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ATRASO BOLSAS PIBID E RP | Por que o PIBID e a Residência Pedagógica foram atacados?

Ontem, 11, depois de dias e dias sem nenhuma solução apresentada, foram aprovadas na Comissão Mista de Orçamento (CMO) e no Senado a PLN 17/2021 e a PLN 31/2021, que garantem o pagamento das bolsas até o final deste ano, má por que a burguesia precisa atacar a educação e a formação de professores?

sexta-feira 12 de novembro | Edição do dia

Em meio a uma crise na qual vemos fila do osso no país e altos índices de desemprego, os cortes na educação e o atraso das bolsas PIBID e RP não vêm por acaso. Bolsonaro, Mourão e toda a burguesia quer descarregar essa crise nas costas da juventude negra, dos trabalhadores e do povo pobre, fazendo-os trabalhar mais com menos direitos. Esse governo, eleito com fake news e manipulações, veio para atacar ainda mais os trabalhadores, aprovando as reformas que Temer não conseguiu, como a da previdência, a administrativa e a carteira de trabalho verde e amarela. Esse é o mesmo governo que corta da educação e atrasa bolsas dos pibidianos e residentes nas universidades públicas, impacto direto do corte de 92 bilhões de Paulo Guedes, somado aos cortes anteriores.

Foram longos dois meses com o pagamento atrasado, um verdadeiro absurdo pois inúmeros estudantes dependem desse dinheiro para necessidades básicas. Esse atraso também é um ataque à permanência estudantil e expressa o projeto defendido por Milton Ribeiro e de todo o governo de que a universidade deve ser elitista e para poucos.

Os programas PIBID e Residência Pedagógica são essenciais para auxiliar na formação de professores. São programas compostos por estudantes de Pedagogia e diversas licenciaturas que passam a ter contato direto com a escola pública. Participam das reuniões pedagógicas, pensam aulas e atividades junto com os professores municipais e estaduais, aprendem, ensinam e se testam enquanto profissionais da educação. Durante a pandemia, ajudaram as escolas no desenvolvimento das aulas pelas salas de aulas virtuais, em formas de aproximar as crianças e as famílias nos encontros online frente à baixa adesão por falta de condições de acesso e pelas dificuldades do momento (jovens do PIBID e Residência da Unicamp fizeram tiktoks para transmitir conteúdos para os estudantes, por exemplo), e ajudaram a escola a preparar o retorno presencial, elaborando materiais detalhados sobre todos os cuidados sanitários que devem ser seguidos. Ou seja, ambos são programas essenciais para ligar o ensino superior público à população. Assim, é uma forma de que o conhecimento da universidade esteja ligado com os trabalhadores e seus filhos, e não totalmente distante e intocável.

Nesse cenário, não é difícil pensar o porquê Bolsonaro, Mourão e a burguesia atacam esses programas: eles querem cada vez mais que o conhecimento da universidade esteja longe da população. Por eles, nossos cérebros só deveriam servir ao lucro. Por isso eles tanto defendem parcerias público privadas nas universidades, para que nosso conhecimento sirva às empresas. Mas se um dia nós concordarmos com isso, deixaremos de querer ser professores e passaremos a ser meros agentes do Estado. Nós, jovens estudantes e futuros professores, bolsistas sem renda por causa do governo, escolhemos essa profissão pois sabemos a potência que seria se cada jovem tivesse acesso a um ensino de qualidade e condições de vida dignas. Por isso, nunca deixaremos de batalhar pelo direito à educação, da básica à superior, e por uma outra estrutura social que não submeta o desenvolvimento humano à lógica do lucro e da burguesia que quer nos deixar comendo osso e passando fome enquanto suga nossa vida com a exploração do trabalho.

Mas a verdade é que todo esse projeto de Bolsonaro, Mourão e de todos os setores do regime para a educação não caiu do céu, pelo contrário. Querem precarizar a educação por um motivo e ele vem junto com inúmeros ataques ao trabalho, como já foi mencionado. Para entender essa relação, é preciso entender que a educação no capitalismo cumpre um papel de formar gerações de trabalhadores. Ou seja, um trabalho desqualificado, que é o que o capitalismo precisa ainda mais agora, requer uma força de trabalho desqualificada.

O capitalismo impõe a necessidade de precarizar a formação nas escolas para que ela se adeque ao barateamento do trabalho. Para que a burguesia quer uma juventude crítica com alto conhecimento intelectual, se seu projeto para a maioria dos jovens é deixá-los pedalando mais de 12h por dia para ter o que comer? Não quer. Seu projeto na educação para essa juventude hoje é a reforma do Ensino Médio, que impõe uma educação mais precária e tecnicista. E para impor essa reforma, o governo também precisa atacar a formação de professores.

Mas não podemos retroceder. Estudar é um direito e não abrimos mão. Precisamos batalhar por mais condições de permanência estudantil para que os estudantes pobres, mulheres e negros que furaram o filtro social do vestibular possam terminar seus cursos, e pela manutenção e ampliação do PIBID e da Residência Pedagógica, assim como o reajuste imediato das bolsas de acordo com a inflação. Além disso, também devemos refletir mais profundamente para quê nosso conhecimento deve servir. Nós da Faísca defendemos dentro das universidades que atuamos que devemos ter novos processos estatuintes, nos quais decidamos que as universidades devem ser geridas por estudantes, trabalhadores e professores proporcionalmente de acordo com o peso real que cada um tem, não por burocráticos conselhos universitários e reitorias que têm seus próprios interesses. Assim, apenas com a universidade pública gerida por quem faz ela se manter, e não por quem a vê de cima, nosso conhecimento poderia ser voltado para os trabalhadores e para a população, fomentando projetos que liguem o ensino superior a inciativas nas escolas, nos bairros, etc.

Mas para que isso tudo ocorra, precisamos unificar os estudantes, bolsistas e não-bolsistas, junto da juventude negra e pobre que nunca teve nem o direito de estar na universidade. Nesse cenário, a UNE (União Nacional dos Estudantes), a principal e maior entidade estudantil do país, deve convocar assembleias de base em cada universidade, para que a luta por uma permanência digna esteja nas mãos dos estudantes, e rumo ao dia 20 de Novembro. Hoje a UNE é dirigida majoritariamente pelo PT, pelo PCdoB (UJS) e Levante Popular. Sua direção, principalmente a UJS, corrente de sua presidenta Bruna Brelaz vem atuando com uma política de aliança com a direita que nos ataca e toda a majoritária aposta na estratégia eleitoral, em uma espera passiva das eleições de 2022 para eleger Lula. Essas alternativas não respondem os dilemas e miséria da juventude que passa fome hoje. É inadmissível que tenham junto às Centrais Sindicais cancelado as manifestações pelo #ForaBolsonaro do dia 15, transformando-as em reuniões de cúpula e seguimos a exigência de que organizem os estudantes desde as bases para apontar para um caminho de defesa dos programas.

As correntes que se colocam à esquerda do PT, Juntos (MES-PSOL), UJC, Correnteza, Vamos à luta e outras estão à frente de entidades em todo o país e precisam dar exemplo com a convocação destas assembleias. A juventude pode cumprir um papel explosivo levantando demandas como o reajuste salarial de acordo com a inflação neste país de fila do osso e fila do lixo, combinado ao reajuste das bolsas, mas para isso precisa estar organizada pela base.




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