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LGBTFOBIA NAS ESCOLAS | Prof Grazi Rodrigues: “O PL ‘Escolhi esperar’ precisa ser enfrentado com a nossa organização”

Veja declaração da profa. Grazi Rodrigues, do Movimento Nossa Classe Educação e do MRT, sobre o projeto de Lei “Escolhi Esperar” que está tramitando na Câmara dos Vereadores de São Paulo, e que tem como objetivo absurdo instituir no calendário oficial de São Paulo palestras sobre a abstinência sexual para os jovens como meio de evitar gravidez, em contraponto a efetivas ações através da educação sexual nas escolas.

segunda-feira 21 de junho | Edição do dia

O projeto “Escolhi esperar” de escolha não tem nada. É um projeto ultraconservador que vai pelo caminho totalmente contrário da informação, da educação sexual para que meninas e meninos possam de fato ter conhecimento que os ajudem a fazer suas escolhas. É um projeto que ataca o desejo e direito dos nossos alunos e alunas debaterem sobre questões de gênero e sexualidade por dentro dos espaços da educação, silenciando os jovens estudantes, como foi o caso em Campinas, onde um aluno defendeu um debate sobre as comunidades LGBTQIA+ e foi humilhado pela direção, pais e outros alunos, mostrando o quanto esse debate segue no escuro, não rompendo com a opressão instalada na nossa sociedade.

Veja também: Maíra Machado: "Frente a PL da abstinência em SP, é urgente educação sexual nas escolas".

Sobre esse PL, o Esquerda Diário conversou com a professora da rede municipal de São Paulo, Grazi Rodrigues, que é também integrante do Movimento Nossa Classe Educação e do Grupo de Mulheres Pão e Rosas, vejam a declaração dela abaixo:

“Ao invés de construir conhecimento na comunidade escolar, reacionários - como Rinaldo Digilo (PSL), redator do projeto; e Ricardo Nunes (MDB), prefeito de São Paulo que vem mostrando uma agenda ideológica que se liga às pautas da bancada da Bíblia, que é também base de Bolsonaro – querem colocar dentro das nossas escolas mecanismos de controle sob a vida sexual dos nossos alunos, deixando de fora a responsabilidade do Estado de garantir a todos estudantes - principalmente do ensino público - o direito por educação sexual para prevenir através da informação a gravidez indesejada, garantindo distribuição gratuita de contraceptivos para todes para que não precisem abortar, mas também o direito historicamente negado ao aborto legal, seguro e gratuito para meninas, em sua maioria negras, não morrerem por abortos clandestinos - como mostram os dados que esses setores insistem em ignorar.

E a forma como querem implementar esse projeto, na prática, é colocando setores religiosos que defendem a abstinência sexual dentro das escolas públicas que são laicas, segundo a própria Constituição. Quem defende educação sexual, quem defende o direito de escolha das mulheres sobre o próprio corpo, quem defende a ciência, não realizaria uma palestra propondo esse método bastante controverso da abstinência como método de “contracepção”. Que é na verdade a perspectiva de setores conservadores e religiosos que se opõem à educação sexual, e que anos atrás criaram fakenews como a do kit-gay que disseram existir nas escolas.

É um ataque profundamente ideológico, que faz parte do projeto da extrema-direita de Bolsonaro e Damares Alves para toda a juventude, as mulheres e as LGBTQIA+. Ao invés das escolas cumprirem um papel social em prol do cuidado e da evolução da comunidade escolar, o governo quer fazer do ambiente escolar um local para avançar com sua opressão de gênero, inclusive atacando a laicidade das escolas por ser um projeto entre Estado e Igrejas - duas instituições que deveriam andar separadas não juntas.

As pessoas podem ter a religião que quiserem e isso precisa ser respeitado - defendemos essa pluralidade, mas a Escola e o Estado não podem incorporar no cotidiano escolar a perspectiva de um setor religioso e ainda mais uma perspectiva que vai contra os direitos das mulheres, contra os direitos democráticos de escolha e contra a ciência que tem como caminho a educação sexual e não a criação de tabus com fundamentos religiosos, como a abstinência.

Nossas escolas precisam ser laicas e para todos, e nossa luta precisa caminhar ao lado dos direitos de toda comunidade escolar e contra essa ideologia reacionária que é usada como ferramenta para seguir precarizando a vida de toda nossa classe, onde através da exploração e opressão contra nós, os patrões e os governos descarregam toda essa crise sanitária, política e econômica que estamos vivendo sobre nossas costas.

Sendo o Estado esse balcão de negócios entre os mais ricos, que lucram também com toda a opressão de gênero, nós não encontraremos ou construiremos uma saída efetiva somente por dentro de um terreno parlamentar ou por dentro das instituições governamentais, mas também com os métodos do movimento de mulheres, com os métodos dos trabalhadores: nas ruas, em luta! Por isso, é preciso colocar a nossa força nas ruas, construindo fortes mobilizações organizadas através de assembleias em cada local de estudo e trabalho. As centrais sindicais precisam sair dessa paralisia e dessa política de desviar a nossa força para as eleições de 2022, quando podemos hoje lutar contra Bolsonaro, Mourão, militares, golpistas e suas reformas e ataques ideológicos contra nossas vidas.

Assim como os sindicatos da educação no nosso município, SINPEEM, SEDIN, SINDSEP, SINESP e APROFEM, não podem se dar o direito de silenciar diante de projetos como esses. Não existe uma separação entre a pauta sindical - como a que nos levou a 118 dias de greve esse ano contra o retorno inseguro às aulas - e de projetos políticos que interfiram na prática escolar como é esse projeto se for aprovado. Esse debate precisa ser realizado de maneira viva em nossa categoria, ainda mais frente ao histórico de ataques ao livre pensar e a ciência, e a perseguição ideológica de vários educadores nos últimos anos. Com a mesma paralisia que estão lidando com os atos contra Bolsonaro - que essas entidades não constroem; atuam em relação a esse projeto e debates da mesma forma, e isso é inaceitável. O enfrentamento ao retrocesso, que significaria esse projeto se aprovado, precisa ser construído desde cada escola e os sindicatos têm estrutura e condições, além da responsabilidade, de instalar esse debate na nossa rede.”

Vejam também nosso vídeo, no ato que aconteceu em frente a Câmara dos Vereadores dia 17/06, quando o PL foi aprovado na Comissão de Saúde:




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