×

UFRN | Por uma assembleia geral dos estudantes da UFRN rumo ao 19J, Fora Bolsonaro e Mourão!

No último 29 de maio, a juventude foi às ruas em todo país, em Natal, foram cerca de mil jovens e trabalhadores, demonstrando sua disposição de luta movida pelo ódio contra o governo negacionista de Bolsonaro junto com Mourão, responsáveis pelos cortes na educação e o descontrole da pandemia com a morte de mais de 470 mil pessoas por covid-19 no país. A próxima data de mobilização nacional está marcada para o próximo 19J, que precisa ser ainda mais forte com a unidade da juventude com a classe trabalhadora. É necessário que sejam convocadas assembleias de base com direito a voz e voto em cada local de estudo e trabalho para que o dia 19 seja de fato maior que o 29.

sexta-feira 11 de junho | Edição do dia

Foto 29M em Natal

A aprovação da Lei Orçamentária (LOA) de Bolsonaro no congresso federal, que impõe cortes de mais de 4 bilhões na educação, foi a faísca para a juventude voltar às ruas. São mais de 30 das 69 universidades federais que provavelmente não terão orçamentos nos próximos meses, com ameaça de fechamentos, como no caso da nossa UFRN, UFF, UFRJ, UFBA, UFPE, entre outras universidades.

Na UFRN, o Reitor Daniel Diniz anunciou que o orçamento discricionário, ou seja, o orçamento das demandas básicas de funcionamento, como água, luz e manutenção será zero, o que significa cortar o orçamento para os terceirizados. A reitoria, que já deixou acontecer uma infestação na residência e cortou bolsas, ameaça aprofundar ainda mais a implementação da política de cortes da permanência estudantil que já é precária. É mais sucateamento para jogar a crise nos setores mais precarizados, principalmente os estudantes moradores da residência, a juventude trabalhadora, a juventude negra, que conseguiram furar o filtro social e racial do vestibular, e os trabalhadores terceirizados, que, mesmo com boa parte do funcionamento remoto da Universidade, nunca deixaram de trabalhar.

Na semana seguinte ao 29M, o reitor interventor bolsonarista da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Carlos Bulhões, anunciou um brutal ataque com o desligamento de estudantes cotistas, sendo mais de 195 estudantes expulsos de forma arbitrária, demonstrando o projeto autoritário, elitista e racista da extrema-direita de Bolsonaro e seu vice, general Hamilton Mourão, da escória dos militares na política que comemora o golpe de 1964.

Ler mais em: Contra o racismo de Bolsonaro e Mourão e em defesa das cotas: tomar as ruas no dia 19!

Por que é necessário lutar contra Bolsonaro, mas também Mourão e os militares sem confiança no Congresso e STF?

A força das mobilizações que se expressou no 29M não podem se limitar ao Fora Bolsonaro, por que todos os ataques são de um mesmo projeto contra os estudantes e trabalhadores. É necessário se levantar contra o Bolsonaro, Mourão e os militares. O Congresso Nacional é também parte de avançar nesses ataques, como foram os cortes na educação aprovados na Câmara e no Senado e os projetos de privatização da Eletrobrás, Petrobrás Bioenergia e dos correios, e faz da CPI da Covid um verdadeiro teatro, sem nenhuma intenção de derrubar Bolsonaro, mas de manter o regime intacto. Mas também o STF, que além de aprovar ataques como a terceirização irrestrita, a demissão em massa sem acordo coletivo, fez tanta demagogia de "combate ao negacionismo" para agora autorizar a Copa América junto com Bolsonaro.

Não é só Bolsonaro, mas também os governadores os responsáveis pela crise sanitária, não apenas os mais alinhados ao governo, que aceitaram a Copa América nos seus estados, mas também Dória, Leite e outros que fazem demagogia com as vacinas enquanto impuseram de forma autoritária a reabertura das escolas, obrigam milhares a enfrentar ônibus lotados para ir trabalhar, sem licença remunerada aos setores não essenciais, não realizaram testagem massiva, e implementam ataques como aos metroviários de SP que trabalharam durante toda a pandemia e lutam por vacinas para todos.

A estratégia do PT, em defesa somente do Fora Bolsonaro, na prática, é para desgastá-lo até às eleições de 2022 com a candidatura do Lula, e isso se prova com seu aceno para acordo com setores golpistas como FHC e Sarney para discutir uma frente ampla com setores da burguesia. Garantiu aos empresários que não iria mexer na política de ajustes e poderia manter as privatizações, usando outros nomes como “capitalização” ou “parceria público privada”, que significa abrir as empresas públicas para o capital financeiro. Além disso, Lula ficou em total silêncio sobre as manifestações do 29M para não comprometer suas negociações com os golpistas.

Nos estados governados pelo PT, como Fátima Bezerra no RN, também fazem demagogia, pois são parte também de aplicar os ataques, como foi a reforma da previdência, e em meio a crise sanitária sequer garantiu insumos básicos e foi contra a unificação do sistema de saúde público e privado. Nessa primeira semana de junho, Rui Costa na Bahia avança com um projeto imobiliário junto com os empresários, que ataca brutalmente o Quilombo Quingoma..

Agora, a União Nacional dos Estudantes (UNE), dirigida majoritariamente pela UJS (juventude do PCdoB), juventude do PT, Kizomba e Levante Popular da Juventude realiza convocações de atos por fora de construir espaços de organização de base para os estudantes discutir e decidir democraticamente os rumos da mobilização, ao invés disso realizaram lives sem nenhum espaço de discussão e decisão entre os estudantes. Inclusive, junto com a CUT e a CTB, também dirigidas pelo PT e PCdoB, são parte de separar a luta dos estudantes com os trabalhadores, que realizaram um ato separado das centrais, meramente simbólico e midiático, no dia 26 de maio, e convocou um ato virtual no dia 29M, quando poderia ser um dia de forte mobilização com unidade da juventude com os trabalhadores. Novamente, as centrais sindicais, principalmente a CUT, separam as lutas com a convocação para o dia 18 manifestações no país. É por isso que a UNE, CUT e CTB devem romper com a estratégia eleitoral e convocar assembleias em cada local de estudo e trabalho para construir uma paralisação nacional unificada no dia 18 e 19.

Pela auto-organização desde as bases na UFRN

Nós, da Faísca e do Esquerda Diário, fazemos um chamado a direção do DCE da UFRN, composta pela Correnteza, Juntos e UJC (juventudes da UP, PSOL e PCB, que anteriormente compuseram a Oposição de Esquerda da UNE) - que seja convocado uma assembleia geral dos estudantes. Para organizar desde a base com direito a voz e voto para discutir e votar de forma democrática todas as propostas no início da próxima semana rumo ao 19J e fortalecer a luta para derrubar Bolsonaro, Mourão e os militares, e por justiça por Jacarezinho, Kathlen Romeu e toda juventude negra assassinados pelas balas da polícia e pelos quase 500 mil mortos por covid.

São os mesmos setores que dirigem o DCE da UFRN, deveria colocar a entidade para servir como ferramenta para essa luta dando exemplo de auto-organização e de oposição à política da burocracia da UJS e do PT na UNE. Contudo, ao defenderem nacionalmente a mesma política de Fora Bolsonaro + impeachment, acabam colocando essas entidades, como o nosso DCE, a serviço da estratégia de desgaste eleitoral do PT. Não só se opõem a qualquer medida de exigência aos sindicatos da CUT e CTB que organizem uma paralisação nacional, como acabam reproduzindo os métodos burocráticos da UJS no movimento estudantil. Frente a construção do 29M em Natal e na UFRN, convocou assembleias setoriais para chancelar as decisões do Conselho Estudantil de base (CEB), composto pelo DCE e os Centros Acadêmicos (CAs), impedindo a realização de votação de propostas como na assembleia do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA). Chamamos os companheiros do DCE a corrigirem essa política e atitude burocrática, reforçando a urgência de um chamado de assembleia geral com direito a voz e voto para todos os estudantes.

Veja também: PSOL na Prefeitura de Belém: reforma da previdência e congelamento salarial

Só podemos confiar nas nossas próprias forças mobilizadas, com a unidade explosiva entre a juventude e a classe trabalhadora para massificar as mobilizações contra Bolsonaro, Mourão e os militares sem depositar nenhuma confiança no Congresso golpista e no STF. As entidades ainda podem convocar assembleias em cada local de trabalho e estudo rumo ao 19J. Somente uma saída independente de estudantes e trabalhadores unificados pode dar uma resposta a todo o regime degradado do golpe.




Comentários

Deixar Comentário


Destacados del día

Últimas noticias