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RACISMO E CORONAVÍRUS | Quase 40% dos negros da cidade de São Paulo já contraíram Covid, aponta estudo

Quase 40% dos negros da cidade de São Paulo já carregam antícorpos para o coronavírus, é o que mostram os dados coletados em pesquisa. Entre os brancos esse percentual é de 23,2%.

Samyr RangelRio de Janeiro

sexta-feira 5 de fevereiro | Edição do dia

Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

Estudo realizado pelo Grupo Fleury mostra discrepância latente entre os que já foram contaminados pelo novo coronavírus na cidade de São Paulo. Segundo os dados coletados, 37,8% dos negros da cidade já tiveram contato com o vírus.

Entre os autodeclarados brancos esse percentual cai para 23,2%. A média da cidade é de 29,9%.

Por classe social também se mostra como o contágio vem assolando. Nos bairros e distritos mais pobres da cidade(renda média igual ou menor que 2.200) o número dos que já foram contaminados é de 36,4%, bem diferente dos 22,8% dos bairros mais ricos da cidade.

Por escolaridade também há significativa discrepância, onde entre a população de menor escolaridade(até ensino fundamental completo) se chega a 33,8% de contaminados, enquanto na população de maior escolaridade(nível superior) é de 19,6%.

Dados mostram que em SP como no resto do Brasil os governos demonstraram sua preocupação mínima até então quando o vírus chegava ao país por meio de sua classe mais rica e enquanto isso os trabalhadores destes eram obrigados a trabalhar e a contaminar outras pessoas e suas famílias.

Os primeiros casos de morte no Brasil foram de trabalhadores pobres e negros, como o caso da empregada doméstica de São Paulo, contaminada por seus patrões, que não a informaram da contaminação nem dos riscos.

Além disto, estes trabalhadores ficaram a esmo, sem direito a testes e a equipamentos de proteção, em que Estado, Prefeitura e União nada fizeram para serem massificados. Os números elevados de contaminados e mortes em especial entre os negros é sintomático de uma sociedade baseada no racismo estrutural, em que a morte de milhares negros e pobres é perfeitamente aceitável, deixada de lado.

A morte negra não vira tragédia nem comoção nacional.

Se desde o inicio da pandemia houvesse verdadeiramente preocupação com as vidas, estes elementos(EPIs, testes etc.) estariam na primeira linha de ação da prefeitura de Covas, no governo estadual de Dória e na presidência de Bolsonaro, o que não foi feito por nenhum dos "lados".




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