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UFRGS | Por um RU que atenda toda a comunidade universitária, não aceitamos ninguém passando fome!

Depois de dois anos de pandemia e ensino remoto, as aulas presenciais na UFRGS estão sendo retomadas parcialmente. Entretanto, esse retorno se dá com os Restaurantes Universitários fechados para a maioria dos estudantes. Os RUs irão abrir no dia 7 de Fevereiro, com exceção do RU do campus Saúde, que está aberto com restrições desde o dia 19 de Janeiro.

Gabriela MuellerEstudante de Psicologia UFRGS

segunda-feira 24 de janeiro | Edição do dia

Foto: Elisa Bortolini

Em 2 anos de pandemia a maioria dos estudantes ficou sem direito a fazer suas refeições no RU, que tiveram um funcionamento extremamente restrito por causa dos riscos de contaminação, mas sobretudo, por causa da precarização da universidade, que sofreu com cortes de verba, demitindo e afastando terceirizados, impossibilitando um atendimento mais amplo à comunidade. Isso piorou consideravelmente as vidas dos estudantes, visto que muitos faziam todas suas refeições no restaurante e, de repente, viram-se desassistidos desse direito. Esses ataques agravam ainda mais um cenário de crise em que a juventude é cada dia mais precarizada e o preço dos alimentos sobem vertiginosamente, restringindo cada vez mais o direito básico de se alimentar. Vivemos no país da fila do osso e da fila do lixo, onde, em meio à crise financeira, o nível de miséria bate na porta de milhares de pessoas. Além disso, Bolsonaro, Melo e, na UFRGS, Bulhões, aproveitam para descarregar a crise nas costas da juventude, que se vê tendo que assumir trabalhos precários, sem perspectivas de se formar.

Enfrentamos e seguimos enfrentando esses ataques à universidade diretamente do governo bolsonarista que, através de Bulhões, sua correia de transmissão na UFRGS, aproveita-se da pandemia para avançar com seu projeto privatista de reservar a universidade às elites.

Nesse sentido, fruto dos cortes de verbas e demissões, a tendência nessa volta às aulas é nos depararmos com institutos com a sua infraestrutura prejudicada, com muito menos funcionários garantindo o funcionamento dos campi e com RUs mais precários. Mesmo durante a pandemia esse aumento da precarização já se expressava, quando os restaurantes seguiram distribuindo marmita aos moradores da Casa de Estudantes, muitos dos quais denunciavam a má qualidade dos alimentos que, muitas vezes, vinham vencidos e estragados. Os impactos sentidos pela privatização dos RUs vem de tempos, desde que a UFRGS terceirizou os serviços dos restaurantes, precarizando o seu funcionamento e as condições de trabalho e piorando a qualidade dos alimentos.

Agora, os RUs irão abrir com uma capacidade de somente 18% devido à pandemia, o que significa atender à 56% pessoas, que seriam apenas estudantes de graduação e pós graduação e, no caso da Saúde, que está aberto desde o dia 19, é somente para os estudantes do campus que têm aulas presenciais. Isso por si só já exclui inúmeros estudantes do próprio campus e exclui também trabalhadores da universidade que, no caso dos terceirizados, são os que garantem o funcionamento dos restaurantes e sequer têm o direito de se alimentar ali.

Essas restrições podem significar justamente filas enormes e inúmeros estudantes sem conseguirem acessar o restaurante, seja por não terem aulas presenciais, seja pela capacidade reduzida de funcionamento. Além disso, é um absurdo que os próprios trabalhadores que mantém a universidade funcionando não possam se alimentar no RU ou que, para isso, tenham que pagar do próprio bolso valores muito maiores do que para os estudantes, como costumava ser antes da pandemia.

Nós da Faísca, reivindicamos que os RUs sejam abertos para toda a comunidade universitária, com distribuição de marmitas para impedir aglomerações, disponibilização de salas de aula vagas para as pessoas se alimentarem, e também que a comunidade universitária, estudantes, professores, funcionários e terceirizados possam retirar as marmitas em qualquer RU, independentemente de ter aula presencial ou não. É elementar que possamos usufruir desse direito, o DCE e os Centros Acadêmicos, junto aos trabalhadores da universidade, poderiam impulsionar uma campanha pelo direito de estudar, e que nenhuma pessoa passe fome, por um RU que atenda estudantes e trabalhadores da universidade, sem restrições.




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