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Professores fazem greve de fome em Curitiba contra processo seletivo presencial na pandemia

Nesta terça-feira (23) a greve de fome dos professores da rede estadual do Paraná completa 7 dias, enquanto o governo de Ratinho Jr (PSD) ignora as demandas por direitos e mantém a prova presencial que irá expor milhares de vidas à contaminação pelo coronavírus.

terça-feira 24 de novembro de 2020 | Edição do dia

Foto: Divulgação/APP Sindicato

Professores da cidade de Curitiba no Paraná entraram em contato com o Esquerda Diário para denunciar a situação degradante a que o governo de Ratinho Jr (PSD) expõe os professores da rede pública.

Desde a manhã do dia 19 de novembro os trabalhadores da educação pública estão em greve de fome em frente ao Palácio do Iguaçu, sede do governo, como forma de protesto contra os abusos do Secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, empresário e cogitado a Ministro da Educação de Jair Bolsonaro, e pedem a revogação do edital de contratação temporária por PSS (Processo Seletivo Simplificado) para não terem que se aglomerar com outros 100 mil professores em um processo seletivo presencial em meio a pandemia de coronavírus.

O governo de Ratinho Jr apenas se manifesta para dizer que não dará ouvidos aos trabalhadores e que manterá a prova. Na última quarta-feira (18) os servidores da educação ocuparam o prédio administrativo da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), aonde foram recebidos com repressão e violência pelos seguranças, e expulsos no dia seguinte sob pena de pesada multa do judiciário ao sindicato.

Foi após esse episódio que os professores conseguiram solicitar uma reunião dirigida pelo Chefe da Casa Civil Guto Silva, em que o governo reiterou sua posição de não ceder à demanda. Então, os trabalhadores se dirigiram até as portas do Palácio Iguaçu, aonde 47 pessoas decidiram se manter em regime de fome contra a arbitrariedade dessa decisão. Nesta terça-feira (24) a greve de fome completa 6 dias, e muitos destes 47 professores já foram ao limite de suas forças.

Além da revogação do Edital (47/2020) da Secretaria de Estado da Educação e do Esporte, referente a prova para PSS, a categoria também reivindica:
- Pagamento de direitos de carreira como progressões e promoções que estão congelados;
- Prorrogação dos contratos atuais de 9 mil trabalhadores;
- Pelo não desemprego de 29.642 profissionais da educação, entre professores e funcionários;
- Revogação da terceirização dos funcionários de escolas;
- Revogação da militarização de escolas com ensino noturno e da prática ilegal do governo ao expulsar milhares de estudantes que estão regularmente matriculados no EJA, no ensino regular, e no ensino profissionalizante;
- Pagamento em folha complementar do atrasado do salário mínimo regional aos funcionários agentes I.

Os professores que deveriam ser respeitados por serem a base de formação de crianças e adolescentes são humilhados e desmerecidos pelo governo.

A prova está marcada para o dia 13 de dezembro. O Secretário e empresário Renato Feder contratou a empresa Cebraspe sem licitação por R$3,5 milhões para aplicar o exame aos professores via PSS, e o governo insiste em manter a taxa aos professores no valor de R$65 para uma inscrição e R$105 para duas inscrições, mesmo frente às condições cada vez mais duras de vida com a crise econômica e a inflação dos alimentos. O número de inscritos já é cinco vezes maior que o número mínimo de vagas que prevê o edital, de 4 mil professores temporários para 2021.

Em depoimentos anônimos ao Esquerda Diário, dois professores denunciam a contratação temporária como parte da instabilidade do trabalho e da precarização da educação.

Uma professora explica que o empresário Renato Feder é o principal responsável pelas provas presenciais em cidades específicas do Paraná em meio a pandemia, em um modelo precário de contratação que ocorre através da prova de títulos e tempo de serviço. Ela diz que nem mesmo a greve de fome que já dura 6 dias tem servido para comover o governo:

“(…) os meios de comunicação do Estado não escutam a nossa situação, apenas somos taxados de vagabundos. Afinal, quanto vale a vida de um professor aqui?”

O outro professor acrescenta:

“Os professores reivindicam que se for fazer uma prova, que não se faça agora em meio a pandemia. E quando a fizer, que seja uma prova para concurso que tem duração de 30 anos. O governo do estado diz que há um decreto que impede aglomerações, e por isso não pode realizar o concurso. Porém, se não pode realizar concursos por não poder aglomerar, como essa prova com validade de um ano que irá aglomerar milhares de pessoas pode?”

Recentemente os casos de covid-19 voltaram a crescer, e o país continua a amargar mortes diárias causadas pelo vírus e pelo descaso dos governos, totalizando nesta terça (24) 169.485 óbitos. A manutenção do processo seletivo irá expor os trabalhadores da educação ao risco de contaminação, um absurdo desprezo às vidas e ao trabalho dos professores.

Comunidades indígenas da região também participaram dos protestos junto aos servidores da educação, já que professores que se submeteriam à prova poderiam dar aula nas comunidades, expondo além dos próprios professores e suas famílias, também povos inteiros à contaminação pelo coronavírus.

A resposta do governo nesse caso foi a de suspender as inscrições de professores para aulas em comunidades indígenas, um verdadeiro “tapar o sol com a peneira”, que pode resultar em falta de pessoal para a educação indígena.

“Ou seja, no Paraná princípios constitucionais como direito a vida e a igualdade perante a lei são desconsiderados, havendo dois pesos e duas medidas. O medo dos profissionais da educação é se infectarem e infectarem seus familiares em meio ao aumento expressivo de casos de covid no Paraná”

diz o professor já citado.

Todo apoio aos professores do Paraná! Essa é uma luta não só dos professores, mas de toda a classe trabalhadora atacada pelos governos e exposta aos riscos da covid-19, riscos negados e negligenciados por Bolsonaro, Mourão, e os setores golpistas que os apoiam. Todos os movimentos e partidos de esquerda devem se solidarizar com essa situação, e os sindicatos organizarem o apoio de outras categorias.




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