Educação

VOLTA ÀS AULAS

Professora de Campinas morre aos 25 anos vítima de covid. Doria e Rossieli são responsáveis

Morreu ontem (17) uma professora do colégio particular Notre Dame, da cidade de Campinas, devido a uma parada cardiorrespiratória causada a partir da complicação do quadro de Covid-19. A jovem professora estava internada na cidade de Campo Limpo, onde reside sua família. Toda solidariedade à família, amigos e aos seus companheiros de trabalho do Colégio Notre Dame.

quinta-feira 18 de março| Edição do dia

A professora trabalhava no colégio desde o início de 2020 e estava trabalhando presencialmente até o início deste mês quando começou a manifestar sintomas da doença e foi afastada para procurar atendimento médico. Ela obteve o resultado positivo para Covid-19 no dia 4 e dois dias depois teve de ser internada em Campo Limpo (SP) por complicações no quadro de saúde. No dia 3 a prefeitura de Campinas determinou o fechamento das escolas particulares e públicas da cidade por conta da situação caótica do sistema de saúde.

Desde o ano passado, como diversas escolas particulares, o Colégio Notre Dame - Campinas retomou as atividades presenciais. Defendendo a necessidade pedagógica e social das crianças e estudantes, os donos das escolas, se apoiando em governadores como Doria e seu secretário Rossieli, impuseram o retorno presencial expondo ao risco de contaminação professores e funcionários.

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Mesmo com o recrudescimento da pandemia que está, após um ano, em seu pior momento devido à irracionalidade de Bolsonaro, militares, governadores e prefeitos, os empresários da educação mantiveram até o último minuto possível, as escolas abertas em nome de seus lucros. Quem paga em vida, o preço do descaso dos patrões são as trabalhadoras e os trabalhadores.

Na cidade de Campinas, enquanto a fila da UTI covid chega a centenas e a cada 3 pessoas internadas, 2 morrem, o prefeito Dário Saadi (Republicanos) não apresenta nenhuma saída real para esta crise. A vacinação hoje não chega nem mesmo a todos grupos de risco, na semana passada a vacinação de idosos de mais de 73 anos foi suspensa na cidade por falta de doses, voltando agora a ser reagendada. A única solução que aponta o prefeito é aumentar as medidas restritivas e de repressão, mas mantendo como sempre, a exposição da classe trabalhadora em ônibus lotados e em seus postos de trabalho garantindo os lucros dos empresários.

A vítima desta vez foi uma jovem de 25 anos, que atuava no colégio como professora auxiliar do ensino fundamental. Com o retorno presencial nas escolas particulares, no formato de ensino híbrido, profissionais que ocupam cargos de maior instabilidade e menos direitos, como é o caso das estagiárias, auxiliares de classe e trabalhadoras da limpeza, são mais expostas ao risco de contaminação, sendo submetidas a mais contato com os estudantes, e na maior parte das vezes tendo de pegar transporte público lotado para chegar no trabalho. Em um cenário de incertezas e desemprego, o nível de assédio nas escolas, principalmente particulares, para impor o retorno aumenta muito.

Nós do Esquerda Diário lamentamos a morte desta professora e nos solidarizamos com seus familiares e todos os trabalhadores da escola, que assim como ela estiveram e seguem expostos ao risco de contaminação. É urgente lutar por testes massivos, um plano de vacinação universal com a quebra de todas as patentes. Que as escolas garantam os salários e o emprego de todos os funcionários, mas sem nenhuma atividade presencial. Contra todas as demissões em meio a pandemia. Não à reabertura insegura das escolas! É a comunidade escolar, junto aos trabalhadores da saúde, que devem decidir quando e como as aulas presenciais retornem!




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