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Contra Bolsonaro, Mourão e os ataques | Porque é preciso unificar os trabalhadores para impor uma nova constituinte?

Frente aos ataques que Bolsonaro, Mourão, o Congresso e todo o regime quer aplicar aos trabalhadores, é preciso batalhar para mudar todas as regras do jogo.

sábado 17 de julho | Edição do dia

Foto: Mídia Ninja

Em plena crise sanitária, o Brasil já ultrapassou 540 mil mortes pelo coronavírus. A maior parte da população segue sem ter tomado a primeira dose da vacina contra a covid. Ao mesmo tempo, grande parte da população segue sofrendo com a miséria e a fome que vem sendo imposta devido ao aumento do preço dos alimentos, aumento dos aluguéis, das contas de água e luz, além do desemprego e da precarização. Enquanto a classe trabalhadora e a população pobre do país segue sofrendo as mazelas da crise, vemos os escândalos que vieram à tona com o governo de Bolsonaro, Mourão e militares envolvido nos casos de corrupção na compra das vacinas. A CPI da Covid serve para lavar a cara do regime e desgastar Bolsonaro com essas denúncias, das quais claramente eles já tinham conhecimento.

Ainda que se acirrem disputas entre os de cima, estão todos a serviço de atender interesses de setores da burguesia e do imperialismo. Mesmo com suas diferenças, tanto Bolsonaro, quanto os parlamentares que estão na CPI da Covid e apoiam o seu impeachment, estão juntos quando se trata em atacar a classe trabalhadora. Como foi na recente privatização da Eletrobras, aprovada pelo o Congresso, e na privatização dos Correios que se encaminha para ser pautada. Além de outros ataques como a PEC Emergencial no início do ano que congelou o salário dos professores por mais de 15 anos. E enquanto os ataques são aprovados, os parlamentares, tanto os bolsonaristas como a direita opositora, votaram a favor do projeto que triplica o fundão eleitoral.

O que fica bastante claro, é que todo esse regime que vem se assentando desde o golpe institucional, é um regime mais autoritário e reacionário, que aplicou inúmeras reformas e ataques aos trabalhadores e vem sucateando o serviço públicos no intuito de entregar de bandeja aos grandes capitalistas e sua gana de lucro. O governo Bolsonaro é fruto desse golpismo, que derrubou o governo Dilma, prendeu e retirou os direitos políticos de Lula de forma totalmente manipulada e abriu espaço para a vitória de Bolsonaro. Apenas retirar Bolsonaro do poder não irá reverter os ataques que já foram aprovados e muito menos barrar os ataques que a casta política pretende seguir aprovando.

A própria política do Impeachment, onde setores da esquerda, como o PSOL, PSTU, PCB e UP, apostam e se junto com os setores mais asquerosos da direita como o MBL para fazer um super pedido de impeachment, não será uma saída para a classe trabalhadora. Primeiro porque se Bolsonaro cair, quem assume no lugar é o racista do General Mourão, que faz parte desse governo e seguirá com o mesmo projeto político responsável por avanços nas privatizações, na retirada de direitos, e a serviço dos interesses do agronegócio. Sem falar que trataria do primeiro general da alta cúpula das Forças Armadas assumindo a presidência desde o fim da Ditadura Militar. Segundo porque colocaria confiança nesse Congresso e demais instituições para derrubar Bolsonaro. A possibilidade do impeachment, além de ser pouco provável, coloca que os problemas serão resolvidos pelos os inimigos dos trabalhadores. O que precisa acontecer é o oposto e por isso devemos apostar na luta dos trabalhadores para derrotar Bolsonaro, Mourão e todas as instituições deste regime político degradado.

Frente a todos os ataques que os trabalhadores vêm sofrendo nesse regime, é preciso lutar contra ele de conjunto. Por isso, nós do Esquerda Diário e do MRT levantamos a necessidade de lutar por uma nova constituinte, livre e soberana. Onde os trabalhadores poderiam impor suas demandas democráticas, reverter as reformas e os ataques que já foram aprovados e mudar todas as regras do jogo desse sistema político decadente. O que significa alterar as regras do jogo? Que os militares, o Congresso, o STF, os governadores não sigam sendo esse grande balcão de negócios dos capitalistas para implementar mais ataques nas nossas costas. Por isso nossa classe precisa de uma bandeira que não permita que isso aconteça.

Os atos que vieram ocorrendo nos últimos meses foram convocados pelas centrais sindicais, como a CUT, dirigida pelo PT, e também a UNE, como atos de pressão rumo a 2022. Fizeram de tudo para impedir que os trabalhadores se unificassem com os estudantes e demais setores que lutam contra Bolsonaro e seus ataques. É necessário que a luta seja unificada entre os trabalhadores de conjunto para enfrentar a reforma administrativa, as privatizações, e toda a miséria que está sendo imposta. Aliada junto com as mulheres, negros, LGBTQI e povos originários que também sofrem neste regime capitalista. Por isso é necessário lutar por uma greve geral, onde a classe trabalhadora pode entrar em cena com todo seu peso para derrotar Bolsonaro, e também Mourão e seus ataques. As organizações de esquerda que hoje defendem o impeachment, poderiam estar construindo uma forte exigência pela convocação de uma greve geral, através das centrais sindicais como CSP-Conlutas, e a Intersindical onde dirigem, e confirmar um comitê nacional pela greve geral, atuando como pólo antiburocrático, votando essa política em assembleias nas suas bases e agitando nas da CUT e da CTB a exigência pela construção de greve geral.

As necessidades da classe trabalhadora e da maioria da população só podem ser plenamente atendidas por um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo, mas na medida em amplos setores ainda não compartilham essa perspectiva, é preciso unificar as fileiras da classe trabalhadora para enfrentar os ataques do regime político e batalhar para que as principais decisões do país estejam nas mãos da maioria da população. Por isso chamamos a lutar por uma constituinte livre e soberana, como parte de avançar a própria experiência com a democracia burguesa e defender os direitos democráticos elementares das massas.




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