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Professores de Santo André fazem carreata até a prefeitura contra o retorno inseguro das aulas

Nesta segunda-feira (17), dezenas de professores saíram em carreata reivindicando a permanência do ensino remoto e contra o retorno inseguro das aulas, pois não existe condições e materiais para que o retorno seja possível. Em meio à manifestação, a professora Maíra Machado entrevistou alguns professores e a diretora do SINDSERV, que expressaram indignação com a forma que o prefeito de Santo André tenta impor o retorno. Leia abaixo os relatos das entrevistadas.

terça-feira 18 de maio| Edição do dia

Nesta segunda-feira (17), dezenas de professores saíram em carreata reivindicando a permanência do ensino remoto e contra o retorno inseguro das aulas, pois não existe condições e materiais para que o retorno seja possível. Em meio à manifestação, a professora Maíra Machado entrevistou alguns professores e a diretora do SINDSERV, que expressaram indignação com a forma que o prefeito de Santo André tenta impor o retorno. Leia abaixo os relatos das entrevistadas.

Uma professora que não quis ser identificada, para evitar a perseguição política por parte da prefeitura, relatou:

“Estamos tendo uma demanda de volta, sem ter sido feita uma organização melhor para os alunos, (...) A sala é mal ventilada, para entender melhor, a janela tem cerca de 50 centímetros (...)então não vai ter ventilação.
(...) Outra coisa que preocupa, é que os professores que receberam vacina foram apenas os de 47 anos ou mais, que não é o meu caso, que tenho 39, tenho problema de bronquite, estou aí angariando uma questão de dispensa, porque é muito complicado trabalhar com esse medo. Eles estão querendo que a gente fique duas horas e meia com os alunos em sala e ainda dar conta de trabalho online, sendo que não tem todo esse suporte, então está bem complicado. A nossa luta é pra que tenha qualidade de ensino e também assegure a saúde tanto dos professores, quanto dos alunos.”

Em abril deste ano, a falta de vacinas para professores, assim como os problemas estruturais das escolas, impediram a volta às aulas presenciais, no entanto, a categoria não deixou de ser atacada em meio à pandemia, tanto por governadores, quanto por líderes do governo Federal, como vimos Ricardo Barros, na Câmara dos Deputados, criticando os professores de não quererem trabalhar durante a pandemia, defendendo a educação como serviço essencial e que todas as escolas deveriam reabrir mesmo com a pandemia do novo coronavírus

“Na quinta-feira, nós fizemos uma Assembleia dos trabalhadores e trabalhadoras da educação em Santo André, à distância, onde contava com quase 400 participantes e nesse sentido foi decretado a greve, porque numa rádio, o Paulo Serra anunciou que haveria um retorno à partir de hoje (17/05) das EMEF’s (Escolar Municipais de Ensino Fundamental) e no dia 30, no final do mês, as creches, e assim, ele faz uma série de promessas dizendo que terá um computador para cada sala de aula, que terá todos os EPI’s, que as salas terão ventilação, e a gente conhece a realidade das escolas e sabemos que não é verdade isso.” disse Deise, a diretora do SINDSERV.

Muitas trabalhadoras foram pegas de surpresa com o chamado das diretorias das escolas para que retornem amanhã pela manhã, sem que elas tivessem tido tempo de reorganizar as demandas que a pandemia impôs à vida delas, sem ter com quem deixar seus filhos, sem vacina e sem terem participado do planejamento para retomada às aulas.

Não podemos aceitar que os retornos às aulas aconteçam sem um planejamento construído pela comunidade escolar, embora coloquem como uma retomada planejada, sabemos que esse planejamento não atende as necessidades dos estudantes, de todos trabalhadores da área da educação e toda comunidade escolar.

É urgente que todas as categorias se mobilizem para exigir um retorno seguro as aulas presenciais, é a comunidade escolar deve decidir quando e como realizar o retorno, temos que nos unir para conseguir através da luta a revogação desse decreto.

Acompanhe a fala agora da professora Maíra Machado, militante do MRT que participou do ato:




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