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Devastação ambiental | Por uma luta anticapitalista contra Bolsonaro e o agronegócio que destroem nossas florestas

A situação dos biomas brasileiros exige uma resposta anticapitalista que ponha fim às queimadas, à grilagem, às extrações ilegais, à violência contra os povos indígenas e ao conjunto dos ataques que são retrato do Brasil profundo de Bolsonaro e Sérgio Reis, defensores dos lucros colossais do agronegócio exportador.

quarta-feira 18 de agosto | Edição do dia

Recentemente vimos o cantor reacionário Sérgio Reis convocando para um ato golpista e pró-Bolsonaro no 7 de setembro, reivindicando diretamente a defesa dos lucros dos patrões do agronegócio. Apesar de ter cada vez mais centralidade na economia nacional, essa ala da elite nacional vê sua representação política relativamente limitada nos marcos do regime de 1988 e por isso vem sendo entusiasta de medidas bonapartistas como o golpe de 2016, a manipulação das eleições de 2018, do governo Bolsonaro e do encastelamento dos militares na política, como desenvolvemos aqui.

Não basta terem sido o único setor que cresceu em 2020 (24,31%), lucrando R$1,142 trilhão em venda de commodities em dólar, enquanto metade do país sofre algum nível de insegurança alimentar com o aprofundamento da crise econômica pela pandemia. O agronegócio é uma força reacionária e destruidora do meio ambiente, apoiadora de um governo racista de extrema-direita, assassina de indígenas e responsável por atear fogo anualmente em uma área de vegetação maior do que a Inglaterra.

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Junto com Bolsonaro, os militares e o Centrão, destruíram os órgãos de fiscalização e proteção ambiental como o Ibama, fizeram a festa da extração ilegal - com Salles passando a boiada em plena pandemia e enquanto as florestas queimavam - e ameaçam os indígenas com o PL490 e o Marco Temporal. Mais recentemente Arthur Lira conseguiu a aprovação do PL da Grilagem na Câmara, regularizando a tomada de terras públicas e facilitando o desmatamento e a mineração ilegal. São a expressão de um sistema capitalista cuja única preocupação é enriquecer um punhado de parasitas que vêem o mundo como mercadoria e oportunidade de negócio.

Por isso precisamos de uma luta anticapitalista que enfrente Bolsonaro, os militares, o conjunto do regime político degradado e os latifundiários do agronegócio exportador. É preciso acabar com as isenções fiscais e taxar os lucros do agronegócio, garantir a demarcação e o direito dos povos indígenas sobre a terra, com uma reforma agrária que acabe com os senhores do interior e com a exploração do nosso território perpetuada por eles junto com as multinacionais do agronegócio e da logística, que lucram trilhões exportando alimentos enquanto passamos fome.

Nesse caminho não podemos ter nenhuma confiança no imperialismo norte-americano ou europeu e em sua demagogia de capitalismo verde. Biden, Macron e as outras potências capitalistas são os maiores poluidores mundiais e, longe de um interesse ecológico sincero, representam o grande capital que vê em nossas riquezas naturais e na biodiversidade amazônica grandes oportunidades de enriquecimento. E diferente dos stalinistas que reivindicam a ultra-poluidora e nada socialista China de Xi Jinping como referência, também não podemos ver como possível aliado o país que já corresponde a 33,7% das exportações do agronegócio brasileiro.

Nossos inimigos vêm em uma bateria de ataques, como a reforma administrativa, uma nova reforma trabalhista e privatizações como a dos Correios e Eletrobrás. Apesar desse cenário de ofensiva a toque de caixa por parte de todas as forças políticas do regime, as direções burocráticas das principais centrais sindicais, como a CUT (PT) e a CTB (PCdoB), vêm convocando mobilizações dispersas e sem construção junto à base. Trata-se de uma estratégia para desgastar eleitoralmente Bolsonaro até 2022 e eleger o mesmo Lula que governou lá atrás com a direita, os banqueiros e o agronegócio - intensificando a reprimarização e a desindustrialização do país, fortalecendo o latifúndio reacionário e contribuindo para chegarmos na situação em que nos encontramos hoje.

Ao contrário dessa estratégia, que fragmenta nossas bandeiras, nossa vontade de luta e é uma verdadeira trégua com o governo e o regime que nos levaram a mais de meio milhão de mortos e estão queimando mais da metade dos nossos biomas, precisamos da unidade das fileiras da classe trabalhadora, junto à juventude, os povos indígenas, as mulheres, o povo negro, a população pobre e LGBTQIs.

A esquerda, que protocolou o vergonhoso pedido de Superimpeachment com a direita reacionária e atualmente se encontra diluída passivamente na paralisia das burocracias petistas, poderia estar colocando sua militância e as entidades estudantis e sindicais que dirige a serviço de fortalecer os processos de luta dos trabalhadores em curso, como a greve de 700 trabalhadores da MRV em Campinas, que vem se expandindo para outros canteiros de obras do país. Uma experiência ampla de unidade e solidariedade assim poderia se elevar para um enfrentamento ao governo e o regime de conjunto, além de exigir de maneira unificada que as grandes centrais sindicais organizem com assembleias de base um plano de luta nacional, também dando exemplos nas categorias em que dirigem, rumo à construção de uma grande paralisação nacional. É a classe trabalhadora organizada que detém a força capaz de enfrentar todos os ataques dos governos e dos patrões.

É esse caminho de luta pela recomposição da classe trabalhadora através de seus métodos, como a greve e a auto-organização, que nós do Esquerda Diário e do MRT reivindicamos, batalhando pela independência de classe e por uma esquerda que recoloque a centralidade da classe trabalhadora como sujeito na luta de classes para responder à crise do Brasil e do capitalismo, em aliança com todos os setores explorados e oprimidos.

Por isso, para que os trabalhadores e as massas empobrecidas elevem sua experiência com os limites da democracia burguesa na luta contra os ataques capitalistas e por nossos direitos, e se convençam da necessidade de um governo de trabalhadores em ruptura com esse sistema, levantamos a bandeira de luta por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, onde poderíamos debater a reversão das reformas e privatizações, e saídas para todas as questões urgentes sofridas no país, contrastando com a reação do capital e seus representantes, evidenciando o antagonismo profundo dos interesses de classe e que é preciso decidir se seguimos sendo nós a pagarmos pela crise e pela catástrofe climática que eles criaram.

A classe trabalhadora, que move todas as máquinas, toda a produção, todo o transporte e serviços, possui a força social para, organizada, derrubar todo esse sistema e seus representantes, e construir no lugar uma nova sociedade, com uma economia planificada, ecologicamente sustentável e que atenda às necessidades mais urgentes da população. As novas provas da crise ambiental e climática só reforçam que o capitalismo precisa acabar e que resgatar o marxismo revolucionário da nossa época, o trotskismo, se mostra mais necessário e atual do que nunca.




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