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Por que os educadores podem e devem apoiar ativamente os metroviários de SP em greve?

Leia abaixo alguns motivos para que as educadoras e educadores apoiem a greve dos metroviários contra Doria e pelo direitos. Vacina para todos, greve pela vida!

quarta-feira 19 de maio | Edição do dia

Os metroviários decidiram por greve em assembleia na noite de ontem, depois de passarem semanas tentando negociar com o governo contra os cortes de seus direitos e pela vacinação de todos os trabalhadores do metrô, inclusive terceirizados – que assim como na educação não foram vacinados, e de toda a população. E só receberam intransigência por parte do governo.

A mídia, desde o primeiro minuto do dia, ataca os metroviários dizendo que estão prejudicando a população; querem dividir os Metroviários do restante da classe trabalhadora e enganar a população sobre a greve e sobre a política de Doria para o metrô de São Paulo. Não aceitamos, somos uma classe, numa só luta, para que não pagarmos com nossos direitos pela crise que eles mesmo criaram e querem descarregar em nossas costas!

Levantamos então a questão: porque os professores podem e devem apoiar ativamente os metroviários?

1- O nosso patrão é mesmo, com o mesmo projeto privatizante tanto para as escolas quanto para o transporte.

Nossos conhecidos de longa data do PSDB, Dória, assim como a gestão Covas/Nunes no município, estão avançando a passos largos na privatização da educação. Estão aproveitando a pandemia para instaurar ensino híbrido, aprovar a toque de caixa o projeto de escolas integrais e implementando a reforma do Ensino Médio, além de já terem ampliado e muito a concessão a conveniadas para o Ensino Infantil. Todos projetos que abrem cada vez mais o nicho para o mercado do ensino, precarizando cada vez mais nosso trabalho.

No transporte, não é diferente. Há anos estão avançando em demissões, corte de direitos e aumento da terceirização, o que precariza ainda mais o serviço para a população e abre espaço para a privatização das linhas. Mais precarização, mais aumentos de tarifas, mais superlotação. Também como usuários que somos desse serviço, também sofremos com o sucateamento dos transportes.

Para os liberais do PSDB e demais partidos burgueses aliados, como o MDB de Ricardo Nunes, que assume no lugar de Bruno Covas, a população trabalhadora e pobre não deve ter direitos garantidos pelo estado; educação e transporte de qualidade devem ser só para quem tem dinheiro.

2- Os metroviários lutam pelo mesmo que nós na pandemia: por vacinação pra todos!

Desde o início da pandemia, dizemos que nossas escolas não têm condições de receber os alunos com segurança sanitária. Falta completa de estrutura básica e de ventilação, salas superlotadas, falta de equipamentos de proteção individual (EPI) em quantidade e qualidade necessárias. Desde que as vacinas começaram a ser fabricadas, defendemos a nossa vacinação e de todas as comunidades como parte do necessário para retornarmos às aulas presenciais. Em luta contra o retorno inseguro às aulas, os professores do município de SP estão em greve já há quase cem dias exigindo vacina como uma das reivindicações centrais.

Os metroviários foram obrigados a trabalhar sem segurança sanitária desde o dia 1 da pandemia. Também enfrentam a superlotação, a falta de EPIs adequados, diminuição do quadro de funcionários. Depois de aprovarem um primeiro indicativo de greve na semana passada, os metroviários conquistaram o direito de serem vacinados. Mas não estão todos eles incluídos na vacinação, os terceirizados, que são parte fundamental do funcionamento do metrô, foram excluídos. Além, obviamente, do conjunto da população que se espreme no metrô lotado todos os dias.

Estamos no mesmo barco. A vacinação dos professores foi anunciada há mais de um mês e só para um terço da categoria, e a maioria dessa parcela sequer tomou a segunda dose, necessária para garantir a eficácia. Hoje anunciou, demagogicamente, a vacinação dos educadores de 18 a 46 anos, para aumentar os números de vacinados; no entanto, além de seguirmos nos expondo por mais dois meses, já que a vacinação começaria em 21/07 apenas, essa decisão também desconsidera os milhões de pessoas que não completaram a imunização. Sem o enfrentamento às patentes das vacinas, a vacinação que Doria tanto propagandeia só alarga os tempos da vacinação, infla os dados e aumenta as estatísticas, matando mais e mais pessoas a cada minuto. A luta dos metroviários pela vacinação pra todos é a nossa luta.

3- Como os metroviários, recebemos as mesmas respostas com a mesma intransigência quando estamos lutando por direitos nossos e da população por acesso à educação e a transporte de qualidade.

A postura do governo, a princípio, é sempre a mesma: não negocia, faz calúnia na mídia, ameaça com demissões e corte de ponto, nega o direito de greve. Apostam sempre, até serem quebrados pela força do movimento, na desmoralização dos trabalhadores, no jogo com a opinião pública, no medo da falta de salário. Essas são as armas dos governos burgueses. A nossa é a massificação e união das lutas e reivindicação dos direitos de todo o povo pobre e trabalhador! Uma só classe, uma só luta!

4- Se os metroviários alcançam uma vitória na greve, o nosso patrão Doria e seus colegas de negócios tem menos força para prosseguir nos ataques que querem fazer também à educação e aos trabalhadores da educação e a comunidade escolar.

Eles sabem que uma vitória dos trabalhadores pode moralizar e incentivar outras categorias a lutar. Ainda mais nesse momento, que estamos passando por uma profunda crise, sanitária, econômica, social e política. Mais de 400 mil mortos pela política nefasta de Bolsonaro e de todos os governadores e o conjunto do regime político do golpe, números cada vez maiores de pessoas em situação de desemprego e fome, inflação de todos os itens básicos da sobrevivência, depreciação dos salários, ataques e mais ataques aos direitos dos trabalhadores, das mulheres, dos negros, dos LGBTs. Privatizações de grandes estatais importantes e de serviços básicos para população, desmatamentos recordes dos biomas brasileiros, extermínio de comunidades indígenas e quilombolas. E para os políticos e empresários, privilégios, privilégios e mais privilégios. É uma bomba-relógio que a classe dominante fará de tudo para não explodir.

Exatamente por isso, a cada vez que um setor da nossa classe entra em luta, é uma oportunidade de fortalecer o conjunto das nossas lutas. Por isso, mostrar aos nossos carrascos que estamos juntos e não deixaremos mais eles nos confundirem e nos separarem ainda mais é fundamental para avançar contra o conjunto dos problemas sociais que estamos enfrentando.

Como podemos apoiar ativamente?

Nós do Movimento Nossa Classe Educação, estivemos hoje com a Professora Grazi Rodrigues e o Professor Sérgio Araújo, levando a solidariedade da nossa categoria que na rede municipal de São Paulo também está em greve e defendendo essa força imparável contra os nossos inimigos que é a unificação da nossa classe para podermos vencer. Assista o vídeo:

Leia também: Educadores municipais de São Paulo em greve levam solidariedade à greve dos metroviários

O Esquerda Diário produziu não só esse material, mas uma infinidade de outros textos, vídeos e artes disponíveis em nosso portal e nas nossas redes sociais: Facebook e no Instagram. Poste nas suas redes sociais o seu apoio, participe dos twittaços que estão acontecendo durante toda a greve, participe dos piquetes nas estações, se tiver a possibilidade. Você também pode mandar fotos de apoio ao Esquerda Diário, estamos divulgando todos os apoios.

Divulgue as notícias sobre a greve, mostre aos colegas, parentes, amigos os reais motivos que levaram os metroviários a paralização. Divulgue o que os próprios metroviários publicam. Desmascare a mídia burguesa que quer enganar a população. Aqui no Esquerda Diário, estamos acompanhando minuto a minuto dessa importantíssima luta, leia e divulgue!




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