Economia

GOVERNO IBANEIS

Privatização da CEB: por que somos contra?

A Companhia Energética de Brasília, que hoje possui mais de 80% sob controle do estado, será desestatizada e colocada completamente nas mãos de empresários. Maiores tarifas, piores serviços e demissões em massa, é que está no horizonte junto à privatização da CEB. Bom para os lucros, péssimo para a população trabalhadora de Brasília.

quarta-feira 14 de outubro| Edição do dia

Com o discurso de "ineficiência", o governo do DF nas mãos de Ibaneis Rocha (MDB), na esteira da política privatista do governo Bolsonaro e Paulo Guedes, avança para a privatização da CEB, uma das melhores empresas de energia do país, que no ano passado teve lucro líquido de R$ 119 milhões. Dinheiro este que vai para o estado e poderia ser investido em serviços públicos. Ontem foi votado pelos acionistas a provatização, e hoje acontece uma audiência pública para o "esclarecimento" da população em relação a desestatização. Uma farsa pra dizer que esse processo totalmente de cima para baixo está ocorrendo em acordo com a população.

A energia é um setor estratégico, que precisa estar a serviço da população, e não à mercê dos desejos de lucros exorbitantes dos empresários. Não só é fundamental manter e alcançar 100% de estatização, como o controle desse gigante recurso deve estar nas mãos dos trabalhadores da CEB, e da qualidade do serviço controlada pela população usuária. O governo mente dizendo que as contas de luz não vão aumentar, mas qualquer lugar onde houve privatização desse tipo de serviço no Brasil mostra que isso é mais uma mentira do GDF e que a realidade é outra.

Por falar nos trabalhadores da CEB, junto com a privatização vem as demissões, e já está indicado processos de PDV - Programa de Demissão Voluntária, para ir retirando aqueles mais antigos com mais direitos, deixando-os na instabilidade do desemprego em meio à crise, e contratando com baixos salários e sem direitos, precarizando a vida de todos que trabalham para garantir que tenhamos energia em nossas casas.

Quem quer comprar a CEB?

Em sua maioria, empresas controladas por capital estrangeiro já demonstraram interesse no leilão tutelado pelo GDF e pelo BNDES, que será realizado pela Bolsa de Valores de SP. Com valor muito abaixo do esperado, se apoiando no discurso mentiroso de que a CEB não da lucros. Não é novidade para ninguém que esse regime golpista sob o governo Bolsonaro quer entregar de bandeja o país e seus recursos naturais, ainda mais que os governos anteriores, para seus amos imperialistas.

Entre as companhias de energia que disputam o controle da CEB pelo valor de R$ 1,4 bilhão, está a ENEL SpA. Essa empresa foi considerada em 2019 a pior empresa de energia do país, pelos péssimos serviços e tarifas abusivas para a população. A experiência da nossa vizinha Goiás, comprada justamente pela Enel, é um dos exemplos do porquê defendemos e chamamos todos os brasilienses a serem contra a privatização da CEB.

Caos no Goiás

Foi no quarto mandato de governador do tucano Marconi Perillo (1999-2006) (2011-2018) e durante o governo golpista de Temer que a fornecedora de energia CELG-D foi privatizada no Goiás. Após assumir os serviços da CELG-D, a ENEL impôs um corte de funcionários chegou a quase 50% do quadro geral, aumentando as cobranças e a carga de trabalho dos trabalhadores. Enquanto companhia de geração e distribuição de energia goiana, a compradora ENEL acumula multas por má prestação de serviço, deixando residências e pequenos produtores sem energia por dias e até semanas. O caos fica instalado, na capital Goiânia mais de 10 quedas de energia ocorreram somente hoje, 13 de Outubro, não apenas nas residências mas nos comércios, semáforos e etc. A população fica literalmente "no escuro" sobre a resolução do desabastecimento recorrente. As crises na pequena produção levaram até mesmo a demissões em pequenas cidades do estado. Enquanto isso, o valor das contas de energia já subiram acima dos 30%.

Até mesmo as Federações da Agricultura e Pecuária e do Comércio do Estado estão mobilizadas contra o desabastecimento energético e o caos gerado pela privatização, exigindo do governador Caiado (DEM) alguma solução. Se para esses "donos de tudo" está uma situação insustentável, imagine para o trabalhador que sofre com o descaso e os prejuízos causados pelas constantes quedas por todos os lados.

A CEB é do povo!

Por todos esses motivos elencados acima, em defesa dos empregos, da qualidade do serviço e contra aumentos abusivos das tarifas de energia é que o Esquerda Diário e a Juventude Faísca se posiciona contra a privatização da CEB. Chamamos todas e todos trabalhadores e população a se posicionar junto a nós. É uma lástima que não haja uma grande campanha e mobilização dos partidos políticos de esquerda e dos sindicatos de trabalhadores contra mais essa ofensiva à população.

Seria possível uma campanha nacional unificando diferentes categorias de trabalhadores e organizações populares, mobilizando efetivamente para barrar as privatizações a nível nacional. A CUT DF faz textos contra a privatização, mas eles não tem a força que a mobilização e unificação dos trabalhadores tem para de fato barrar esse ataque à população.

A CEB é do povo e não do lucro dos empresários ou dos interesses de políticos que governam para eles como Ibaneis, Bolsonaro e Guedes, por isso defendemos que sejam os capitalistas a pagarem a crise econômica e não a população. Defendemos a completa estatização da companhia, o controle de qualidade pela população e a gestão pelos trabalhadores da CEB. Essa seria também uma saída para enfrentar o agravamento da crise ambiental na qual estamos vivendo, que pode levar as épocas de seca do DF a serem completamente catastróficas em poucos anos.

Apenas os trabalhadores e a população, que não visam lucros desenfreados às custas de vidas e do nosso planeta, poderiam investir na busca por uma produção sustentável de energia, que não colaborasse, somado às queimadas criminosas e outros fatores, para o aumento da temperatura da Terra que leva às catástrofes climáticas. Sobre este tema, convidamos para roda de conversa, no Parque da Cidade, neste domingo, veja aqui.




Tópicos relacionados

Ibaneis Rocha   /    Privatização   /    Brasília   /    Economia

Comentários

Comentar