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Acorda Apeoesp! | Precisamos organizar as escolas pra seguir a luta contra Doria e Bolsonaro no ato do dia 7

No último dia 18 de agosto os professores de São Paulo mostraram uma importante reserva e paralisaram diversas escolas total ou parcialmente, inclusive com adesão de muitos professores categoria O, para rechaçar as absurdas reformas administrativas de Doria (PLC 2621) e de Bolsonaro, Mourão e Guedes (PEC 32).

quarta-feira 1º de setembro | Edição do dia

Essa iniciativa da categoria se deu apesar do pouco esforço da Apeoesp, e não pode se perder agora, ainda mais as vésperas de um ato importante como o do dia 7 de setembro, passando por cima do autoritarismo de Doria, que quis proibir a manifestação da esquerda, em oposição ao ato bolsonaristas.

Além das reformas que retiram direitos básicos dos servidores públicos, que já sofrem com a profunda precarização do trabalho e a reforma do ensino médio que vem sendo implementada a toque de caixa no meio de uma pandemia, os professores estão imersos numa rotina extenuante dentro das escolas e com uma enxurrada de “resoluções”, mudanças, mandos e desmandos da Secretaria de Educação de SP. E o pior de tudo, vimos essa semana a grande mídia divulgando o óbvio, governo e Seduc estão escondendo os casos de Covid nas escolas para seguir fingindo uma segurança e normalidade que não existem. Essa situação levou a importante adesão a paralisação do dia 18, apesar da Apeoesp, que mais uma vez – como sempre – se negou a construir e organizar a paralisação dentro das escolas e se limitou a postagens em redes sociais da presidente do sindicato e deputada pelo PT, a Bebel.

É imprescindível reivindicar a disposição que a categoria de professores mostrou, mas não podemos deixar de dizer que para um chamado de mobilização nacional de diversos sindicatos e centrais sindicais a manifestação ficou bastante aquém do que seria necessário para começar a fazer frente aos objetivos de BolsoDoria, militares, congresso e judiciário, de aprovar as “malditas” reformas contra os servidores e outras medidas que atacam a vida de toda a população como a MP 1045, que coloca principalmente a juventude para trabalhar num regime com aspectos de escravidão, oferecendo “auxílio” alimentação como salários.

Assim como na Apeoesp, a política das centrais sindicais majoritárias, CUT, CTB, Força Sindical, é a da espera passiva para 2022 para eleger Lula ou um candidato da “terceira via” e parlamentares, como se isso fosse nos salvar da fome, miséria, desemprego e insegurança na pandemia, visto que as reformas já aprovadas, as que ainda estão nos planos e as privatizações são as causas diretas da degradação da vida da população, e nisso, de uma maneira ou de outra há um acordo tácito (ou nem tanto) entre todos os atores do poder do regime político, seja assumindo que são favoráveis aos ataques seja se eximindo da responsabilidade de lutar contra ou de revogar caso eleito, como faz Lula e o PT.

Não existe outra maneira de cumprir o papel que a Apeoesp tem como obrigação como sindicato da categoria que não seja rompendo com essa política de adaptação aos ditames da política institucional, ou seja, não ficar esperando que as ações judiciais deem uma saída para os professores, paralisar a luta da categoria em nome de tentar convencer que a nossa única saída seja a eleição de Lula ou se aliar com a direita tradicional neoliberal, que articularam e foram parte atuante do golpe institucional de 2016.

Por isso, nossa mobilização inicial do último dia 18 não pode parar por aqui, precisa se fortalecer, ganhar novos contornos e exigir que a direção majoritária, bem como boa parte da oposição que diga-se de passagem se adapta a forma de atuar de Bebel Noronha e da Chapa 1, que organize verdadeiras reuniões de representantes de escola e com as comunidades escolares, não as fakes que estão acontecendo esvaziadas, chamadas de um dia pro outro e que dificulta a participação dos professores reais. Chega de conversa de comadres dos membros da direção da Apeoesp, precisamos debater e organizar a categoria num plano de luta, e para isso essas reuniões precisam existir com divulgação ampla e pauta definida para que todos se preparem, assim como as visitas em escolas (seguindo os protocolos de segurança) e para preparar uma assembleia da categoria.

Não menos importante é o sindicato fazer uma ampla convocação e chamado para o ato do dia 7 de setembro no Vale do Anhangabaú, às 14h. Um ato que de forma totalmente arbitrária e autoritária Doria tentou proibir, dizendo que o ato de oposição ao bolsonarismo será somente no dia 12, ou seja, no dia que a direita tradicional está chamando. Foi correto os movimentos sociais, partidos de esquerda e centrais sindicais terem mantido o ato contra o governo, e é necessário unificar com o tradicional Grito dos Excluídos do dia 7, mas não basta isso, é preciso se chocar com essa ideia que Doria e a mídia burguesa estão alimentando que as pessoas precisam ficar em casa. Ao contrário, as ruas precisam estar cheias em resposta aos saudosos da ditadura militar que estarão na Av. Paulista, não podemos ceder o controle das ruas para a extrema direita bolsonaristas e não podemos também cair na armadilha e na direção de Doria, PSDB e a direita que quer emplacar uma suposta “terceira via”, mas que na prática só é oposição à Bolsonaro quando convém, já que nos planos e no projeto de ataques estão juntos, assim como congresso e judiciário.

Nós precisamos derrotar as reformas administrativas e todas as outras articuladas por Bolsonaro, Mourão, Guedes, Doria, Ricardo Nunes – este último quer até uma nova reforma da previdência municipal, é um absurdo – congresso e os demais poderes, e pra isso precisamos confiar nas nossas forças e reservas, se inspirar na persistência indígena em Brasília e mostrar que a última paralisação foi o aquecimento dos nossos motores, porque queremos organizar nossas comunidades escolares, nossas escolas e nossa categoria e para isso chamamos aos professores que leiam também nossa proposta decomissões de segurança e higiene em cada escola, que tem uma gama de possibilidades de atuação enorme em nos organizar, até mesmo unir nossas vozes para exigir atuação do sindicato, que aliás é nosso e precisamos recuperar pras nossas mãos.




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