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Amapá: Alcolumbre quer adiar eleições por risco de manifestações em meio à repressão policial

Foram diversos movimentos para que as eleições municipais que ocorrerão neste domingo, 15, fossem adiadas no Amapá, palco de cenário convulsivo por conta do apagão que já dura semanas. O presidente do Senado, junto a outras instâncias, pediu adiamento das eleições, mas a Justiça Eleitoral negou o pedido. Enquanto isso, a população pobre segue com o descaso dos governos e sem luz, se manifestando e sendo reprimida pela polícia.

quinta-feira 12 de novembro| Edição do dia

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

No início desta semana o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), recorreu ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, para pedir que as eleições municipais do estado do Amapá fossem adiadas.

Os motivos para que o senador fizesse tal pedido vão desde interesses mais pessoais, como o fato de que Davi Alcolumbre é um dos principais cabos eleitorais da candidatura de seu irmão, Josiel Alcolumbre, para a prefeitura da capital do estado, Macapá; até a situação de mobilizações e caos social nas ruas que supostamente colocam em risco as eleições. Mobilizações estas que estão acontecendo já há mais de uma semana por conta do apagão no estado e têm sido brutalmente reprimidas pela polícia com bombas de gás e balas de borracha, chegando a cegar um adolescente de 13 anos.

O governador do Amapá, Waldez Goés (PDT) decretou estado de emergência no Estado, podendo servir de base para o pedido do presidente do Senado.. Não só isso, mas o próprio Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) pediu também o adiamento das eleições na capital do Estado, Macapá, alegando que ali as manifestações estão mais intensas, justificando a violência e repressão policial ao dizer que facções criminosas estão envolvidas nos atos de rua.

Entretanto, na noite de quarta-feira, 11, a Justiça Eleitoral descartou o adiamento das eleições no Amapá por conta do apagão, das manifestações e caos social que está em curso e conta com forte repressão policial. Ainda foi declarado e garantido que as urnas eletrônicas estão com baterias sobressalentes por conta da falta de energia no Estado.

O apagão já se estende por semanas, especialmente em bairros periféricos e pobres do Estado. Enquanto as urnas eletrônicas recebem garantia total da Justiça Eleitoral e demais políticos do Estado para funcionar apesar da falta de energia, milhares de famílias sofrem com o abandono e descaso do governo, estando sem energia, água, alimentos e condições mínimas de vida.

Nesta semana, o Esquerda Diário entrevistou uma moradora do Amapá que revelou as duras condições impostas à população pelo descaso do Estado ao que se soma a forte repressão: “Se a gente não morre de sede, fome ou Covid, a polícia termina o serviço”.

A situação no estado do Amapá é alarmante e escancara os objetivos mais profundos e consequências do projeto neoliberal de Bolsonaro, Mourão e Guedes que querem privatizar cada vez mais rapidamente todas as empresas. A empresa multinacional espanhola Isolux é que fornece energia para o Amapá e devido um incêndio na estação de luz da empresa, praticamente o estado todo está no escuro. Lembrando, contraditoriamente, que o Amapá possui quatro hidrelétricas e fornece energia para todo o país.

Essa irracionalidade é reflexo e intrínseco ao capitalismo que tudo quer privatizar para que os empresários lucrem mais. Enquanto os bairros ricos do estado estão com luz, a periferia e a população trabalhadora e pobre do Amapá sofre com o descaso dos governos que seguem não resolvendo o problema de falta de energia.




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