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GREVE NA EDUCAÇÃO EM BH | Porque os estudantes da UFMG devem apoiar a greve das educadoras contra Kalil?

As e os trabalhadores da educação municipal de BH estão em greve exigindo vacina para todos e contra a imposição de Kalil pelo retorno inseguro das aulas em meio a pandemia. Nós, estudantes da UFMG, precisamos cercar essa luta de apoio e solidariedade, pois o que está em jogo é o futuro do nosso trabalho e da educação pública.

Lina HamdanEstudante de Artes Visuais na UFMG

Elisa CamposCoordenadora do CAFCA-UFMG

terça-feira 4 de maio | Edição do dia

No último dia 19, o prefeito de BH, Alexandre Kalil (PSD), anunciou o retorno gradativo das aulas, começando pelos trabalhadores terceirizados e do administrativo, em seguida os professores da educação infantil, sem a garantia das condições sanitárias. Por isso, a categoria de trabalhadoras concursadas da educação (maioria mulheres) decidiram entrar em greve sanitária e a categoria de terceirizados paralisaram ontem. Na última quarta, Kalil ameaçou cortar o ponto das e dos grevistas e chamou a greve de esdrúxula e egoísta.


Educadores manifestam em frente à prefeitura de BH, nesta segunda-feira (03)

As educadoras escreveram como elas entendem o desafio que está sendo para as famílias e o debilitamento da qualidade da educação das crianças e jovens nesse um ano de escolas fechadas e com o ensino remoto precário, porém ressaltam como o retorno que Kalil quer impor é ameaçador à saúde dos trabalhadores da educação assim como das famílias das comunidades escolares. Isso porque as escolas não têm condições de receber os estudantes, sequer está sendo cumprido o próprio protocolo exigido pela própria prefeitura, tendo os terceirizados do grupo de risco começado a trabalhar há uma semana, o que já acarretou a morte de um porteiro. Morte essa que uma grevista denunciou: “é um assassinato!”. Sim, é resultado da política assassina de reabertura insegura das escolas, sem que os governos tenham garantido testes massivos, vacinação de todos os trabalhadores, EPIs, espaço e horário adequado para se alimentarem, nem uma contratação ampliada de profissionais.

Tanto Bolsonaro e Mourão, quanto Zema e todos os golpistas aproveitam especialmente o momento de pandemia para nos tirar ainda mais direitos, jogando a juventude e a classe que move o mundo para a precariedade, a fome e o risco de contaminação da Covid, inclusive dividindo-nos e colocando as categorias de trabalhadores umas contra as outras em disputa por uma vacina que deve ser de todos.

É nesse sentido que Kalil, que desde o início da pandemia quis se colocar como opositor "racional" a Bolsonaro, propõe um retorno gradual da educação para dividir os diferentes níveis de ensino e enfraquecer sua resistência à imposição e às ameaças das diretorias e da prefeitura. A mídia burguesa, como o Tempo e o Estado de Minas, encheram suas páginas nas últimas semanas para legitimar o retorno às aulas. Todos a serviço de garantir o lucro dos grandes empresários da educação privada, que pressionam o retorno.

Por isso, seria muito importante que a UFMG, amplamente reconhecida na educação em vários níveis, possa se colocar como porta-voz das lutas dos setores mais atingidos pela crise que vivemos. Os estudantes, professores e trabalhadores podem ser parte de prestar uma solidariedade ativa para que sejamos atores conscientes na luta contra a divisão feita pelos capitalistas e seus representantes.

Nesse sentido, o DCE da UFMG pode cumprir um papel essencial para convocar entidades e organizações da esquerda de toda a universidade para uma reunião ampla unificada para que toda a comunidade universitária, em particular os calouros que estão entrando na UFMG agora, pudessem saber da situação dos trabalhadores da educação hoje, das escolas, o que está acontecendo com eles, as ameaças, saberem da importância da greve e de apoiá-la, para que juntos possamos refletir formas de ajudar e medidas de solidariedade que possam contribuir para que eles não fiquem isolados lutando contra os abusos de Kalil sozinhos.

A cada nova semana nos deparamos no noticiário comum novo corte de verbas para os trabalhos de pesquisa nas universidades públicas. Verbas que já eram insuficientes, inclusive para pesquisas relacionadas ao enfrentamento à pandemia, enquanto as reitorias se colocam como responsáveis por administrar esse orçamento.

A reitoria da UFMG, que vem se colocando como parte de um polo democrático e de oposição ao bolsonarismo, ao mesmo tempo aprofunda o projeto elitista e excludente de universidade, ligado à lógica capitalista, mantendo-a muito distante de colocar todo o seu potencial a serviço da população. Recentemente, para disfarçar suas ameaças às trabalhadoras da educação, Kalil lançou no ar a suposta possibilidade dele financiar a continuidade do desenvolvimento da vacina da UFMG, mas suas próprias ameaças à greve da educação escancara que seu interesse é se localizar pessoalmente para as eleições, e não para salvar vidas.

As universidades mais do que nunca deveriam ter suas pesquisas vinculadas aos trabalhadores das fábricas farmacêuticas e bioquímicas e da logística que poderiam levar a cabo a produção e a distribuição de maneira coordenada dos produtos das pesquisas feitas nos laboratórios. Hoje,nossa dependência em relação a outros países e a existência da “vacina VIP” e dos fura-filas evidenciam como a quebra de patentes é mais do que necessária, assim como o controle da produção e distribuição de vacinas pelos trabalhadores, para que o que seja desenvolvido nas universidades e institutos de pesquisa não fiquem restritos nas mãos de Kalils ou Dórias e seus interesses políticos e de classe.

Por isso é fundamental que, enquanto estudantes, nos aliemos aos trabalhadores e suas lutas. Neste cenário no qual nos vemos espremidos em BH e região metropolitana entre o medo presente e as incertezas futuras, precisamos ver a luta das trabalhadoras da educação infantil contra o retorno inseguro das aulas como um ponto de apoio contra o descaso com a vida das famílias trabalhadoras e com o futuro da juventude.

Somos nós, junto com os trabalhadores, que arcamos com o obscurantismo e os ataques de Bolsonaro, além dos interesses privatistas de Zema e Kalil e que no Ensino Superior precisamos nos enfrentar com a estrutura de poder da universidade que avança sua relações com a iniciativa privada às nossas custas e da vida da população.

Chame sua entidade estudantil a assinar essa nota para que o DCE UFMG organize os estudantes em solidariedade ativa às e aos trabalhadores da educação.




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