Política

NACIONAL

Quais interesses motivaram o STF a frear Maia e Alcolumbre de conquistarem mais poder?

Em meio a tantos elogios de Barroso, Fux, e da TV Globo a Maia o que motivou essa derrota do líder do DEM? O que ela mostra dos alinhamentos, pactos e disputas entre as forças golpistas?

Leandro Lanfredi

São Paulo | @leandrolanfrdi

segunda-feira 7 de dezembro de 2020| Edição do dia

A votação sobre a constitucionalidade da reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado atraiu bastante atenção da grande mídia, do bolsonarismo e ganhou uma relevância nas redes sociais nos últimos dias. Ao contrário da expectativa inicial o STF bloqueou a possibilidades dos dois parlamentares do DEM concorrerem a reeleição. O que motivou o STF a isso?

A votação aconteceu em plenário virtual, não televisionado, e contou com interrupções ao longo dos dias até a formação do veredito, que ficou 7 a 4 contra Maia e 6 a 5 contra Alcolumbre. Era gritante como a tentativa de reeleição dos dois parlamentares se fazia em claro desrespeito à Constituição, mas a Constituição pouco importa para o STF, como já tanto vimos desde o golpe de 2016, a prisão arbitrária de Lula e tantos arrepios ao texto constitucional. Exemplificando novamente essa situação, os “garantistas” Lewandoski e Mendes votaram para mudar a Constituição e fortalecer ainda mais o poder de Maia e do DEM, um dos partidos que mais saiu vitorioso nos pleitos eleitorais de novembro. Por outro lado aqueles 6 ministros que votaram pela interpretação literal da constituição, são os mesmos que não tiveram o mesmo apreço pelo constitucional quando se tratava da prisão de Lula mesmo quando ainda cabia recursos, ou seja, rasgaram a constituição. Cada ministro a altera, rasga, conforme interesses políticos de ocasião.

Os fiéis da balança no jogo todo foram os Lava Jatistas Barroso e Fux, que vinham dando declarações públicas que deveriam acompanhar Mendes no voto pró-Maia mudaram de lado. O argumento que vinham dando para apoiar o pleito de Maia não tinha nada a ver com a Constituição, era explicitamente político: Maia exerce um papel de “freio e contrapeso a Bolsonaro”.

O que explica desistirem de aumentar o papel de Maia nessa função crucial do golpismo institucional? A mudança de posição aconteceu depois de intensa crítica da grande imprensa, com destaque para a TV Globo. Barroso e Fux, cariocas, são sempre suscetíveis não “à opinião pública” como Gilmar Mendes critica no Livro “Os Onze”, mas ao que demande a poderosa e carioca família Marinho (e os podres que seguramente esta emissora detém para chantagens).

Objetivamente a votação do STF dá um fôlego para Bolsonaro tentar seguir em sua difícil batalha de emplacar um presidente da Câmara que seja menos desalinhado com o Planalto, mas o bloqueio ao caminho de Maia está longe de garantir, por si só, à vitória eleitoral de Lira (do PP, outro partido herdeiro da ARENA da ditadura). E mais, a votação contra Maia, com o aplauso da Globo e maioria no STF está longe de significar um alinhamento destes com Bolsonaro. A votação parece ilustrar uma disputa de poder dentro do golpismo institucional já que conferir um papel renovado a Maia com um DEM fortalecido significaria necessariamente fazer dele um dos grandes, ou o principal ator do golpismo institucional, opacando o próprio brilho da Globo e do STF.

Essa pequena escaramuça pouco muda do pacto que une todo golpismo institucional entre si e eles com o Bolsonarismo como avalistas e articuladores de cada ataque contra os direitos dos trabalhadores, mas, destaca como mesmo em meio a esse pacto há disputas por poder e também, como nota vale frisar como o debate todo girou mais em torno de Maia que Alcolumbre – com direito à votação do novo ministro do STF, Kassio Nunes, contra Maia mas a favor de Alcolumbre. O presidente do Senado se preza mais a acordos com o Bolsonarismo, esteve presente no icônico abraço de Toffoli e Bolsonaro selando o pacto entre eles, Rodrigo Maia, por sua vez, joga um jogo de maior questionamento público, fazendo-o alvo frequente do bolsonarismo e de outros atores do golpismo institucional que querem eles o posto de primeiro violino na condução de colocar limites a Bolsonaro ao mesmo tempo que garantir plenamente cada ataque aos direitos dos trabalhadores para aplauso da Globo e Bovespa.

Da disputa destes podres poderes pouco ou nada os trabalhadores podem esperar e conquistar. O regime do golpe prevê caneladas de um a outro mas uma boa unidade quando se trata de reforma administrativa, privatizações. Não será com conciliação nem com escolha de supostos males menores dentre esses juízes eleitos por ninguém que a luta da classe trabalhadora poderá avançar, mas somente com independência de classe e enfrentando o conjunto do golpismo, tome ele as cores do reacionarismo aberto e abjeto de Bolsonaro ou a forma “institucional” de um Maia, Doria ou Paes.




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