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COPA AMÉRICA

Quase meio milhão mortos e Bolsonaro num piscar de olhos autoriza a Copa América no Brasil

A “importantíssima” Copa América de futebol, organizada pela Conmebol iria ser sediada em 2021 por Colômbia e Argentina. Os dois países recusaram sediar o torneio.

Bruna Carvalho

Jovem trabalhadora do ABC Paulista e militante do Pão e Rosas

terça-feira 1º de junho| Edição do dia

Foto: Reuters/Nathalia Angarita

A Colômbia se encontra no maior surto social de sua história recente, com constantes marchas, protestos e a intensa repressão policial, com assassinatos de manifestantes que não freiam o povo colombiano.

A Conmebol, assistindo a luta de classes na Colômbia, não se abalou com a recusa e até se sentiu aliviada nos bastidores, para não voltar os olhares latino americanos ao exemplo de resistência e luta contra os ataques que o governo Ivan Duque tem feito aos trabalhadores no país.

Pois voltaram-se os olhares à Argentina, o outro país sede, que vive hoje a segunda onda do Covid-19 e está em primeiro lugar no ranking mundial de média móvel de óbitos por milhões de habitantes, 11,5% diariamente.
Novamente uma recusa.

Desesperado para manter os lucros da instituição, Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol entrou em negociação com o governo brasileiro e sem surpresas, Bolsonaro e a CBF com quase meio milhão de brasileiros mortos, apoiaram receber o torneio continental de futebol.

A Conmebol elogiou o Brasil e todas as “garantias” de Bolsonaro contra a pandemia. Em uma declaração infeliz, Dominguez comentou que “ o Brasil vive um momento de estabilidade” e agradeceu a agilidade do governo brasileiro em se prontificar a realizar o torneio. É surreal imaginar a realização da Copa América no Brasil hoje, difícil expressar como causa mais revolta e indignação.

A verdade é que a Copa América já está com direitos de transmissão vendidos para centenas de veículos de comunicação, incluindo SBT que pagou quase R$ 32 milhões, entre outros canais sulamericanos.

A Conmebol alega prejuízos, mas faturou nos últimos 2 anos mais de R$ 2 bilhões, só com a Copa Libertadores.

A prioridade da instituição máxima do futebol sulamericano são os lucros e esses ideais fazem coro com a política que vem se fortalecendo desde o golpe institucional, Bolsonaro o reacionário presidente, nem pestanejou para aceitar o torneio no país. Mais uma vez deixando claro que seu governo coloca os lucros acima da vida.




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