao transporte público, como o fim das isenções e o meio passe, que com um eventual retorno presencial da UFRGS afetaria muito os estudantes, principalmente os pobres e negros. Uma mobilização que esteja aliada com os rodoviários da Carris que estiveram em greve, e também os das empresas privadas que vem sofrendo dos mesmos ataques de Melo ao transporte público.

Uma mobilização dos estudantes, junto com os servidores e terceirizados da universidade contra Bulhões sem nenhuma confiança no Consun que encaminhou o pedido de destituição do reitor ao MEC do bolsonarista Milton Ribeiro. Somente através das nossas próprias forças e da nossa auto organização podemos derrotar Bulhões, Bolsonaro e seus ataques.




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