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Professor da USP defende perseguição e repressão aos pixadores

Em entrevista ao Estadão, professor Leandro Piquet, do departamento de Ciência Política da USP, defende a "Cidade Linda" do Dória e a criminalização dos pixadores pela polícia.

Odete AssisMestranda em Literatura Brasileira na UFMG

terça-feira 24 de janeiro de 2017 | Edição do dia

A mais nova cara elitista e higienista de Dória, acompanhada de políticas públicas contra moradores de rua, é a Cidade Linda, que nesta segunda-feira (23) foi responsável pela destruição do maior mural de grafite da América Latina, bem como pela criminalização dos artistas de rua.

Em artigo ao Estadão, o professor de Ciência Política da USP, Leandro Piquet, incentivou o “mapeamento” dos grupos de pichadores como forma de “prevenção”. O professor ainda declarou que o pixo é indicador de áreas degradadas, atividades criminosas e “incivilidades”. Piquet não esconde que a política higienista de Dória está intimamente ligada à guerra às drogas e ao fortalecimento da PM genocida e da GCM (Guarda Municipal Metropolitana), a qual tem sistematicamente retirado os cobertores de moradores de rua para que não estejam à vista da sociedade.

A pixação, para Piquet, é “o lugar que o infrator vai escolher para consumir droga, onde o crime pode ser cometido com a segurança de não ser monitorado”, por isso a perseguição e repressão aos artistas “tem de entrar na rotina do patrulhamento ostensivo”.

Visões como essa de Piquet incorrem em vários erros. Primeiro porque partem do pressuposto de que o pixador, grafiteiro ou artista de rua é um criminoso. Nada muito diferente da velha visão da ’casa grande’, onde as expressões culturais que não saírem dos grandes casarões de Higienópolis são tidas como "transgressões criminosas".

Segundo porque há uma identificação direta entre arte de rua, pixação, grafite e drogas, como se fossem coisas inseparáveis - mais uma visão preconceituosa de algo que o professor desconhece. Por trás dessa argumentação falaciosa, de que ao combater o pixo se combate o tráfico, há uma necessidade de se criminalizar o pobre. A conclusão direta desse pensamento é o endurecimento da perseguição, vigilância e repressão, ampliando o já superlotado sistema carcerário no país e criminalizando pessoas que estão simplesmente se utilizando do espaço público para a livre expressão.

Esse tipo de pensamento compartilhado pelo professor da USP é absurdo pois, para além de embasar a violência que a polícia comete contra artistas de rua e pixadores, corrobora com o fortalecimento do aparato repressivo do Estado. São ideias que fortalecem um Estado ainda mais violento contra todos aqueles que se rebelam de alguma forma, seja cultural, seja política.

Nós do Esquerda Diário saímos em defesa da livre expressão dos pixadores e da arte urbana, contra o elitismo de Dória e sua cidade cinza, que tenta esconder a calamidade dos serviços públicos de São Paulo, os ataques aos trabalhadores e à juventude e sua resistência, com uma vitrine repressora, que sustenta a lógica de criminalização e fortalece a polícia violenta e assassina.




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