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RACISMO NA EDUCAÇÃO | Professor nega racismo no Brasil em aula online da SEEDUC para rede estadual RJ

Nas aulas online oferecidas pelo aplicativo Aplique-se, adotado pela SEEDUC (Secretaria de Educação do Estado), de uso obrigatório a professores e alunos, no conteúdo do 7º ano, um professor de geografia, Roberto Estabile, ao falar sobre “Território e População no Brasil”, deu uma aula de racismo.

Carolina CacauProfessora da rede estadual em Nova Iguaçu-RJ e dirigente do Quilombo Vermelho - Luta Negra Anticapitalista e MRT

Samyr RangelRio de Janeiro

segunda-feira 5 de abril | Edição do dia

Uma aula para o 7º ano de geografia chamou a atenção de alguns professores nesta tarde.

Com estereótipos dos mais banais e atrasados nos debates sobre o racismo, o professor diz em vídeo que “como racismo se a gente é tão misturado assim” e usa o argumento da miscigenação para dizer que não somos um país racista e completa: “por isso é inadmissível pensar em racismo no Brasil”.

Mais uma vez vemos nos materiais didáticos a história sendo contada de forma a apagar a escravidão e a herança desse período que segue presente na nossa sociedade hoje.

Os argumentos utilizados para defender a tese de não haver racismo são os mesmos utilizados a mais de 100 anos, com a tese da “democracia racial” que defende que não haveria racismo no Brasil.

A tese da democracia racial quer apagar da história do Brasil a escravidão e suas consequências nos dias de hoje, para tentar em vão esconder o racismo estrutural que faz parte da estrutura política, econômica e social do Brasil.

Você pode assistir o vídeo aqui:

Com ela vem a ideia de que as mazelas de que sofrem negros e negras no Brasil não teriam nenhuma relação com a sua cor e tudo que isto que carrega, mas que somente seriam consequências “individuais” e “meritocráticas”.

Utilizar a democracia racial como argumento para alunos de escola pública só demonstra o quanto está ainda arraigado na nossa sociedade o racismo. É ainda mais sintomático que neste momento de pandemia, no qual os negros são os que mais morrem, os que mais sofrem com o desemprego e com a fome, que numa plataforma, de aulas à distância, que exclui milhares de estudantes, em sua maioria negros e pobres, tenhamos aulas desse tipo, num estado em que a maioria da população é negra.

A SEEDUC e o governador Cláudio Castro não só são coniventes com isto como também são responsáveis. A empresa que gerencia o aplicativo de aulas do Estado, o Aplique-se, foi imposto pelo governo do Estado e tem ligação direta com uma mídia bolsonarista. Como denunciamos nesta nota, a empresa responsável pela criação do App utilizado pelo Estado e também pelo município também produziu o aplicativo de streaming bolsonarista “Mano”. Esta mesma empresa também venceu licitações com extrema facilidade para implementar o serviço em estados dominados pelo bolsonarismo, como o Paraná e o Amazonas.

Nós professores do Estado mesmo não estando nesse momento dentro das salas de aula, seguiremos resistindo a qualquer tentativa de apagar a história de luta por liberdade que marca esse país escravocrata.

O vídeo foi removido do ar após a repercussão.




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