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UFRGS | Qual o papel da PROIR de Bulhões e Geraldo Jotz na intervenção de Bolsonaro na UFRGS?

A Pró-Reitoria de Inovação e Relações Institucionais da UFRGS tem sido colocada como carro-chefe da reitoria interventora de Carlos André Bulhões, assumindo o papel de órgão oficial de suas deliberações autoritárias.

Luno P.Coordenador Geral do Centro Acadêmico do Teatro da UFRGS (CADi)

quinta-feira 28 de outubro | Edição do dia

A PROIR (Pró-Reitoria de Inovação e Relações Institucionais) foi a principal mudança feita pela reforma administrativa de Bulhões no ano passado, que reestruturou várias instâncias da UFRGS ligadas a burocracia acadêmica, fundindo, extinguindo e criando novas pró-reitorias. Depois de embates com o Conselho Universitário, que resultaram na resolução nº062/21 que indicava a não aprovação da proposta de reestruturação administrativa, Bulhões recuou parcialmente reestabelecendo algumas pró-reitorias, como a pró-reitoria de Pesquisa e a pró-reitoria de Extensão, unificadas na reforma, mas mantendo o principal de suas mudanças, como a PROIR. Esse movimento de Bulhões resultou no parecer 080/2021 que indicava a abertura do pedido de destituição da chapa Bulhões-Pranke junto ao MEC de Milton Ribeiro.

Hoje, na PROIR, se encontram os seguintes órgãos: A SEDETEC (Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico da UFRGS), o Zenit (Parque Científico e Tecnológico da UFRGS), o Núcleo de Empreendedorismo Inovador, a RELINTER (Secretaria de Relações Internacionais) e o Departamento de Inovação. A pró-reitoria está sob o comando de Geraldo Pereira Jotz, professor titular do DECM (Departamento de Ciências Morfológicas - ICBS - UFRGS) e coordenador da campanha que, junto a políticos bolsonaristas, sustentou a nomeação de Bulhões por Bolsonaro e pelo MEC. Além de Jotz, a PROIR também conta com o nome de Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, diretor da Escola de Engenharia e secretário Municipal de Inovação do governo de Sebastião Melo. A escolha de nenhum desses nomes se trata de uma coincidência, ambos são profundamente ligados com os planos privatistas de Bulhões, Bolsonaro e do empresariado nacional (e internacional) para a UFRGS.

Isso fica ainda mais claro quando vemos que Luiz Carlos Pinto, além de fazer parte do governo Melo, é também coordenador do Pacto Alegre, um movimento que tem como principal objetivo tornar Porto Alegre uma cidade exemplo de empreendedorismo, inovação e empresas startups à la Uber e Ifood, baseadas no trabalho precário e sem direitos. Esse movimento, iniciado na Aliança para a Inovação de Porto Alegre, criada em 2018 pelos reitores Rui Oppermann (UFRGS), Ir. Evilázio Teixeira (PUCRS) e Pe. Marcelo Aquino (Unisinos), em conjunto com a prefeitura de Porto Alegre - gestão de Nelson Marchezan (PSDB), na época - também está ligado com o avanço das privatizações como as da PROCEMPA e de outras empresas públicas da cidade.

E essas ideias de inovação e empreendedorismo aos moldes capitalistas estão bem expressas desde a concepção da PROIR. Segundo o próprio site da UFRGS, a PROIR tem como principais objetivos promover à inovação, o empreendedorismo e a aproximação Universidade-Sociedade junto a instituições públicas e privadas em âmbito nacional e internacional. Traduzindo: abrir cada vez mais a nossa universidade para as grandes empresas, subordinando ainda mais nossas pesquisas e a produção cientifica e de tecnologia ao lucro capitalista. É quase como o Future-se reeditado com cara nova e a nível regional.

É justamente por isso que a PROIR tem se tornado o carro-chefe da reitoria interventora de Carlos André Bulhões, assumindo o papel de órgão oficial de suas deliberações autoritárias, com Geraldo Jotz como braço direito de Bulhões, passando por cima até mesmo das deliberações do antidemocrático CONSUN e tomando decisões que só cabiam a outras pró reitorias, como a mais recente abertura de vagas de estudantes cotistas por fora do vestibular feitas por Bulhões, o que deveria passar pela pró-reitoria de graduação para que aprovasse, mas que nunca aconteceu. Isso num momento onde Bulhões, junto do CONSUN, expulsa dezenas de cotistas da universidade toda a semana.

Veja também: Por que o bolsonarista Bulhões matriculou por conta própria uma cotista indeferida?

A importância dada pela reitoria interventora a PROIR, por demanda também de seus aliados, é tanta que agora ela irá ocupar o antigo prédio da SMIC (Secretaria Municipal da Indústria e Comércio), onde também funcionará um novo parque tecnológico e a sede do Pacto Alegre, envolvendo também a PUCRS, Unisinos e dezenas de organizações dos patrões e empresários. O projeto tem como data marcada para sua inauguração ainda o ano de 2022, mesmo com Jotz já tendo anunciado que por conta dos cortes nas universidades, a UFRGS não teria como voltar as aulas presenciais de toda a universidade - o que também é uma forma de impor o ensino à distância como uma norma. Na visão da reitoria, toda a pressa para garantir os avanços junto da iniciativa privada, e aos estudantes e trabalhadores da UFRGS apenas mais e mais precarização.

Fica claro os objetivos privatistas que dão origem a Pró-Reitoria de Inovação e Relações Institucionais da UFRGS e o papel que ela cumpre hoje na intervenção, buscando abrir ainda mais espaço para a iniciativa privada na nossa universidade. Isso é parte do projeto de educação de Bolsonaro, que está bem expresso nas falas horrendas de pessoas como Milton Ribeiro, Ministro da Educação, defendendo que nossas universidades sejam restritas aos filhos da elite, subordinando ainda mais o conhecimento produzido ao lucro e novas formas de precarização do trabalho. Esse projeto se expressa também nos cortes bilionários nas universidades, que ameaçam essas instituições de fecharem as portas, e o mais recente corte de 92% feito por Paulo Guedes no orçamento da ciência e educação, que acarreta hoje no atraso do pagamento das bolsas de mais de 60 mil estudantes bolsistas do PIBID e Residência Pedagógica.

Por isso, contra os planos privatistas de Bulhões, Bolsonaro, Mourão e Paulo Guedes, é preciso se enfrentar com a PROIR e a intervenção em nossa universidade, uma luta que deve ser nacional contra as intervenções em todo o país. Isso necessariamente passa por reorganizar o movimento estudantil, batalhando por assembleias de base com direito a voz e voto que apontem para um caminho de auto organização em aliança com os trabalhadores de dentro e de fora da universidade.

Veja também: Por assembleias nos cursos para discutir sobre o retorno presencial e os ataques de Bolsonaro

É isso que pode garantir uma reorganização de nossas forças para questionar de conjunto ao que está a serviço nossas universidades. É preciso defender o nosso direito de estudar e lutar por uma universidade a serviço da classe trabalhadora, voltada para resolver as questões mais sensíveis da população. Isso só é possível questionando a estrutura de poder universitário, por isso levantamos a bandeira de impor com nossa força um processo estatuinte livre, democrático e soberano, que tire Bulhões e Pranke e dissolva a reitoria e o conselho universitário, dando lugar a uma gestão dos três setores com maioria estudantil, lutando contra a terceirização, as parcerias público-privadas que subordinam a produção de conhecimento ao lucro, pela ampliação das cotas étnico-raciais, avançando na luta pelo fim do vestibular, e pela real autonomia universitária.




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