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CRISE POLÍTICA | Presidente do Haiti, Jovenel Moise é assassinado a tiros

Em meio à grande crise política e social no Haiti, o presidente do país foi assassinado a tiros na sua residência essa noite.

quarta-feira 7 de julho | Edição do dia

Foto: Reuters - 23/1/2016

Na noite dessa terça feira, 06, o presidente do Haiti, Jovenel Moise, foi assassinado a tiros na sua residência. A informação foi confirmada pelo primeiro-ministro interino Claude Joseph na manhã de hoje.

O acontecimento se deu em meio à invasão de pessoas não identificadas à casa do presidente. A esposa de Moise levou um tiro e está hospitalizada.

Moïse vinha enfrentando forte oposição de setores da sociedade que consideravam seu mandato ilegítimo. Nos últimos quatro anos, por exemplo, devido à pressão política, o país teve sete primeiros-ministros e uma nova troca estava programada. Joseph seria substituído esta semana após três meses no cargo.

Moïse, por sua vez, afirmava que sua eleição em 2015, posteriormente cancelada, não poderia ser considerada o início de sua presidência. Moïse insistia que foi empossado em 2017 por um período de cinco anos e reiterava que continuaria no cargo para reformar a Carta Magna e realizar eleições. Naquele dia, Moïse denunciou que a oposição estava preparando um golpe e anunciou que as autoridades haviam feito cerca de vinte prisões, incluindo um juiz da Corte de Cassação, o órgão judicial máximo do país, o que agravou a crise institucional.

Por outro lado, o presidente governa há um ano por decreto, visto que em janeiro de 2020 considerou o Parlamento "dissolvido", alegando não ser possível realizar as eleições legislativas marcadas para o outono de 2019. Supostamente foram adiadas devido aos constantes protestos antigovernamentais que paralisaram um país afundado em uma forte crise.

Moïse tinha cada vez menos apoio dentro do país, mas na última sexta-feira recebeu o apoio expresso do Governo Joe Biden na tese de que seu mandato dura até 2022. Mas não só dos Estados Unidos, mas de outras potências imperialistas através do Core Group integrado pelo Estados Unidos, França, Canadá, União Européia, ao qual se junta o Brasil e outras nações, além de uma parte da burguesia para se manter no poder. Contava também com o apoio das Nações Unidas, a Organização dos Estados Americanos, da União Européia e da Comunidade do Caribe, que recentemente se pronunciaram a favor de um processo eleitoral transparente e democrático.

Em meio a toda essa crise, o povo haitiano se manteve mobilizado desde 2018 contra as políticas de Moïse, mas também com enorme desconfiança também em relação aos líderes políticos da oposição. Muitos deles são questionados por corrupção e também ligados a setores da burguesia. É que se não fosse pela política desta própria oposição, Jovenel Moïse teria caído há muito tempo nas grandes mobilizações contra a fome e a miséria que abalaram o país.

Diante do repudiado governo de Moïse, os principais partidos da oposição mostraram sua verdadeira face política nestes anos em que o povo haitiano permaneceu mobilizado. Propõem uma solução que não rompe com a histórica subordinação aos Estados Unidos e ao FMI que vem destruindo o país, e que manteriam inalterado o sistema de corrupção que as massas repudiam nas ruas, assim como todo o sistema de extrema pobreza e miséria.

Para além da crise política, os raptos para resgate têm aumentado nos últimos meses, refletindo a crescente influência de grupos armados no país. O Haiti também enfrenta pobreza crônica e catástrofes naturais recorrentes. (Com agências internacionais).

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