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Professora de História da UFRN acusa aluna de racismo reverso e relativiza escravidão no Brasil

Nessa terça-feira, 2, durante a disciplina de Historiografia Brasileira, a professora Flávia de Sá Pedreira foi questionada por uma aluna após ter relativizado o período da escravidão no Brasil e sua fundamentação racista, acusando povos negros da África de terem praticado a escravidão.

quarta-feira 3 de fevereiro| Edição do dia

A aluna contestou o argumento da professora por se tratar de uma relativização do racismo usado para escravizar povos do continente africano e expandir a colonização nas Américas, insinuando culpa sobre esses mesmos povos pela brutal desumanização, racialização e exploração sob o qual foram submetidos.
A professora, então, disse que a reposta da aluna era uma perseguição a uma “mulher branca, intelectual e de classe média”, acusando-a de racismo reverso. Um argumento profundamente racista, que novamente relativiza e torna a opressão uma questão meramente “subjetiva”, distorcendo a materialidade histórica da opressão racial contra negras e negros. Além disso, sugeriu que a aluna, caso se sentisse incomodada, poderia trancar a disciplina.

Repudiamos esse caso escandaloso de racismo em sala de aula e nos solidarizamos com a aluna atacada e intimidada pela professora a se retirar da disciplina. É inaceitável que em uma universidade, em meio ao governo Bolsonaro e o fortalecimento dos atores do golpismo institucional, que se utilizam desse argumento para relativizar o racismo no Brasil. Vimos ano passado como a histórica revolta anti-racista do Black Lives Matter nos EUA uniu negro e brancos nesse país e no mundo, impactando também a luta dos entregadores de app no Brasil, que não existe capitalismo sem racismo, e que é necessário enfrenta-los juntos através da força das negras e negros na linha de frente da luta dos trabalhadores contra esse sistema.

Na quinta-feira, 4, haverá uma plenária estudantil aberta convocada pelo Centro Acadêmico de História da UFRN (CAHIS), às 16h via Google Meet, chamado “Por uma universidade antirracista: debates sobre racismo na academia e o papel do movimento estudantil no combate ao racismo em sala de aula”. Nós do Esquerda Diário, que impulsiona a juventude Faísca e o grupo de estudos Armas da Crítica na UFRN, encampa esse chamado e estaremos juntos no enfrentamento do racismo em sala de aula, mas também por parte da reitoria e dos governos.




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