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Extrema-direita | Projeto de Estado de militares e bolsonaristas defende cobrança do SUS e das universidades

Em 19 de maio, os Institutos Villas Bôas, Sagres e Federalista apresentaram publicamente o seu ’Projeto de Nação - O Brasil em 2035’, que na realidade é um verdadeiro plano de Estado, para os próximos governos, em evento que contou com a presença do reacionário vice-presidente Hamilton Mourão, escancarando o papel da extrema-direita e de Bolsonaro de deixar como "legado" para os próximos governos não somente as suas reformas, como a reforma da previdência, os cortes, as privatizações, a repressão, o fortalecimento dos militares, mas também esse "projeto" deplorável.

terça-feira 24 de maio | Edição do dia

Imagem: Sérgio Lima/Poder 360

O projeto foi coordenado pelo general Luiz Eduardo Rocha Paiva, ex-presidente do grupo Terrorismo Nunca Mais (Ternuma), a ONG do coronel torturador da ditadura Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-CODI.

Mourão e um representante do governo estiveram na solenidade e receberam um exemplar. “Mesmo que haja mudança de governo. Claro que se for de direita para esquerda, vai jogar fora” afirmou Rocha Paiva. O documento aborda 37 temas, divididos em 7 blocos: geopolítica, governança nacional, desenvolvimento, ciência, tecnologia, educação, saúde, defesa nacional e segurança. A Amazônia é citada dentro do tema Defesa Nacional, no capítulo Integração da Amazônia no Brasil. Veja aqui o texto na íntegra.

O documento prevê a absurda cobrança de mensalidades nas universidades públicas, como já vem tentando impor Kataguiri e seu partido em votação que ocorrerá hoje (24/05) na CCJ da Câmara dos Deputados. O documento também prevê a cobrança pelo atendimento no SUS. A cobrança deve começar em 2025. “Além disso, a partir de 2025, o Poder Público passa a cobrar indenizações pelos serviços prestados, exclusivamente das pessoas cuja renda familiar fosse maior do que três salários mínimos.”

Na área da educação, o documento claramente ataca a esquerda, colocando essa como doutrinadora dos estudantes, dizendo que “há tempos uma parcela de nossas crianças e adolescentes sofria com a ideologização do sistema educacional, com a doutrinação facciosa efetuada por professores militantes de correntes ideológicas utópicas e radicais, com prejuízo da qualidade do ensino”. Ou seja, é a continuidade do reacionário Escola Sem Partido, usado para perseguir professores e impedir a liberdade de opinião e de discussão política nas salas de aula.

Segundo os militares, “currículos foram ‘desideologizados’”, o que teria feito com que grande parte da população brasileira se reconhecesse “conservadora e liberal” e resolvesse “participar mais proativamente da política e das decisões nacionais”. É um absurdo afirmar que a população brasileira se vê como conservadora e liberal, tendo em vista o grande rechaço da população contra a tragédia que é o governo Bolsonaro.

Em relação à Amazônia e o meio ambiente, o documento diz que se deve acabar com “restrições da legislação indígena e ambiental, que se conclua serem radicais nas áreas atrativas do agronegócio e da mineração”, buscando avançar ainda mais na destruição da natureza e das terras indígenas, como podemos ver de forma odiosa no governo Bolsonaro, com as queimadas, o garimpo ilegal, a invasão de terras indígenas e o fortalecimento dos latifundiários.

Esse documento é mais um dos "legados" deixados por Bolsonaro, os militares e os bolsonaristas, sendo de fato não um programa de governo, mas sim um plano de Estado, independentemente do governo que assuma, em conjunto com os ataques levados adiante por Bolsonaro nesses quatro anos, como a reforma da previdência, as privatizações, os cortes, a substancial piora de vida da população, que amarga a fome, a miséria, o desemprego, a precarização, para não falar da repressão às minorias, das milhares de mortes de COVID-19 entre outros absurdos, como o fortalecimento dos militares no governo.

Ao mesmo tempo, Lula não se propõe a revogar as reformas levadas adiante não só por Bolsonaro e Mourão, mas por todo o regime golpista de Temer, com sua draconiana reforma trabalhista, bem como pelo Congresso, STF e governadores, e nesse sentido Lula abre espaço para que os resquícios do governo Bolsonaro fiquem mantidos no Estado, o que pode ser garantido por meio desse projeto, que encaminha nesse sentido.

Para derrotar a extrema-direita e colocá-la na lata de lixo da história é preciso batalhar por uma política que vá para além das eleições, não aceitando o caminho da conciliação de classes que terá Geraldo Alckmin como vice, um dos maiores repressores da direita que articulou o golpe institucional de 2016, Geraldo Alckmin, que com seu partido comandou a brutal desocupação de Pinheirinho e reprimiu fortemente as jornadas de junho de 2013 quando a juventude se levantou por mais direitos.

Precisamos confiar apenas em nossas próprias forças, organizando as nossas lutas em locais de estudo e trabalho, fortalecendo as lutas embrionárias como a dos garis do RJ, professores e metroviários em MG, setores do funcionalismo federal, dos trabalhadores da CSN, entregadores e categorias do movimento operário industrial. Que potência teria para enfrentar Bolsonaro e os capitalistas se essas lutas tivessem sido unificadas pelas centrais, como a CUT e a UNE? Diante de tanto autoritarismo judiciário e militar e para enfrentar o Brasil da fome, da exploração selvagem com a precarização do trabalho e da espoliação dos povos indígenas e do povo negro é preciso transformar o ódio ao bolsonarismo em organização ativa.

Editorial MRT: Como enfrentar a extrema-direita bolsonarista sem sucumbir à conciliação de classes?




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