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DENÚNCIA EDUCAÇÃO RJ

Professora morre de covid após voltar às aulas presenciais no RJ

Tendo que retornar ao trabalho presencial, a professora de português e espanhol Andreia Faustino de Souza Silva, de 46 anos, contraiu a covid-19 na escola em que trabalhava, o Colégio Estadual Roberto da Silveira em São João de Meriti, e morreu neste último sábado (03 de abril).

sexta-feira 9 de abril| Edição do dia

Imagem: Reprodução Google

De acordo com um funcionário da unidade: “Andreia estava trabalhando porque o salário que recebia não era suficiente para sustentar a casa”.

Esta é a situação de professoras e professores da rede estadual do Rio de Janeiro que amargam 7 anos sem reajuste salarial e grau de precarização cada vez maior com relação ao trabalho nas escolas e na pandemia com o ensino remoto. É irracional e irresponsável o retorno de professores, funcionários e alunos no pior momento da pandemia, em que não há suporte médico sanitário, não há testagem em massa da população e no momento em que os hospitais estão cheios e com filas de espera para os novos casos do corona vírus que tem ocorrido de forma exponencial, principalmente no estado do RJ.

O governo de Cláudio Castro que vetou a compra de vacinas no RJ, tem a frente da Seeduc o secretário Comte que até colocou a disposição dos professores uma declaração de comorbidades para que estes pudessem manter-se em casa no trabalho remoto, porém a situação atual de grave precarização e defasagem salarial os professores precisam complementar a renda com horas extras, as chamadas GLP (Gratificação por Lotação Prioritária), o que acabou por se tornar uma uma “chantagem” com professores e funcionários para o retorno ao trabalho presencial com a reabertura das escolas, pois estas horas extra estavam atreladas a esse trabalho presencial. Ou seja, os professores que declarassem possuir comorbidades não poderiam pegar horas extra. A professora mesmo preocupada com a mãe de 74 anos não declarou ter comorbidades.

"Os maiores interessados em que as aulas possam retornar assim que possível são os professores, que em especial sentem na pele há mais de um ano como a precarização do ensino a distância atinge nosso trabalho, o aprendizado dos nossos alunos e a vida das famílias. Nós realmente entendemos. E isso só reforça a importância de que deveria ter a gente como comunidade escolar, trabalhadores da educação, efetivos e terceirizados, junto com suas famílias, para que sejamos os que podem decidir quando e como voltar da forma mais segura para todos, evitando ainda mais mortes.

Nós, professores, conhecemos os problemas estruturais da educação pública e sabemos como resolvê-los. Esse momento poderia ser de uma reformulação do projeto de educação no país, que começa pela valorização dos profissionais e vai até a reestruturação dos espaços. Para isso, em primeiro lugar é necessário que toda a comunidade escolar entenda a importância de lutar para derrubar a lei do Teto de Gastos que congela nossos salários e qualquer investimento até 2036, um absurdo!", declarou Carolina Cacau, que é professora da rede estadual do RJ em Nova Iguaçu e fundadora do Quilombo Vermelho - Luta Negra Anticapitalista

É urgente e necessário investir na educação, num plano emergencial e efetivo de combate à pandemia na área da saúde, auxílio emergencial de no mínimo um salário mínimo e garantir direitos trabalhistas e previdenciários para toda a população. A taxação das grandes fortunas, assim como do não pagamento da dívida pública nacionalmente podem servir como exemplo.

Temos que construir uma força que responda agora aos ataques que estão sendo feitos, que busque organizar os trabalhadores e trabalhadoras em suas categorias, para lutar contra os ataques, em defesa da vida e dos empregos, por vacina pública para todos com a quebra das patentes.




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