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Guarulhos | Proguaru: greve arranca da Justiça mais 90 dias de estabilidade e o não corte de ponto

Na semana passada, após um mês de intensa mobilização, a greve dos funcionários da empresa de zeladoria de Guarulhos garantiu o não corte de ponto dos lutadores, a estabilidade por 90 dias e a abertura de negoiações. Contudo, a prefeitura se mantém intransigente pela extinção da empresa.

sexta-feira 22 de outubro | Edição do dia

A maior greve do funcionalismo público da história de Guarulhos

Na semana passada, após um mês de intensa mobilização, a greve dos funcionários da empresa de zeladoria de Guarulhos garantiu o não corte de ponto dos lutadores. A estabilidade, que havia sido decretada pela justiça para até novembro, foi ampliada para janeiro de 2022 e abriu-se uma nova rodada de negociações com a suspensão da greve na última quarta-feira (13), após 25 dias de greve, a mais longa do funcionalismo público da cidade.

Contudo, como já era esperado, as chantagens da prefeitura pelo fim da greve em troca de negociações não significam nenhuma mudança da posição intransigente pela extinção da empresa e a destruição de 4,7 mil postos de trabalho, em um momento em que a carestia de vida e fome assola o país. Da mesma forma, o Judiciário, nas suas múltiplas instâncias como o TRT e TRE, trabalham em unidade com os interesses de sucateamento e privatização dos serviços públicos.

Diante dos interesses do prefeito bolsonarista Guti (PSD), com muitos amigos dentro e fora da Câmara Municipal que desejam lucrar com o fechamento da Proguaru, os servidores da empresa cruzaram seus braços por semanas a fio durante setembro e outubro, ao todo foram 25 dias. Desde dezembro de 2020, quando Guti encaminhou a extinção da empresa, os funcionários da Proguaru realizaram atos com milhares, assembleias com centenas e várias passeatas pela cidade, uma verdadeira guerra em defesa de seus empregos e por um serviço que não seja voltado aos lucros.

Fazer da luta da Proguaru uma causa popular em toda cidade e região

Tamanha mobilização e determinação não passou batido e tornou-se o centro da disputa política regional. Muitos dos jornais da região escreveram notas sobre o conflito e a importância da greve levou à Globo garantir um correspondente e levar ao ar algumas matérias no SPTV. Parlamentares do PSOL, como o professor Edmilson Souza, eleito pela região, intervieram no conflito, assim como compareceram os deputados federais Sâmia Bomfim e Glauber Rocha, além da presença nos atos de figuras tradicionais do PT na cidade, como o ex-prefeito Elói Pietá e Carlos Derman, que dirigiu a Proguaru nos anos de governo petista.

Contudo, a presença de figuras públicas com grande peso político do PT e do PSOL não resultaram em uma política que buscasse unificar a força social por trás desses partidos, como sindicatos, entidades estudantis e de movimentos, em apoio massivo à manutenção dos 4,7 mil postos de trabalho, trazendo o apoio da CUT, da UNE.

Da mesma forma, seria muito importante que os Centros Acadêmicos, o DCE da Unifesp e as correntes que os dirigem como PCB e UP, organizassem um comitê de apoio para fortalecer a greve da Proguaru

Fortalecer a democracia entre os trabalhadores para se preparar para o “segundo round”

Diante do desgaste da greve no decorrer das semanas, Pedro Zanotti, presidente do STAP, declarou de maneira absurda, durante uma assembleia, que não seria mais permitido falas de apoio vindas de fora, o que contribuiu ainda mais para o isolamento da greve. A maior greve dos servidores de Guarulhos foi e ainda é uma pedra no sapato da Força Sindical que se viu obrigada a chamar assembleias diárias e a chamar representantes de sindicatos da região, mas sem nunca organizar atos unificados com outras categorias da cidade, como os metalúrgicos, aeroviários e aeronautas, que buscassem dar maior força e visibilidade para à greve.

Mas, como ficou claro com a decisão de má vontade que o TRT foi obrigado a fazer, diante da força da mobilização, há tempo para se articular, em unidade, uma campanha ativa e militante com outras categorias, que aumente seu apoio entre a população pobre e trabalhadora de Guarulhos, fazendo da Proguaru o coração de uma luta popular municipal contra Guti e apareça nos jornais de todo o Brasil como um exemplo de luta para a classe trabalhadora brasileira.

A luta continua e é preciso pensar nos próximos passos durante esse intervalo, que não durará muito. Mesmo que os dirigentes sindicais do STAP afirmem em posts e declarações que a greve foi encerrada, ela foi votada em assembleia como suspensa, e é preciso que os trabalhadores decidam os próximos passos da sua luta. Por isso a importância de que sejam organizadas reuniões por locais de trabalho para rearticular a mobilização, da mesma maneira que um comando com representantes eleitos de cada local de trabalho.

A batalha terminou, mas a guerra continua

Para grande parte dos vereadores e o empresário Guti, a empresa já deveria estar fechada há muito tempo. Porém, diante da força da maior greve do funcionalismo público na história da cidade e frente ao cenário de fome e desemprego, foram obrigados a buscarem seu objetivo de maneira mais lenta e cadenciada. A decisão do TRT em prorrogar a estabilidade em 90 dias vai de acordo com o objetivo de Guti em desgastar a mobilização aos poucos, já que não consegue acabar com tudo de uma vez. Porém, também pode servir como uma arma para rearticular a luta pelos 4,7 mil empregos, aproveitando o tempo de respiro para reunificar a categoria e convocar uma massiva assembleia de trabalhadores da Proguaru para decidir novos passos diante dos resultados das negociações com a prefeitura.




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